sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Infertilidade humana


Actualmente existem procedimentos biotecnológicos que permitem manipular, até certo ponto, os processos reprodutivos. Estes procedimentos incidem quer sobre o controlo da natalidade quer sobre a resolução de problemas de fertilidade. De facto, o conceito de Saúde Reprodutiva prevê que as pessoas possam ter uma vida sexual satisfatória e segura, tendo a capacidade de se reproduzir e decidir se, quando e com que frequência o fazem.
O desejo manifestado por muitos casais de poder ter filhos é natural, porém, torna-se difícil realizar este desejo nos casais afectados pela infertilidade.
A infertilidade, segundo a Organização Mundial de Saúde, afecta cerca de 10% dos casais de todo mundo. A infertilidade traduz-se na incapacidade temporária ou permanente de conceber um filho ou levar uma gravidez até ao seu termo natural. A infertilidade pode ter origem na mulher, no homem ou em ambos, sendo cerca de 52% dos casos relacionados com factores femininos, e 48% com factores masculinos. Mas em cerca de 1/3 dos casos totais existentes de causas de infertilidade residem em ambos os elementos do casal. Deste modo, é muito importante que os casais afectados procurem assistência médica especializada.

A infertilidade
Como já foi referido, a infertilidade é a incapacidade temporária ou permanente em conceber um filho ou em levar a cabo uma gravidez até ao seu termo natural.
A infertilidade afecta três em cada dez casais europeus em idade reprodutiva. A maioria dos casais assume que são férteis e esperam conceber um filho logo após o término do uso de métodos contraceptivos. Contudo, em cada dez mulheres em idade fértil duas são inférteis.
Considera-se que existe um problema de infertilidade quando um casal tem relações sexuais regularmente, sem utilizar contracepção durante um período de 1 ano, sem que ocorra uma gravidez. No entanto, tal não significa que a gravidez não possa ocorrer naturalmente após esse período ou recorrendo a técnicas específicas, uma vez que a infertilidade total, ou esterilidade, é uma situação rara. Os tratamentos actuais, que recorrem a técnicas específicas para possibilitar a gravidez, oferecem uma boa taxa de sucesso, e cerca de 3 em cada 4 mulheres submetidas ao tratamento engravidarão.
Um estudo efectuado recentemente indica que um declínio significativo da fertilidade começa entre os 30 e os 33 anos, sendo mais acentuado entre os 35 e os 38 anos para as mulheres, enquanto que nos homens, o declínio da fertilidade é menos dramático, este só se torna notório a partir dos 40 anos.
Quando se suspeita que um casal tem um problema de infertilidade, o primeiro passo do médico passa por realizar os testes no casal, procurando as causas da baixa de fertilidade.

Causas da infertilidade
A maioria dos casais, com dificuldades em engravidar, não é estéril, porém são inférteis ou subférteis. A infertilidade pode ter origem na mulher, no homem, ou em ambos. Contudo existem factores sem causa aparente.

Factores masculinos
No homem, a infertilidade está, geralmente, relacionada com os seguintes problemas:
Produção insuficiente (hipospermia) ou nula (Azoospermia) de espermatozóides;
Produção de espermatozóides de fraca qualidade, ou seja, com formas anormais (Teratozoospermia) ou com baixa ou nula mobilidade, impedindo-os de perfurar a camada externa do óvulo;
Problemas anatómicos ou fisiológicos ao nível do aparelho reprodutor, como a obstrução dos canais por onde circula o esperma (pode decorrer da ausência congénita do deferente, ou do bloqueio de um ducto ejaculatório);
Varicocele;
Criptorquidia;
Infecção espermática;
Gametogénese anormal;
Impotência;
Por vezes, ainda, os espermatozóides são aparentemente normais, mas não conseguem fecundar o óvulo, devido a anomalias bioquímicas impossíveis de detectar ao microscópio;
Causas hormonais, como a falta de FSH e LH;
Desordens imunológicas: anticorpos contra os próprios espermatozóides (anti-espermatozóides);
Anomalias genéticas.
O espermograma é um exame de grande importância na avaliação do homem infértil. Em caso de alteração espermática, deve-se pedir pelo menos dois testes com intervalo de três meses, dado que, este é o período necessário para o nascimento de uma nova família de espermatozóides.
Se os valores encontrados num espermograma de um homem forem diferentes daqueles encarados como normais, considera-se que este poderá ter um problema de infertilidade. Porém, deve-se tomar em atenção que, alguns medicamentos ou factores ambientes podem alterar temporariamente a qualidade do sémen.
As principais causas da produção de espermatozóides de fraca qualidade estão relacionadas com:
– Tabaco;
– Álcool;
– Exercícios excessivos;
– Cafeína;
– O consumo de substâncias psicotrópicas;
– O stress;
– A exposição a substâncias tóxicas como o chumbo;
– Vibração excessiva;
– Defeitos genéticos;
– Alterações hormonais;
– Infecções.

