sábado, 30 de julho de 2016

Notícia - Ovários das mulheres adultas têm células estaminais com o potencial de produzir óvulos

Um dogma cai e um novo campo de tratamentos de fertilidade nasce. Uma equipa de cientistas confirmou a existência de células nos ovários de mulheres adultas equivalentes a células estaminais, com o potencial de produzir óvulos. A descoberta publicada agora na revista Nature Medicine abre portas para um novo campo de tratamentos de fertilidade.

Em qualquer manual de biologia está descrita a regra: uma mulher nasce com um número finito de óvulos que vai gastando desde a primeira menstruação até chegar à menopausa. Ao contrário do homem, que continua incessantemente a produzir espermatozóides até quase ao final da vida, o que se sabia das mulheres é que nasciam com cerca de um a dois milhões de óvulos imaturos e por volta dos 50 anos teriam não mais do que mil. Apesar de apenas ser libertado um óvulo durante cada ciclo menstrual, a grande maioria destas células vão morrendo ao longo da vida fértil da mulher.

Mas a descoberta da equipa do investigador Jonathan Tilly, da Escola Médica de Harvard, em Massachusetts, estilhaça este dogma. Aparentemente, os ovários de mulheres adultas ainda têm células com o potencial de se diferenciar até se transformarem em óvulos, um processo que até agora se pensava que só acontecia até às 20 semanas de gestação, durante o desenvolvimento embrionário dos fetos do sexo feminino.

A investigação de Tilly é a continuação de uma história que começou em 2004, quando o cientista publicou um artigo onde mostrava que nos ratinhos havia um desperdício demasiado grande de óvulos imaturos durante cada ciclo menstrual, para que não houvesse uma produção contínua desta linha celular. Na altura, a comunidade científica desconfiou dos resultados argumentando que a equipa tinha feito contagens erradas.

Passados cinco anos, uma equipa de investigadores na China conseguiu demonstrar a existência destas células em ratinhos. Agora, a equipa de Tilly voltou à carga e deu o salto para os humanos. Para isso, utilizaram o tecido de ovários de seis mulheres, dos 22 aos 33 anos, que decidiram mudar de sexo, e que deram consentimento para utilizarem o seu material biológico.

Os cientistas, através de uma técnica que detecta moléculas que só existem à superfície das células estaminais, conseguiram filtrar estas do resto das células do ovário. Depois, num determinado meio de cultura, as células estaminais formaram espontaneamente células parecidas com óvulos imaturos.

Para testar como é que as células se comportariam num meio mais natural, injectaram num tecido de ovário algumas células estaminais geneticamente modificadas para produzirem a proteína fluorescente e colocaram o pedaço de ovário por baixo da camada de pele de um ratinho. Passadas duas semanas, o implante de ovário tinha desenvolvido folículos – onde os óvulos amadurecem para serem libertados do ovário –, dentro destes folículos estavam células fluorescentes, que se desenvolveram a partir das células estaminais injectadas.

“O objectivo principal deste estudo foi provar que as células estaminais que produzem óvulos existem de facto nos ovários de mulheres que estão no período fértil. Achamos que estudo prova isso de uma forma muito clara”, disse Jonathan Tilly.

Embora ainda não haja nenhuma prova que estas células produzam óvulos de forma natural no ovário de mulheres adultas e férteis, esta descoberta “abre a porta para o desenvolvimento de tecnologias novas para ultrapassar a infertilidade em mulheres e talvez no futuro adiar a altura em que os ovários deixam de funcionar”, disse o investigador. A investigação é particularmente promissora para as mulheres que sofrem de menopausa prematura e doentes com cancro que são tratadas com quimioterapia e ficam estéreis.

EFA - STC - Powerpoint - Ruralidade e Urbanidade - Sociedade, Tecnologia e Ciência


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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Powerpoint sobre as Áreas Protegidas de Âmbito Nacional


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Rede Nacional de Áreas Protegidas . RNAP

A classificação de uma Área Protegida (AP) visa conceder-lhe um estatuto legal de protecção adequado à manutenção da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas e do património geológico, bem como à valorização da paisagem

O processo de criação de Áreas Protegidas é actualmente regulado pelo Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho. A classificação das AP de âmbito nacional pode ser proposta pela autoridade nacional (ICNB) ou por quaisquer entidades públicas ou privadas; a apreciação técnica pertence ao ICNB, sendo a classificação decidida pela tutela. No caso das AP de âmbito regional ou local a classificação pode ser feita por municípios ou associações de municípios, atendendo às condições e aos termos previstos no artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho.
As tipologias existentes são Parque nacional, Parque natural, Reserva natural, Paisagem protegida e Monumento natural; com excepção do “Parque Nacional” as AP de âmbito regional ou local podem adoptar qualquer das tipologias atrás referidas, devendo as mesmas ser acompanhadas da designação “regional” ou “local”, consoante o caso (“regional” quando esteja envolvido mais do que um município, “local” quando se trate apenas de uma autarquia).

O Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho, prevê ainda a possibilidade de criação de Áreas Protegidas de estatuto privado (APP), a pedido do respectivo proprietário; o processo de candidatura, a enviar ao ICNB, está regulado pela Portaria n.º 1181/2009, de 7 de Outubro, envolvendo o preenchimento de um Formulário, disponível num canal deste site.

As AP de âmbito nacional e as APP pertencem automaticamente à RNAP (Rede Nacional de Áreas Protegidas); no caso das AP de âmbito regional ou local a integração ou exclusão na RNAP depende de avaliação da autoridade nacional.

