Espaço de ajuda aos alunos nas várias disciplinas desde a Educação de Infância até ao Ensino Secundário
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Conteúdo - Artrite Reumatoide
O que é a artrite reumatoide?
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença reumática inflamatória, de causa desconhecida e de evolução crónica, que envolve primariamente as articulações. Nos casos clínicos típicos manifesta-se sobre a forma de uma poliartrite (definida pelo envolvimento de três ou mais articulações), bilateral (afecta articulações nos dois lados do corpo), simétrica (afecta as mesmas articulações dos dois lados do corpo), progressiva, destrutiva e deformante.
Esta evolução culmina, após 10 a 20 anos de evolução da doença, em particular nos doentes com resposta parcial aos tratamentos instituídos, em algum grau de incapacidade motora.
Em Portugal, a artrite reumatoide é a doença reumática inflamatória mais prevalente, afectando cerca de 0,3 a 0,4% da população portuguesa.
O que causa a artrite reumatoide?
A causa da artrite reumatoide é desconhecida, estando contudo identificados vários factores de risco, como as infecções, a genética e alterações hormonais.
Trata-se de uma doença auto-imune, o que significa que as defesas do organismo atacam os seus próprios tecidos.
A artrite reumatoide pode ocorrer em qualquer idade mas é mais comum na meia-idade. O sexo do indivíduo afecta a susceptibilidade para a doença, de tal forma que esta é cerca de 2 a 3 vezes mais frequente na mulher.
Como se manifesta a artrite reumatoide?
A apresentação clínica da AR é variável, com um início da doença de forma aguda ou lenta, ou entre estes dois extremos, de forma subaguda.
O início lento ou gradual é mais frequente (cerca de 2/3 dos casos), enquanto um início agudo é menos comum. A AR tem início predominantemente como uma doença articular, com uma ou várias articulações afectadas, mais frequentemente as pequenas articulações das mãos e dos pés, de forma bilateral e simétrica, podendo, no entanto, manifestar-se de início como uma doença extra-articular ou com uma apresentação não articular, ou ainda com uma apresentação predominantemente geral, com dores articulares inflamatórias ou dores musculares difusas.
O quadro articular acompanha-se frequentemente, desde o início da doença, de manifestações extra-articulares, como fadiga, anorexia, perda de peso e febre baixa.
Noutros casos, pode ocorrer fadiga isolada ou dor difusa não específica, acompanhada de outras manifestações extra-articulares, como doença pulmonar, durante meses antes do surgimento do quadro de poliartrite.
Como se diagnostica a artrite reumatoide?
O diagnóstico da artrite reumatoide evoluída é realizado pelo Reumatologista e outros clínicos com experiência na observação destes doentes, de forma imediata e “à entrada do consultório”, a partir de uma rápida observação das mãos, que apresentam deformações articulares típicas.
De facto, as mãos de um doente reumático oferecem tanta informação em relação à sua doença que podem ser consideradas o seu cartão-de-visita.
Constituem, no entanto, verdadeiros desafios diagnósticos as formas precoces e iniciais da doença e as formas atípicas. Uma vez que não existe um único teste clínico, radiológico ou serológico que permita o diagnóstico de certeza de AR, este é realizado a partir da conjugação da clínica (sinais e sintomas e sinais característicos), bem como de dados laboratoriais e radiológicos. Em alguns doentes todos os testes podem estar normais.
Como se trata a artrite reumatoide?
A AR exige tratamento ao longo de toda a vida, nele se incluindo o uso de medicamentos, fisioterapia, exercício e cirurgia. Importa igualmente avaliar a presença de alergias alimentares e procurar obter uma dieta equilibrada, rica em ácidos ómega-3.
Dentro dos medicamentos, existem diversas classes que podem ser utilizadas em função do estado clínico de cada doente.
Quanto mais precoce for o tratamento da artrite reumatoide mais se conseguirá retardar a destruição articular.
Fontes:
National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine
Medscape Reference (http://emedicine.medscape.com)
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Conteúdo - Artrite Inflamatória
A artrite corresponde a um processo inflamatório articular que se caracteriza pela presença de derrame articular e/ou dor à movimentação, calor, vermelhidão e limitação funcional.
De um modo geral, os sinais e sintomas das artrites duram até seis semanas. As artrites podem afectar apenas uma articulação (monoartrite), menos do que cinco articulações (oligoartrite) ou mais do que 5 articulações (poliartrite).
