domingo, 4 de setembro de 2016

Astrónomo português recebe prémio internacional na Arménia

O astrónomo Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), recebeu ontem, na Arménia, o prémio internacional Viktor Ambartsumian.O prémio - partilhado com os seus colegas Michel Mayor (Universidade de Genebra) e Garik Israelian (Instituto de Astrofísica das Canárias) - foi atribuído pelo trabalho no estudo das estrelas que têm planetas em órbita e que fornecem indícios essenciais para a compreensão dos processos de formação planetária, informou o CAUP.

O galardão, no valor de cerca de 385 mil euros e considerado o mais importante na astrofísica depois do Prémio Nobel, será distribuído pelos três investigadores.

O Prémio Viktor Ambartsumian é atribuído de dois em dois anos e distingue investigadores, de qualquer país, por excepcionais contributos para a Ciência.

Este ano, foram nomeados 14 investigadores ou equipas, cabendo o prémio ao trio liderado pelo Professor Michel Mayor, que em 1995 codescobriu o primeiro exoplaneta à volta de uma estrela do tipo solar (51 Pegasi).

O júri que atribuiu o prémio é composto por físicos e astrónomos de renome, dos quais se destacam Martin Rees (Master do Tinity College da Universidade de Cambridge), Catherine Cesarsky (ex-directora geral do ESO e ex-presidente da União Astronómica Internacional) e Geoffrey Burbidge (editor das revistas "The Astrophysical Journal" e "Annual Review of Astronomy and Astrophysics").

Nuno Cardoso Santos é autor de 128 artigos científicos publicados, com mais de 5200 citações.

Ao ter conhecimento do prémio, o investigador manifestou-se “obviamente muito feliz” e acrescentou “esperar, sobretudo, que este reconhecimento possa, de alguma forma, ajudar a astronomia nacional a fazer cada vez mais e melhor”.

Em comunicado, o CAUP refere que actualmente são conhecidos cerca de 500 planetas extra-solares, muitos dos quais (em especial os de pequena massa) descobertos pela equipa liderada pelo professor Michel Mayor. Entre eles está o mais pequeno exoplaneta descoberto, Gliese 581e, com apenas 1,9 massas da Terra.

“Apesar do já elevado número de planetas extra-solares detectados, os mecanismos de formação destes sistemas são ainda pouco compreendidos. Por isso a equipa dedica-se também a tentar compreender melhor as propriedades destes sistemas planetários (e das suas estrelas-mãe), de modo a melhorar os actuais modelos de formação planetária”, acrescenta.

O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) foi criado em Maio de 1989 e iniciou as actividades em Outubro de 1990. É a maior unidade de investigação na área da Astronomia em Portugal, considerada como “Excelente” nas últimas avaliações de Unidades I & D, efectuada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Enviar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Mensagens populares

Emprego Docente

Noticias da Educação

Recomendamos ...