Lista de tipologias de Áreas Protegidas

PARQUE NACIONAL
Entende-se por parque nacional uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo.
A classificação de um parque nacional visa a protecção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

PARQUE NATURAL
Entende-se por parque natural uma área que contenha predominantemente ecossistemas naturais ou seminaturais, onde a preservação da biodiversidade a longo prazo possa depender de actividade humana, assegurando um fluxo sustentável de produtos naturais e de serviços.
A classificação de um parque natural visa a protecção dos valores naturais existentes, contribuindo para o desenvolvimento regional e nacional, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

RESERVA NATURAL
Entende-se por reserva natural uma área que contenha características ecológicas, geológicas e fisiográficas, ou outro tipo de atributos com valor científico, ecológico ou educativo, e que não se encontre habitada de forma permanente ou significativa.
A classificação de uma reserva natural visa a protecção dos valores naturais existentes, assegurando que as gerações futuras terão oportunidade de desfrutar e compreender o valor das zonas que permaneceram pouco alteradas pela actividade humana durante um prolongado período de tempo, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

PAISAGEM PROTEGIDA
Entende-se por paisagem protegida uma área que contenha paisagens resultantes da interacção harmoniosa do ser humano e da natureza, e que evidenciem grande valor estético, ecológico ou cultural.
A classificação de uma paisagem protegida visa a protecção dos valores naturais e culturais existentes, realçando a identidade local, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

MONUMENTO NATURAL
Entende-se por monumento natural uma ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que, pela sua singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade.
A classificação de um monumento natural visa a protecção dos valores naturais, nomeadamente ocorrências notáveis do património geológico, na integridade das suas características e nas zonas imediatamente circundantes, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

ÁREA PROTEGIDA PRIVADA
Pode ser classificada área protegida de estatuto privado, designada área protegida privada, em terrenos privados não incluídos em áreas protegidas onde se regista a ocorrência de valores naturais que apresentem, pela sua raridade, valor científico, ecológico, social ou cénico, uma relevância especial que exija medidas específicas de conservação e gestão.
A designação é feita a pedido do respectivo proprietário, mediante um processo especial de candidatura (regulado pela Portaria n.º 1181/2009, de 7 de Outubro) e o reconhecimento pela autoridade nacional. Os terrenos a que for atribuída a designação de área protegida privada integram a RNAP e ficam sujeitos ao protocolo de gestão que for acordado com a autoridade nacional na sequência do seu reconhecimento.

O que são as Áreas protegidas de âmbito nacional?

Áreas protegidas de âmbito nacional são áreas criadas e geridas pela autoridade nacional, podendo no entanto ser propostas por quaisquer entidades públicas ou privadas, nomeadamente autarquias locais e associações de defesa do ambiente. Tipologias admitidas: Parque nacional, Parque natural, Reserva natural, Paisagem protegida, Monumento natural.

PARQUE NACIONAL
Entende -se por «parque nacional» uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo.
A classificação de um parque nacional visa a protecção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

No território português a única Área Protegida que beneficia deste estatuto é o Parque Nacional da Peneda-Gerês, criado em 1971.


PARQUE NATURAL
Entende-se por «parque natural» uma área que contenha predominantemente ecossistemas naturais ou seminaturais, onde a preservação da biodiversidade a longo prazo possa depender de actividade humana, assegurando um fluxo sustentável de produtos naturais e de serviços.
A classificação de um parque natural visa a protecção dos valores naturais existentes, contribuindo para o desenvolvimento regional e nacional, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.
Em Portugal continental, existem actualmente treze Parques Naturais: Montesinho; Douro Internacional; Litoral Norte; Alvão; Serra da Estrela; Tejo Internacional; Serras de Aire e Candeeiros; São Mamede; Sintra-Cascais; Arrábida; Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina; Vale do Guadiana; e Ria Formosa. Os Parques Naturais da Serra da Estrela e da Arrábida foram criados em 1976, enquanto o do Litoral Norte data de 2005.


RESERVA NATURAL
Entende-se por reserva natural uma área que contenha características ecológicas, geológicas e fisiográficas, ou outro tipo de atributos com valor científico, ecológico ou educativo, e que não se encontre habitada de forma permanente ou significativa.
A classificação de uma reserva natural visa a protecção dos valores naturais existentes, assegurando que as gerações futuras terão oportunidade de desfrutar e compreender o valor das zonas que permaneceram pouco alteradas pela actividade humana durante um prolongado período de tempo, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

Estão classificadas nove Áreas como reservas naturais o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António que data de 1975, sendo aliás a primeira AP criada após o 25 de Abril, as Dunas de São Jacinto, a Serra da Malcata, o Paul de Arzila, as Berlengas, o Paul do Boquilobo, o Estuário do Tejo, o Estuário do Sado, as Lagoas de Santo André e da Sancha, a mais recente, de 2000.


PAISAGEM PROTEGIDA
Entende-se por «paisagem protegida» uma área que contenha paisagens resultantes da interacção harmoniosa do ser humano e da natureza, e que evidenciem grande valor estético, ecológico ou cultural.
A classificação de uma paisagem protegida visa a protecção dos valores naturais e culturais existentes, realçando a identidade local, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.
De âmbito nacional, figuram as Paisagens Protegidas da Serra do Açor, de 1982 e da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, de 1984.


MONUMENTO NATURAL
Entende -se por monumento natural uma ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que, pela sua singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade.
A classificação de um monumento natural visa a protecção dos valores naturais, nomeadamente ocorrências notáveis do património geológico, na integridade das suas características e nas zonas imediatamente circundantes, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.
Os Monumentos Naturais actualmente classificados são sete:
Ourém/Torres Novas (integrado no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros), sendo o mais antigo e datando de 1996; Carenque; Cabo Mondego; Pedreira do Avelino; Pedra da Mua e Lagosteiros (os dois últimos integrados no Parque Natural da Arrábida) e Portas de Ródão, o mais recente, de 2009.