As artrites inflamatórias fazem parte de um conjunto de doenças que afectam o sistema imune e, por isso, os sistemas de defesa do corpo atacam os tecidos do próprio organismo em vez de atacarem microrganismos ou substâncias externas. Estas doenças são conhecidas como doenças auto-imunes.
Artrite inflamatória
As artrites inflamatórias mais comuns são a artrite reumatóide, a espondilite anquilosante e a artrite associada à psoríase.
Estas doenças podem ocorrer em qualquer idade e tendem a afectar outras partes do corpo. Podem afectar homens, mulheres e crianças em qualquer idade. Contudo, no caso da artrite reumatóide, 75% dos pacientes afectados são do género feminino e ocorre mais frequentemente entre ao 25 e os 50 anos. O lúpus eritematoso sistémico é igualmente mais comum no género feminino. Por outro lado, a artrite psoriásica e a espondilite anquilosante são mais frequentes em populações mais jovens.
As artrites inflamatórias não são curáveis mas o seu prognóstico tem vindo a melhorar nos últimos 20-30 anos. Existem novos tratamentos que são iniciados mais cedo, assim reduzindo a lesão articular, a necessidade de cirurgia e o número de complicações.
É importante não confundir as artrites inflamatórias com a osteoartrose, que corresponde a um processo degenerativo que ocorre quando se verifica desgaste das cartilagens e/ou ligamentos. Quando essas estruturas estão lesadas, os músculos que as rodeiam contraem-se para proteger a articulação. Quando esse mecanismo não é eficaz, o osso em torno da articulação cresce formando esporões que tentam estabilizar a articulação.
No caso das artrites inflamatórias, os desafios colocados aos doentes são de ordem física (dor, incapacidade, fadiga, lesão de articulações e órgãos) e emocional (depressão, frustração, ansiedade).
Quais as causas das artrites inflamatórias?
De um modo geral, a causa das artrites inflamatórias é desconhecida, pensando-se que na sua origem estão factores de ordem inflamatória ou auto-imune.
O papel da genética ainda não está bem esclarecido.
Quando ocorre o processo inflamatório, são libertadas substâncias químicas que vão afectar diversos tecidos. Essa libertação tende aumentar o fluxo sanguíneo na zona afectada, podendo causar calor e vermelhidão. O inchaço associado pode estimular alguns nervos causando dor.
Como se manifestam as artrites inflamatórias?
Muitas pessoas com artrite inflamatória não apresentam quaisquer sinais de doença.
O aumento do fluxo sanguíneo e a libertação de substâncias químicas atraem glóbulos brancos para o local da inflamação. Estes fenómenos causam irritação, desgaste articular e inchaço.
Os sintomas mais comuns das artrites inflamatórias são vermelhidão, inchaço das articulações que ficam dolorosas e sensíveis ao toque, dor articular, rigidez articular e perda de função das articulações envolvidas.
Sendo uma doença geral, pode ocorrer febre, calafrios, fadiga e perda de energia, cefaleias, perda de apetite e rigidez muscular.
Se a inflamação afectar outros órgãos, os sintomas poderão variar. Se ocorrer inflamação do miocárdio, ocorrerá dor torácica ou retenção de líquidos, se a inflamação envolver a árvore brônquica ocorrerá dificuldade respiratória, se afectar os rins poderá surgir hipertensão ou insuficiência renal, no caso do sistema visual ocorrerá dor e diminuição da visão, se comprometer os músculos provoca dor e fraqueza muscular, se englobar os vasos sanguíneos poderão verificar-se vasculites, com manifestações na pele ou lesão de outros órgãos mais profundos.
A dor nem sempre está presente porque diversos órgãos não apresentam nervos sensíveis à dor.
Como se diagnosticam as artrites inflamatórias?
O diagnóstico das artrites inflamatórias passa pelo exame médico, com destaque para a localização das articulações afectadas, pela presença de rigidez matinal e de queixas localizadas a outros órgãos, devendo estes elementos ser complementados pelos exames radiológicos e laboratoriais.
Como se tratam as artrites inflamatórias?
Existem diversas opções para o tratamento destas artrites, nas quais se inclui o repouso e a cirurgia.
O tipo de tratamento dependerá de diversos factores, tais como o tipo de doença, a idade do paciente, as medicações em curso, o estado geral de saúde e a gravidade dos sintomas.
