Biografia - João Forbes-Skelater

n:  1733 (Escócia)
m: 8 de Abril de 1808 (Brasil)

Filho único de Patrick Forbes, de Skelater no condado de Aberdeen, na Escócia, entrou para o exército aos 15 anos de idade, como voluntário, durante o cerco à cidade holandesa de Maestricht, no final da Guerra de Sucessão da Áustria, tendo conseguido tornar-se oficial.

Devido à declaração de guerra da Espanha e da França a Portugal nos princípios de 1762, foi um dos primeiros oficiais a apresentar-se como voluntário, respondendo ao apelo do conde reinante de Lippe-Buckenbourg, para o acompanharem na sua missão de comandante em chefe do exército luso-britânico. 

Forbes ficou em Portugal após o fim da «Guerra Fantástica», ou «Guerra do Pacto de Família», mantendo-se ao serviço no exército. Sendo católico e tendo casado com uma portuguesa, passou automaticamente a ser português, passando por isso a ter acesso ás honras de cavaleiro das ordens militares.

Durante o reinado de D. José, foi subindo os postos chegando a Brigadeiro em 1775, mantendo-se, como era natural naquela época, no comando de um regimento. Em 1769 tinha conseguido ser transferido para o comando Regimento de Cavalaria de Almeida, vindo do comando de um regimento de infantaria, o que parece provar a sua aceitação pelo governo do marquês de Pombal.

No começo do reinado de D. Maria I, a sua carreira estagna, sendo transferido para Trás-os-Montes. Só 14 anos depois de ter acedido ao posto de Brigadeiro é promovido ao posto seguinte de marechal de campo.

De facto, só em 1789 a sua carreira retoma o seu curso normal, possivelmente devido à chegada à secretaria de estado dos negócios estrangeiros e da guerra, em 1788, de um oficial general formado na escola militar do conde de Lippe e na escola de governo do marquês de Pombal - Luís Pinto de Sousa. Assim, depois da promoção de 1789, é nomeado Ajudante General do Exército em 1791.

Mais tarde, quando se prepara a força expedicionária de apoio ao exército espanhol, é nomeado comandante do Exército Auxiliar à Coroa de Espanha - de facto uma Divisão reforçada. Esse comando, que implica mais conhecimentos de diplomacia do que militares, é um sucesso pelo qual será devidamente recompensado. Mas incompatibiliza-o com o que se pode chamar de «partido aristocrático» no exército, dirigido pelo futuro marquês de Alorna, Gomes Freire de Andrade e Pamplona Corte-Real, todos eles gente do duque de Lafões, e que serão os comandantes do exército português reorganizado por Junot em 1808

João Forbes, que passa a ser conhecido no exército como Forbes-Skellater a partir dos anos 80,  promovido em 1794 ao posto de Tenente general, é nomeado Inspector-geral da Infantaria em 1796, após o regresso do Rossilhão e Catalunha, mantendo por uns tempos o cargo de Ajudante General. Com a declaração de guerra da Espanha e França em Fevereiro de 1801, é nomeado para o comando do Exército de Entre Douro e Guadiana, que defende todas as fronteiras que dão acesso directo a Lisboa. Se com o apoio do duque de Lafões, ou devido à sua perícia, a verdade é que consegue retirar o exército do Alentejo para a margem Norte do Tejo sem perdas significativas, impedindo o progresso rápido dos espanhóis, permitindo por isso a rápida conclusão da Paz.

Em 1803 será nomeado General de Cavalaria, que se tinha tornado em 1797 um posto militar e já não uma função administrativa, tendo tido uma parte importante na proposta de reforma do exército, apresentada em 1803, e começada a aplicar em 1806.

Em 1807, embarcou com o príncipe regente quando a coroa portuguesa se transferiu para o Brasil, devido à invasão de Junot, tendo morrido logo que chegou ao Brasil, no qual tinha sido nomeado Governador das Armas do Rio de Janeiro.

Fonte:
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith
Oxford, Oxford University Press, 1998

James Neil,
Ian Roy of Skellater, A Scotish Soldier of Fortune 
being the Life of General John Forbes, of the Portuguese Army,
Aberdeen, D. Wyllie and Son, 1902

Biografia retirada daqui
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