MN Cabo MondegoMN Portas do RódãoMN Ourém/Torres Novas 
MN CarenqueMN Pedra da MuaMN LagosteirosMN Pedreira do Avelino

O que são as Áreas Protegidas de âmbito regional/local?

Áreas Protegidas de âmbito regional/local são áreas criadas e geridas pelas associações de municípios ou municípios. Tipologias admitidas: Parque natural, Reserva natural, Paisagem protegida, Monumento natural (acrescentadas de “regional” ou “local”).

No âmbito do DL 19/93, de 23 de Janeiro foram designadas as seguintes Paisagens Protegidas: Albufeira do Azibo, Corno do Bico, Lagoa de Bertiandos e São Pedro dos Arcos e a Serra de Montejunto.

Designadas no âmbito do DL 142/2008, de 24 de Julho existem: a Reserva Natural Local do Paul de Tornada, a Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo, a Paisagem Protegida Local do Açude da Agolada, a Paisagem Protegida Local do Açude Monte da Barca, a Paisagem Protegida Local da Rocha da Pena e a Paisagem Protegida Local da Fonte Benémola.








O que são as Áreas Protegidas de âmbito privado?

Áreas Protegidas de âmbito privado são áreas propostas e geridas pelos proprietários, através dos procedimentos previstos na Portaria n.º 1181/2009, de 7 de Outubro, sendo a designação efectuada pela autoridade nacional. Tipologia admitida: Área protegida privada.

Neste âmbito, existe a Área Protegida Privada Faia Brava.

Na sequência da publicação do Aviso n.º 26026/2010, de 14 de Dezembro (D.R. n.º 240, 2.ªsérie), referente à criação da Área Protegida Privada Faia Brava, disponibiliza-se o texto do Plano de Gestão daquela AP.



Procedimentos para a criação de Áreas Protegidas

O processo de criação de Áreas Protegidas (AP) é actualmente regulado pelo Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho. A classificação das AP de âmbito nacional pode ser proposta pela autoridade nacional (ICNB) ou por quaisquer entidades públicas ou privadas; a apreciação técnica pertence ao ICNB, sendo a classificação decidida pela tutela. No caso das AP de âmbito regional ou local a classificação pode ser feita por municípios ou associações de municípios, atendendo às condições e aos termos previstos no artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho.

As tipologias existentes são Parque nacional, Parque natural, Reserva natural, Paisagem protegida e Monumento natural; com excepção do “Parque Nacional” as AP de âmbito regional ou local podem adoptar qualquer das tipologias atrás referidas, devendo as mesmas ser acompanhadas da designação “regional” ou “local”, consoante o caso (“regional” quando esteja envolvido mais do que um município, “local” quando se trate apenas de uma autarquia).


O Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho, prevê ainda a possibilidade de criação de Áreas Protegidas de estatuto privado (APP), a pedido do respectivo proprietário; o processo de candidatura, a enviar ao ICNB, está regulado pela Portaria n.º 1181/2009, de 7 de Outubro, envolvendo o preenchimento de um Formulário, disponível no subcanal "Formulário".

As AP de âmbito nacional e as APP pertencem automaticamente à RNAP (Rede Nacional de Áreas Protegidas); no caso das AP de âmbito regional ou local a integração ou exclusão na RNAP depende de avaliação da autoridade nacional.


DISCUSSÃO PÚBLICA - RECLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS COM ESTATUTO DE PROTECÇÃO 

Formulário para Criação de Áreas Protegidas

- Requerimento de designação de uma área protegida privada (artigo 3º, nº 1, da Portaria n.º 1181/2009, de 7 de Outubro) - FORMULÁRIO

quinta-feira, 28 de julho de 2016

EFA - STC - Powerpoint - Modelos de Urbanismo e Mobilidade na Agricultura - Sociedade, Tecnologia e Ciência


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Notícia - Adesivo com microagulhas poderá substituir vacina


Um pequeno adesivo com cem microagulhas pode tornar as vacinas indolores. Uma equipa da Universidade de Emory e do Instituto de Tecnologia da Geórgia desenvolveu uma vacina com agulhas de 0,65 milímetros que pode ser aplicada na pele. O estudo foi publicado na Nature Medicine. A equipa já testou o adesivo, vacinando ratinhos contra a gripe. Os cientistas defendem que as micro- agulhas, feitas de um plástico biodegradável, são tão pequenas que não alcançam as células da dor existentes por baixo da pele. Mas entram em contacto com as células do sistema imunitário que desenvolvem a imunidade. O processo dura entre 30 segundos e cinco minutos, as agulhas dissolvem-se seguidamente.

O grupo de ratinhos que foi vacinado com o adesivo ficou tão ou mais imunizado do que o grupo que foi vacinado com a seringa. Hoje, as vacinas são dadas no músculo, onde não existem estas células, e só imunizam depois do líquido chegar ao sistema circulatório e linfático.

Há mais vantagens: estes adesivos podem ser armazenados e guardados à temperatura ambiente. “Nós imaginamos as pessoas receberem os adesivos por correio ou na farmácia e auto administrarem-se em casa”, disse Sean Sullivan, do Instituto de Tecnologia. “Como as microagulhas se dissolvem na pele, não há o perigo de haver agulhas perdidas.”

Estas características permitem o transporte dos adesivos sem necessidades especiais, como a refrigeração, e tornam o processo menos perigoso, não necessitando de técnicos que saibam dar vacinas. Os cientistas dizem que, se o adesivo for mais eficiente, reduzirá o tamanho das doses.