Os objectivos centrais do tratamento são evitar ou modificar actividades que agravem a dor, recorrer a medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos para controlo da dor e da inflamação e diminuir a pressão exercida sobre as articulações afectadas mediante o recurso a sistemas de imobilização ou de suporte, sempre que necessário.
Os medicamentos mais utilizados no tratamento das artrites inflamatórias são aqueles que reduzem a inflamação e o inchaço e que previnem ou minimizam a progressão da própria doença. Os mais utilizados são a aspirina, ibuprofeno, corticóides e medicamentos como os usados em quimioterapia, terapêuticas biológicas ou medicamentos narcóticos para alívio da dor.
O papel da reabilitação precoce é essencial e pode incluir fisioterapia, protecção das articulações, exercícios para recuperação de força e flexibilidade.
Como se previnem as artrites inflamatórias?
Não existindo uma causa específica, a prevenção é mais difícil.
Contudo, o exercício físico regular e adaptado à idade e condições de cada pessoa, uma dieta equilibrada, um adequado controlo de peso, são bons exemplos de medidas que podem ajudar a prevenir as diversas formas de artrite.
Fontes
Arthritis Research UK, 2013
WebMD, 2012
Lesko M. e col., Managing inflammatory arthritides: Role of the nurse practitioner and physician assistant. Journal of the American Academy of Nurse Practitioners, 382–392, July 2010
National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine, 2013
Conteúdo - Artrite Idiopática Juvenil
As Artrites Idiopáticas Juvenis constituem um grupo heterogéneo de doenças iniciadas antes dos 16 anos de idade, caracterizadas pela presença de artrite de uma ou mais articulações, persistindo, pelo menos, durante 6 semanas.
São das doenças crónicas mais frequentes na criança e no adolescente, sendo uma causa importante de incapacidade, doença ocular e de insucesso escolar pelo absentismo que podem provocar.
Conteúdo - Arritmias
Quando ocorrem as Arritmias Cardíacas?
As alterações do ritmo cardíaco (arritmias) ocorrem quando os impulsos elétricos do coração que coordenam os batimentos cardíacos não são emitidos de um modo adequado, fazendo com que o coração bata demasiado depressa, demasiado devagar ou de um modo irregular.
Qual a incidência de Arritmias na população?
A maioria das arritmias afeta pessoas com mais de 60 anos de idade, dada a presença de doença cardíaca e de outros problemas de saúde que se podem associar às arritmias.
A fibrilhacão auricular é a arritmia mais frequente e afeta cerca de 1% das pessoas com menos de 55 anos. Este tipo de arritmia aumenta de frequência ao longo da vida, sobretudo entre os 65 e os 80 anos. Considerando-se a elevada taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em Portugal e assumindo-se que a fibrilhação auricular está na base de 15% dos AVC isquémicos, entende-se que é importante controlar esta arritmiacomo forma de prevenir a ocorrência de AVC.
O que são Arritmias?
Uma arritmia é, portanto, um problema do ritmo dos batimentos cardíacos. Durante uma arritmia o coração bate mais depressa (taquicardia), mais devagar (bradicardia) ou irregularmente.
O coração é um órgão muscular com quatro cavidades concebidas para trabalharem de modo ininterrupto e eficaz durante toda a vida. As paredes musculares de cada cavidade contraem-se numa sequência precisa e, durante cada batimento, expulsam a maior quantidade de sangue com o menor esforço possível.
Essas contrações das fibras musculares do coração são controladas por descargas elétricas que percorrem o coração seguindo diferentes trajetórias e a uma velocidade determinada.
A frequência cardíaca em repouso é de 60 a 100 batimentos por minuto. Muitos adultos jovens apresentam frequências cardíacas mais baixas, sobretudo se estiverem em boas condições físicas.
As variações na frequência cardíaca são normais e podem resultar do exercício, da inatividade, da dor, ansiedade, etc. Só quando o ritmo é inadequadamente rápido ou lento, ou quando os impulsos elétricos seguem vias anómalas, se considera que o coração tem um ritmo anormal (arritmia).
Para além disso, é frequente as arritmias serem inofensivas, no sentido em que todas as pessoas podem apresentar batimentos irregulares ocasionalmente. No entanto, as arritmias podem ser desconfortáveis e podem, por vezes, colocar a vida em risco. Durante uma arritmia, o coração pode não ser capaz de bombear sangue suficiente para o corpo, o que pode causar danos no cérebro, coração e outros órgãos.
