sábado, 3 de setembro de 2016

Descritas 3 novas espécies do primata com uma mordida tóxica


Uma equipa internacional de cientistas descreve num artigo na revista American Journal of Primatology três novas espécies de lóris pertencentes ao género Nycticebus, conhecido pela sua mordida tóxica. Duas das novas espécies, N. borneanus e N. bancanus, foram, em tempos, consideradas subespécies de N. menagensis, enquanto que N. kayan era totalmente desconhecida.

As novas espécies de lóris, um primata noturno asiático aparentado dos lémures, de Madagáscar, vivem na ilha do Bornéu, e a sua classificação como espécies distintas resulta das diferenças que apresentam em termos das dimensões corporais, da densidade da pelagem, da coloração facial que faz com que pareça que tenham uma máscara e, ainda, do tipo de habitat.

A reorganização taxonómica que resultou no aumento do número de espécies de Nycticebus, tem importantes implicações ao nível da Conservação. Em primeiro lugar, torna necessário um maior esforço de conservação para conservar estes primatas, já que, em vez de uma espécie ameaçada, se passa a ter 4 espécies “em perigo ou ameaçadas”, pode ler-se no comunicado de imprensa da University of Missouri.

 “Quatro espécies diferentes são mais difíceis de proteger do que uma, já que cada espécie necessita de manter o seu efetivo populacional e ter habitat florestal suficiente”, explica Rachel Munds (University of Missouri – EUA), co-autora do novo artigo.

Com efeito, M. menagensis, a espécie que anteriormente aglomerava as que são agora consideradas como espécies diferentes, encontra-se classificada como “Vulnerável” na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. As principais ameaças identificadas, que provavelmente também se aplicam às novas espécies, são a perda do habitat florestal devido à conversão em plantações de palmeira para produção de biocombustíveis, e a crescente captura para alimentar o comércio de animais de estimação, para usar como modelo em fotos com turistas e para utilização na medicina tradiconal asiática.

Por outro lado, o reconhecimento como espécies distintas sugere que pode haver, nas luxuriantes florestas tropicais da região, mais novas espécies por classificar. Dada a crescente ocupação humana, esta hipótese torna ainda mais urgente intensificar aí os esforços conservacionistas.



Fontes: Filipa Alves/ phys.org e munews.missouri.edu
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