A vacina contra a gripe foi a única testada, mas a equipa acredita conseguir os mesmos resultados com outras vacinas. Os testes em humanos começam daqui a dois anos. Pensa-se que o custo vá ser igual ao da velha vacina.

Notícia - Descobertas células amigas do transplante de fígado


O medo da rejeição está intimamente ligado ao transplante de órgãos. Um corpo estranho pode ser alvo de ataque do sistema imunológico e pôr em risco o sucesso do transplante. Apesar de existirem métodos para impedir esta reacção imunológica, estas terapêuticas afectam-nos e podem diminuir a nossa resposta imunológica para combater organismos patogénicos como bactérias ou vírus e para impedir o desenvolvimento de fenómenos como o cancro.

Agora, cientistas portugueses descobriram que uma determinada população de linfócitos - uma das linhas celulares de glóbulos brancos que patrulham o corpo - em certas alturas pode ser activada e suprime as acções imunitárias que ocorrem especificamente no fígado. Estas células podem vir a permitir transplantes do fígado sem risco de haver rejeição.

"Estes linfócitos são imunossupressores e diminuem a acção de outros linfócitos", explicou Luís Graça ao PÚBLICO. O investigador está à frente da equipa de Imunidade Celular no Instituto de Medicina Molecular em Lisboa e é o último autor do artigo que descreve a descoberta, publicado na edição de 16 de Julho da revista científica Journal of Immunology.

As células chamam-se linfócitos NKTreg e as suas propriedades foram descobertas em ratinhos. A equipa estudou o equivalente à esclerose múltipla nestes animais. Já se conheciam linfócitos imunossupressores que regulavam a actividade de outros linfócitos, mas actuavam em todo o corpo. As células NKTreg "têm moléculas à superfície que respondem a estímulos do fígado e vão permitir criar imunossupressão que está restrita a este órgão", disse o investigador.

Marta Monteiro, a primeira autora do artigo, também já mostrou que estes linfócitos existem nos humanos. As possibilidades terapêuticas abrem-se, não só para transplantes directos do fígado, mas também porque há tratamentos de outras doenças, como a produção de insulina para os diabéticos, que podem passar por pequenos transplantes neste órgão.

No futuro, poderá ser possível "utilizar produtos que facilitam a modificação para que estas células adquiram actividades imunossupressoras in vivo", explicou o cientista. Outra alternativa é estimulá-las in vitro e introduzi-las depois nos pacientes.

O processo descrito no artigo e a potencial acção terapêutica já foram patenteados pela equipa. O próximo passo para "tentar perceber se esta descoberta vai ter benefício real para a saúde humana" é constituir uma empresa start up. Segundo Luís Graça, o tempo até que esta terapêutica seja posta em prática "nunca demora menos de sete ou oito anos".

Notícia - Cientistas mais perto de perceber a resistência natural ao VIH

O que faz com que em cada mil pessoas infectadas pelo VIH, três a quatro nunca venham a ter sida, mesmo sem tratamento? A chave do mistério pode ser uma pequena proteína do sistema imunitário humano.

Modelo da proteína HLA-B, que os cientistas pensam ser essencial à imunidade natural ao HIV (Foto: Cortesia Paul de Bakker)

A maioria das pessoas infectadas pelo vírus da sida, se não for devidamente tratada, desenvolve sida. Mas sabe-se há quase duas décadas que em cerca de um caso em 300, isso não acontece. Mesmo sem tratamento, o sistema imunitário desses “controladores do VIH”(em inglês, HIV controllers) consegue de alguma maneira vencer o vírus, controlando espontaneamente a sua replicação descontrolada nas células do seu corpo.

O que é que distingue os “controladores” da generalidade dos outros seropositivos – dos HIV progressors, cuja infecção pelo VIH leva inexoravelmente, na ausência de medicamentos, à sida declarada? Um artigo hoje publicado no site da revista Science levanta uma ponta do véu , fornecendo talvez um elemento essencial para se conseguir um dia imunizar todos os seres humanos contra a sida.

Reunidos no projecto International HIV Controller Study e liderados por Florencia Pereyra, do Instituto Ragon, nos EUA, mais de 300 cientistas, a trabalhar em mais de 200 instituições no mundo (entre as quais o Hospital de Santa Maria em Lisboa e o Hospital de São João no Porto) compararam os genomas de quase 1000 “controladores” com os de 2600 pessoas sem resistência natural face ao VIH. Estavam à procura de pequenas variações genéticas susceptíveis de explicar a desigualdade dos dois grupos perante a sida.

Para isso, analisaram um milhão de pontos no genoma de cada um e descobriram cerca de 300 locais cujas diferenças pareciam estar estatisticamente associadas à capacidade de controlo do VIH pelo organismo. Todas essas variações encontram-se no cromossoma humano 6, em regiões responsáveis pelo fabrico de proteínas do chamado sistema HLA, fundamental para a luta do organismo contra as doenças.

A seguir, graças a um processo desenvolvido por dois dos autores, foi possível concluir que as variações em causa afectam cinco componentes de base (ou aminoácidos) de uma proteína chamada HLA-B, essencial à eliminação pelo sistema imuntário das células infectadas por vírus.

Mas precisamente, a HLA-B agarra-se aos fragmentos de proteínas virais presentes nas células infectadas, leva-os até a membrana celular, e deixa-os ali “espetados”, bem visíveis do exterior da célula, como pequenas bandeiras. Assim marcadas, as células infectadas podem ser reconhecidas e atacadas pelas células “assassinas” do sistema imunitário. De facto, todas as variações agora identificadas influem sobre a eficácia com que a HLA-B se liga ao VIH.