O que causa as Arritmias?
Uma arritmia pode ocorrer quando os sinais elétricos que controlam os batimentos cardíacos estão desfasados ou bloqueados ou se uma estrutura do coração deixa de produzir sinais elétricos.
Cada tipo de arritmia tem a sua própria causa. As arritmias ligeiras podem surgir pelo consumo excessivo de álcool ou de tabaco, por stress ou pelo exercício. A hiperatividade, doenças da tiroide e alguns fármacos, especialmente os utilizados para o tratamento das doenças pulmonares e da hipertensão, podem também alterar a frequência e o ritmo cardíacos. A cocaína e as anfetaminas, alguns medicamentos de venda livre e a cafeína também podem ser responsáveis por arritmias.
A causa mais frequente das arritmias é a doença cardíaca, em particular a doença das artérias coronárias, o enfarte do miocárdio, a hipertensão arterial, o mau funcionamento das válvulas e a insuficiência cardíaca. Algumas doenças cardíacas congénitas também causam arritmias.
A diabetes, a obesidade e a apneia do sono também podem estar envolvidas neste tipo de alterações. Um choque elétrico pode ser o fator desencadeante de uma arritmia.
Por vezes, as arritmias surgem sem uma causa detetável.
Como se manifestam as Arritmias?
Alguns tipos de arritmias provocam poucos sintomas ou nenhuns, mas podem causar problemas. Outras nunca causam problemas importantes, mas, por outro lado, provocam sintomas.
Quando as arritmias afetam a capacidade do coração para bombear sangue, podem causar enjoos, vertigem e desmaio. As arritmias que provocam estes sintomas requerem atenção imediata.
Outros sintomas possíveis são palpitações, dor no peito, dificuldade na respiração.
É importante que procure o seu médico sempre que sentir estes sintomas de um modo súbito ou quando eles surgem frequentemente.
Como se diagnosticam as Arritmias?
A descrição dos sintomas permite quase sempre fazer um diagnóstico provisório e determinar a gravidade da arritmia.
Geralmente, são necessários exames adicionais para determinar com exatidão a natureza da doença. Os mais importantes são: eletrocardiograma; um monitor portátil (Holter) que permite um registo durante 24 horas; ecocardiograma; estudos eletrofisiológicos invasivos, nos quais se introduz por via endovenosa um cateter até ao coração; angiografia coronária.
Como se tratam as Arritmias?
A administração de fármacos é muito útil no caso de sintomas intoleráveis ou quando eles representam um risco. Não existe um único fármaco que cure todas as arritmias em todas as pessoas. Por vezes é preciso experimentar vários tratamentos até encontrar um que seja satisfatório. Os fármacos antiarrítmicos podem, além disso, produzir efeitos secundários e piorar ou, inclusive, provocar arritmias.
Os pacemakers artificiais, dispositivos eletrónicos que atuam em vez do pacemaker natural, programam-se para imitar a sequência normal do coração. Geralmente, implantam-se sob a pele do peito e possuem cabos que chegam até ao coração. Estas unidades duram, atualmente, entre 8 a 10 anos.
Por vezes, a aplicação de uma descarga elétrica no coração pode deter um ritmo anormal e restaurar o normal. Este método denomina-se cardioversão, electroversão ou desfibrilhação.
Certos tipos de arritmias corrigem-se através de intervenções cirúrgicas e outros procedimentos invasivos. Por exemplo, as arritmias provocadas por uma doença coronária controlam-se através de uma angioplastia ou uma operação de derivação das artérias coronárias (bypass).
Após a avaliação inicial, o seu médico determinará qual o tratamento ideal para si.
Como se previnem as Arritmias?
Uma vez que muitas arritmias estão associadas a doença cardíaca, é importante manter o coração saudável, através de uma dieta equilibrada, prática regular de exercício físico, controlo da pressão arterial e do colesterol, deixar de fumar e reduzir o consumo de álcool e de café.
O controlo da ansiedade e do stress é também muito importante.
Fontes:
Epidemiologia da fibrilhação auricular, Bonhorst D. e col., Rev Port Cardiol 2010; 29 (07-08): 1207-1217
Mayo Foundation for Medical Education and Research, Feb. 11, 2011
National Institutes of Health, Department of Health and Human Services
Manual Merck online, 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)