Varicocele
A Varicocele é a principal causa de infertilidade nos homens e ocorre devido a uma dilatação das veias espermáticas internas que drenam o testículo.
A varicocele desenvolve-se devido a válvulas defeituosas que, em condições normais, permitem o refluxo do sangue do testículo para o abdómen. A deficiência testicular ocorre devido ao fluxo anormal de sangue do abdómen para o escroto, deste modo, aumenta a temperatura testicular, propiciando um meio desfavorável para a espermatogénese, afectando assim a fertilidade do homem. Por outro lado, a varicocele interfere na concentração de testosterona, afectando mais uma vez a espermatogénese.

Criptorquidia
Em cada 125 crianças do sexo masculino, uma delas sofre de criptorquidia, que consiste na não descida de um ou dos dois testículos para o escroto (bolsas onde, normalmente, ficam alojados os testículos) durante o desenvolvimento embrionário.
Estas crianças, quando adultos, têm pouco probabilidade de serem férteis, visto que, a não descida dos testículos implica um aumento da temperatura testicular, propiciando um meio desfavorável para a formação de espermatozóides.
Se o testículo não descer para o escroto durante o 3º trimestre da gestação, pode no entanto fazê-lo durante o primeiro ano de vida., contudo, se tal não ocorrer deve-se optar pela cirurgia, todavia, a correcção cirúrgica não garante que o testículo venha a funcionar normalmente.


Factores femininos
Na mulher, alguns dos factores mais comuns que podem levar à infertilidade são:
Ausência da ovulação (anovulação), quer porque os ovários não desenvolvem oócitos maduros, quer porque não os libertam;
Ovulação pouco frequente;
Disfunção do hipotálamo na produção de Gn-RH;
Malformações da hipófise que originam a falta de FSH e LH;
Problemas anatómicos ou fisiológicos ao nível do aparelho reprodutor, como, trompas de Falópio bloqueadas, danificadas ou ausentes, e a obstrução do colo do útero;
Inibição da nidação ou rejeição do embrião após esta fase;
Menopausa precoce (provavelmente genética);
Causas genéticas como o síndrome de Turner em que há pouco ou nenhum tecido ovárico;
Causas psicológicas, como o stress e emoções fortes que provêm, por exemplo, da perda de um ente querido, dificuldades no casamento.
Outros factores que podem provocar infertilidade na mulher são as lesões tubárias, que levam ao bloqueio do encontro do oócito II com o espermatozóide. As suas principais causas são:
– Infecções provocadas por bactérias ou vírus;
– Doenças abdominais, tais como a apendicite, colite, peritonite, infecção pós-parto e aborto, cirurgia prévia – como abdominal ou pélvica;
– Gravidez ectópica (fora do útero), que pode ser letal à mulher e repetitiva;
– Defeitos congénitos, como anormalidades numa ou em ambas as trompas de Falópio;
– Endometriose (formação de endométrio em locais fora do útero), que leva à inflamação e cicatrização das trompas de Falópio.
O muco cervical é outro facto que pode levar à infertilidade na mulher, quer em casos em que ele é escasso, quer em casos em que ele é muito espesso, uma vez que impede a locomoção adequada do espermatozóide para atingir o oócito II.
Decorre de alterações hormonais, como pouco estrogénio, excesso de progesterona.

Outras causas de infertilidade
Deve-se também tomar em consideração que a fertilidade pode ser afectada, em termos individuais, por diversos factores, como a alimentação, o estado de saúde geral ou, no caso da mulher, a idade e a amamentação.
Existem também diversas doenças que podem provocar a infertilidade. As doenças sexualmente transmissíveis (DST) ou doenças venéreas são doenças infecciosas de etiologia variada e propagam-se, essencialmente, através de contactos sexuais, podendo provocar a infertilidade.
– Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – SIDA;
– Hepatite B;
– Herpes Genital;
– Gonorreia;
– Clamídia;
– Sífilis;
– Candidíase;
– Tricomoníase.
Também as operações cirúrgicas nas quais sejam extraídos os ovários (ovariectomia ou ooforectomia) ou o útero (histerectomia), à mulher, ou os testículos, ao homem, provocarão esterilidade.
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