“O VIH vai lentamente revelando os seus segredos e este é mais um deles”, diz em comunicado Bruce Walker, do Ragon Institute, co-autor dos resultados. “O facto de sabermos como é gerada uma resposta imunitária eficaz contra o VIH é um passo importante no sentido de conseguirmos induzir essa resposta com uma vacina. Ainda temos um longo caminho pela frente até conseguirmos traduzir este resultado num tratamento para os doentes infectados e numa vacina para impedir a infecção, mas acabámos de dar um importante passo nessa direcção.”


Público

Notícia - Antimatéria salva-vidas



Da tecnologia do grande acelerador de partículas do CERN e do know how de um dos cientistas portugueses envolvidos neste projecto europeu nasceu um protótipo que ambiciona revolucionar a detecção e a investigação médica de uma das maiores causas de morte das mulheres em todo o mundo.

Uma em cada dez mulheres portuguesas vai ter cancro da mama, e quatro morrerão a cada dia que passa devido a esta doença. Os números podem parecer frios, mas são reveladores de um dos maiores dramas que afectam as mulheres, tanto em Portugal como em todo o globo. De momento, a melhor protecção contra o mal é a prevenção, uma vez que 90 por cento dos tumores malignos na mama são curáveis se detectados numa fase precoce. Os exames de diagnóstico mais usados em Portugal são a mamografia (que usa como fonte os raios X) e as ecografias (que aproveitam o eco produzido pelos ultra-sons). Contudo, estes exames apenas fornecem uma informação limitada, o que leva a que se recorra a outros exames complementares, como é o caso das biópsias, um método invasivo no qual se retira cirurgicamente um dos gânglios linfáticos da mama, de modo a ser analisado.

Mas eis que entra em acção o PET-Mamografia, o protótipo de um scanner de detecção com alta resolução que foi criado e desenvolvido por um consórcio de onze instituições portuguesas armadas do conhecimento necessário para juntar a física de partículas e a electrónica na luta contra o cancro da mama. A mais-valia desta nova máquina, cujo desenvolvimento é coordenado a nível científico pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), reside na detecção precoce e precisa (ao milímetro) dos tumores malignos nas zonas da mama e da axila, enquanto têm dimensões muito reduzidas, produzindo para o efeito uma imagem tridimensional da zona afectada.

O acrónimo PET deriva do inglês Positron Emission Tomography, uma denominação a que em bom português se dá o nome de "tomografia por emissão de positrões". "A tecnologia PET nasceu no CERN há mais de 30 anos, tendo-se tornado num meio auxiliar de diagnóstico que hoje em dia aparece nos hospitais com regularidade, embora apenas seja usado para acompanhamento do tratamento, uma vez que para a fase de despistagem e diagnóstico é usada a mamografia", explica Vasco Varela, antigo director da Taguspark e actual director-executivo da PETsys, a empresa do consórcio responsável pela promoção do protótipo no mercado.

Todavia, enquanto os PET normais apenas são usados ao nível do corpo inteiro, o consórcio português conseguiu desenvolver uma versão desta tecnologia, o PET-Mamografia, especificamente adaptado à detecção de tumores na mama. O scanner é mais compacto do que o de corpo inteiro e tem uma maior capacidade de resolução. Segundo os seus promotores, a nova máquina será ainda mais eficaz do que os raios X na detecção de um cancro.

"A radiografia é um método muito pouco preciso, apresentando uma baixa capacidade para detectar tumores malignos", explica Varela, frisando em seguida que "20% das análises negativas que os raios X apresentam são falsos negativos", pelo que só num exame posterior, quando o tumor está maior, finalmente se detecta algo. Isto ocorre porque este género de exames apenas consegue detectar tumores com mais de um centímetro de diâmetro. Além do mais, "70% das detecções de tumor pelos raios X acabam por ser falsos positivos, o que tem como consequência imediata a desestabilização emocional da mulher e o custo que representam as biópsias que vão ter de ser feitas a seguir", sentencia.

Para o director-executivo da PETsys, a grande vantagem da nova tecnologia acaba por ser a sua "sensibilidade e especificidade" para detectar tumores na mama, esperando-se que forneça muito poucos falsos negativos. "A sua resolução está na casa do milímetro, o que significa que poderá ser capaz de detectar tumores com dimensões muito menores, em fases em que a terapêutica actual pode ser completamente eficaz para assegurar a cura do doente."


Antes de mais, como funciona um equipamento PET vulgar? O princípio é muito simples. Um tumor maligno caracteriza-se por um conjunto de células defeituosas que passam a multiplicar-se de forma muito rápida e descontrolada. Uma das características destas células é que elas consomem mais energia do que o resto do corpo humano quando está em repouso. O "truque" para localizá-las consiste, pois, em usar uma substância radioactiva (radioisótopos, isto é, átomos com núcleos instáveis), misturada com glicose (açúcar). Daqui resulta um radiotraçador que está pronto a ser injectado na corrente sanguínea. Para os exames PET, o mais utilizado é o 18F-FDG, semelhante à glicose, no qual é quimicamente inserido o radioisótopo flúor 18. Dado que as células cancerígenas consomem mais energia, elas irão, consequentemente, consumir mais glicose, neste caso o 18F-FDG que está misturado com o flúor 18, provocando maior concentração do radiotraçador na zona do tumor.

Uma vez que são instáveis, os átomos do flúor 18 vão depois decair em positrões (a antipartícula do electrão), acabando por se desintegrar em fotões (luz), quando entram em contacto com a matéria. Deste modo, uma zona com um tumor passará a radiar mais fotões do que o resto do corpo. Mas o que aqui mais interessa saber é que, ao desintegrar-se, um positrão emite dois fotões em direcções opostas, ao longo de uma linha recta. Eis as leis da física no seu melhor.

Depois de todo este frenesim à escala atómica, são usadas placas de detecção para detectar o par de fotões que foi emitido em cada direcção e a linha recta que criaram. O posterior cruzamento das várias linhas criadas pelos diversos pares de fotões forma um volume no espaço, o que permite reconstruir uma imagem tridimensional do tumor e do seu metabolismo.

Parece fácil, mas não é. Um dos segredos do equipamento PET, e do protótipo português, está nos mais de 12 mil cristais cintilantes que se escondem nas placas de detecção. São esses cristais que recebem os fotões libertados e os convertem num sinal de corrente eléctrica. O curioso é que estes cristais, de reduzidas dimensões, foram originalmente criados e desenvolvidos pelos laboratórios da Organização Europeia de Investigação Nuclear (CERN), sendo actualmente usados num dos detectores do LHC, o grande acelerador de partículas. Ou seja, a mesma tecnologia que é usada para tentar detectar o bosão de Higgs, a tão badalada partícula subatómica que está na base de toda a matéria, é igualmente usada na medicina contra o cancro.

No caso específico do PET-Mamografia, existem duas placas giratórias de detecção, distanciadas de forma paralela a 40 centímetros, e que são usadas para contornar o objecto analisado, a mama, que está no centro. Cada uma das placas tem dez centímetros de espessura e 20 centímetros de altura e largura, o que as torna muito mais pequenas em relação ao anel de detecção de um PET de corpo inteiro, que tem comprimentos de cerca de um metro.

Estas dimensões reduzidas só foram possíveis através de uma inovação que ameaça revolucionar a tecnologia PET. Para esse fim, substituíram-se os fotomultiplicadores usados nos detectores PET (e que mais não são do que detectores ópticos inseridos num tubo de vácuo), por fotodíodos de avalanche, pequenos semicondutores electrónicos de alta sensibilidade. Estes são depois colocados em cada uma das pontas dos cristais cintilantes que vão detectar os fotões.

Em grande parte, é tudo muito parecido com a evolução que ocorreu depois da integração da electrónica na microinformática. Antigamente, era necessária uma grande sala para albergar um computador, mas hoje em dia ele cabe num bolso. Para a tecnologia PET, a grande vantagem é que se está a utilizar um elemento muito mais pequeno e sensível do que o anterior, resultando em detectores mais pequenos que permitem uma maior aproximação à zona examinada.

"Quando se tem o detector mais próximo de uma zona, a sua resolução aumenta, podendo analisar-se melhor o tumor. Ao mesmo tempo, com uma electrónica mais rápida como a nossa, consegue-se também uma maior quantidade de canais electrónicos no mesmo detector, o que implica uma maior sensibilidade e especificidade na detecção", diz Vasco Varela. "O que acabámos por fazer foi revolucionar a área da electrónica de detecção."

Quase todas as histórias têm um herói, e esta também tem o seu. João Varela é um dos investigadores do LIP que estão a trabalhar no CERN, sendo um dos responsáveis por um dos detectores de partículas (o CMS) que está instalado no LHC.

Uma das missões do CERN passa por estudar a física de altas energias, existindo o interesse em promover processos de transferência de tecnologia para o mercado. Foi com base nesta premissa que brotou do investigador português a ideia de utilizar este conhecimento tecnológico, lançando-se na aventura de criar em Portugal um projecto que utilizasse os cristais desenvolvidos no CERN e a tecnologia electrónica que conhecia. E assim começou uma caminhada, plena de cooperação, que levou até ao protótipo em causa.

Em 2003, é criado um consórcio formado por instituições de diversas áreas científicas, da física, da engenharia e da medicina. Estas cooperaram para o desenvolvimento da máquina, aliando as suas capacidades de investigação e desenvolvimento aos conhecimentos adquiridos por João Varela ao longo da sua carreira profissional.

De início, o consórcio era financiado na íntegra por investimentos públicos, mas ao longo do tempo esse financiamento diminuiu até aos 75%. Daqui resultou a necessidade de criar uma empresa que se encarregasse de encontrar o capital necessário para levar as ideias a bom porto. Em 2008, é fundada a PETsys, que passou também a liderar o consórcio e a promover a tecnologia resultante do PET-Mamografia.

Em Agosto de 2009, dá-se início à fase piloto dos testes clínicos, no Instituto Português de Oncologia do Porto. Todavia, a falta de uma logística e de infraestruturas específicas obrigou a que os testes efectuados tenham sido em muito menor número do que o esperado. A solução passou por esperar que o novo centro do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde, em Coimbra, ficasse construído. Assim que o instituto ficou pronto, foi feito um protocolo para a instalação de um PET-Mamografia nas suas instalações, de modo a continuar os testes. Apesar de tudo, os testes realizados indicaram que a máquina funcionava, mostrando-se capaz de detectar tumores na mama entre um e dois milímetros.

Os obstáculos encontrados ao longo do percurso "são as dificuldades próprias de um projecto de grande dimensão, em que é necessário financiamento continuado ao longo dos anos para que ele se concretize", esclarece Vasco Varela, defendendo no entanto que ele "tem dado resultados proporcionais" ao investimento que tem sido feito. "Os financiamentos que até agora obtivemos permitiram manter uma equipa de 40 pessoas a trabalhar desde 2003, tendo daqui saído várias teses de doutoramento e mestrado ligadas ao projecto, assim como mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais."

A nova tecnologia já foi patenteada em Portugal, tendo sido também pedidas patentes em alguns mercados internacionais (Europa, Estados Unidos, Japão, Austrália e Brasil). Com o protótipo pronto, só falta vender o produto, mas para isso é necessário uma certificação própria, e essa é, actualmente, a parte mais complicada de todo o processo. A obtenção de um certificado que lhe permita ser usado em meio hospitalar "é mais complexa do que uma máquina qualquer", afiança Vasco Varela. Para tal, será necessário despender mais verbas com pessoas, de modo a fazer os desenvolvimentos necessários para se obter a certificação. Isso vai levar tempo e, como diz a velha máxima, "tempo é dinheiro".


A nível internacional, há diversos grupos de investigação a explorar a tecnologia electrónica usada no protótipo. O consórcio português foi o único que não se limitou a investigar e desenvolver uma parte do equipamento, tendo construído um equipamento PET completo. Porém, esta vantagem inicial pode dissipar-se, caso não seja encontrado financiamento suficiente e em tempo útil para fazer avançar ainda mais o projecto. Perante estes factos, o consórcio anda à procura de investidores, não só nacionais mas também internacionais.

Julgar que a tecnologia do PET-Mamografia se esgota nos exames à mama é não querer ver o potencial mais vasto que a tecnologia tem, potencial esse que foi prontamente aproveitado pela equipa de investigadores. A partir do momento em que se consegue criar um detector deste género, mais pequeno e apresentando uma maior capacidade de resolução, é possível ter uma máquina que pode ser usada em várias aplicações. A mamografia é apenas uma aplicação da tecnologia desenvolvida, pelo que neste momento o grupo liderado por João Varela está também virado para as investigações pré-clínicas, ou seja, para os estudos em animais.

Nos Estados Unidos, tem aumentado a tendência para fazer estudos pré-clínicos em animais de médio porte, como macacos, porcos, cães e gatos. O objectivo passa por testar a eficácia de certas drogas nos tumores que surgem de forma natural nestes animais, sendo o passo seguinte a sua aplicação no tratamento a seres humanos. Este género de investigação tem uma maior taxa de sucesso do que aquele que é feito em ratos de laboratório, representando menores custos de investigação.

Esta tendência levou a que sejam necessários aparelhos PET maiores do que os que hoje em dia existem para analisar um pequeno animal, tecnologia essa que tem uma resolução na casa do milímetro. O problema é que os equipamentos em causa não são capazes de manter tal resolução se afastarmos o detector do objecto analisado, algo que será necessário caso se deseje analisar animais maiores. Oportunamente, a tecnologia PET desenvolvida em Portugal pretende suprir essa lacuna. Enquanto no equipamento para os pequenos animais o espaço entre os detectores é de dez centímetros, na tecnologia portuguesa esse diâmetro já é de 40 centímetros, o que permite introduzir nele um animal de médio porte.

Eis, portanto, um nicho de mercado que o consórcio pretende atacar com unhas e dentes, uma vez que para os testes pré-clínicos não é necessária uma certificação tão difícil e demorada. Deste modo, o equipamento pode chegar ao mercado mais depressa. "Temos razoáveis expectativas de que as primeiras vendas sejam feitas nos Estados Unidos, e daí que estejamos a preparar a criação de uma empresa lá", revela Vasco Varela. O lançamento de um produto na área do PET animal assume, assim, a forma de um atalho para se chegar mais depressa às aplicações clínicas.

Há que frisar, contudo, que o mercado para a tecnologia proveniente do PET-Mamografia está sobretudo no estrangeiro, não em Portugal, onde a procura ainda é muito fraca. A expectativa é que, depois de a tecnologia se afirmar a nível mundial, se possa chegar à produção de cem máquinas por ano. Mas este pensar em grande não se fica por aqui, como confessa o director-executivo da PETsys: "Temos outras aplicações em carteira para explorar o potencial desta tecnologia, sendo que o passo seguinte é o cérebro."


O consórcio

Coordenação científica: Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (Lisboa, Coimbra, Faro)

Ensaios clínicos: Instituto Português de Oncologia (Porto) e Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (Coimbra)

Especificação e ensaios clínicos: Hospital Garcia de Orta (Almada)

Algoritmos e software de reconstrução de imagem: Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)

Algoritmos de normalização de imagem: Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra)

Sistemas electrónicos e circuitos integrados: Instituto de Novas Tecnologias (INOV Inesc, Lisboa) e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento (INESC ID, Lisboa)

Sistemas mecânicos e electromecânicos: Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto)

Propriedade intelectual e desenvolvimento empresarial: PETsys (Lisboa) e Taguspark (Lisboa)

O cancro da mama em números

No mundo

1,4 milhões de pessoas foram diagnosticadas com o cancro da mama em 2008 (a doença atinge maioritariamente as mulheres, mas também há vítimas do sexo masculino).

Nesse mesmo ano, o último para que há dados fiáveis, o saldo mortal foi de 450 mil vítimas.

O cancro da mama é o segundo com maior taxa de incidência a nível mundial, a seguir ao dos pulmões.

Em Portugal

4500 casos diagnosticados todos os anos.

1500 vítimas mortais por ano (uma média de quatro por dia).

Os estudos indicam que uma em cada dez mulheres portuguesas irá desenvolver cancro da mama.

O cancro da mama é o que tem maior taxa de incidência em Portugal.

Quando a solução era mutilar

A primeira civilização a notar o cancro da mama foram os antigos egípcios, há mais de 3500 anos. Já nessa altura os médicos dos faraós declaravam que a doença "não tem cura". Foi o pai da medicina ocidental, o grego Hipócrates, quem, em 460 a.C., avançou com a ideia de que os tumores que surgiam na mama se deviam à bílis negra, a qual estaria associada à "melancolia". O sucessor de Hipócrates, o talentoso médico Cláudio Galeno, juntou mais uma peça à teoria, defendendo que a doença afectava todo o corpo, e não apenas uma zona localizada, pelo que não valia a pena remover o tumor.

As ideias do pai da medicina e de Galeno prevaleceram ao longo de quase dois mil anos, até que, no século XVII, começaram a perder credibilidade. A machadada final foi dada em 1769, quando o médico francês Jean Astruc cozinhou um pedaço de tecido com cancro da mama e o comeu, fazendo o mesmo com um pedaço normal do animal. Sabiam ao mesmo, tendo o francês concluído que o tecido com o tumor não poderia ter quantidades anormais de bílis ou ácido, tal como até ali se tinha acreditado.

No século XVIII, os médicos acreditavam então que o cancro da mama era uma doença que se localizava apenas em certas partes do corpo, pelo que a solução apresentada passava pela remoção das zonas afectadas. A segunda metade do século XIX vai ser dominada pelas cirurgias radicais do norte-americano William Halstead: nascia assim a mastectomia. Halstead não se coibiu em remover os seios, as axilas e ambos os músculos do peito num só procedimento, usando um método que consistia em cortar de forma alargada em volta do tumor, removendo todo o tecido num só bloco. A cirurgia assimilava-se a uma mutilação brutal da mulher, mas, para o cirurgião norte-americano, era um mal necessário para evitar outro maior.

No final do mesmo século, este género de cirurgias passou também a englobar a remoção de ambos os ovários. O objectivo era retirar aos tumores os estrogénios, produzidos nos ovários, com que se alimentavam.

Será apenas com Bernard Fisher que a concepção do cancro como uma doença localizada cai em desuso, defendendo o norte-americano, tal como os antigos Hipócrates e Galeno, que o cancro se podia espalhar por todo o corpo. Logo, as cirurgias radicais e em bloco não faziam qualquer sentido. Em 1976, Fisher provava que uma cirurgia conservadora à zona afectada, seguido por radiação ou uma quimioterapia, era tão ou mais eficaz. Desde então, e até aos dias de hoje, o melhor método tem sido a detecção precoce, de modo a actuar rapidamente na eliminação do tumor maligno.

J.P.L.
SUPER 148 - Agosto 2010

Notícia - Auto terapia


A renovada esperança das células estaminais
Por um lado, estão há anos no olho do furacão científico, ético e político. Por outro, são objecto de desejo da medicina, uma luz ao fundo do túnel para as doenças sem cura. As células estaminais, capazes de gerar (e regenerar) qualquer tecido do organismo, já começaram a mostrar o seu imenso potencial terapêutico.

Em 2006, o cientista japonês Shinya Yamanaka, da Universidade de Quioto, anunciou uma descoberta que agitou a comunidade científica. Asseverava que qualquer célula adulta do organismo podia recuar no tempo e recuperar a maravilhosa capacidade de transformação da etapa embrionária, ou seja, converter-se em qualquer das mais de 200 estirpes celulares do corpo humano.

Essa conclusão, à qual chegara, quase em simultâneo, Konrad Hochedlinger, do Departamento de Células Estaminais e Biologia Regenerativa da Universidade de Harvard (Estados Unidos), tornava desnecessário o recurso a embriões humanos para fins de investigação, algo que continuava a ser alvo de considerável rejeição moral por parte de alguns sectores da sociedade. A técnica consiste em obter células adiposas, da pele ou do músculo de um paciente e injectar-lhes um retrovírus (vírus com ARN, em vez de ADN) com quatro dos genes que entram em acção nos primeiros dias do desenvolvimento embrionário humano: Oct4, Sox2, Klf4 e c-Myc. Após algumas semanas de espera, opera-se o milagre: as células infectadas obrigam o seu relógio biológico a fazer marcha atrás e transformam-se em iPSC (induced pluripotent stem cells, ou seja, células estaminais de pluripotencialidade induzida).

A bomba que regenera
Na realidade, as pluripotentes ocupam apenas o segundo degrau na escala de diferenciação celular. Antes, temos as células totipotentes que, ao contrário das anteriores, podem mesmo configurar tecidos pré-embrionários, como a placenta. Numa posição inferior na hierarquia, encontramos ainda as multipotentes, que dão origem a outras da mesma estirpe (gordura, osso, cartilagem, músculo), e as unipotentes, que apenas produzem células homólogas do tecido a que pertencem. Os técnicos utilizam quase sempre as multipotentes, muito úteis para recuperar a pele, os intestinos, o cabelo ou os ossos. Em conjunto, formam a bomba que regenera e purifica o organismo, fabricando a quantidade necessária de células.

Antes do aparecimento das iPSC, a única forma de devolver uma célula à “primeira infância” era injectar o material genético de uma adulta num óvulo a que fora retirado o núcleo. Embora as tentativas para criar células embrionárias através deste método não tivessem resultado, comprovou-se a sua capacidade para regenerar tecidos danificados. Em 2007, Rudolf Jaenisch, investigador do MIT (Instituto Tecnológico do Massachusetts) conseguiu curar um rato de uma anemia falciforme com recurso a células pluripotenciais induzidas. Demonstrava-se assim, pela primeira vez, a sua eficácia terapêutica.

Hoje, as iPSC estão a ser cuidadosamente escrutinadas por cientistas de todo o mundo. Porém, nem tudo são alegrias no laboratório: já se detectou que podem surgir mutações que favorecem o aparecimento de tumores. A culpa dessa consequência recai, principalmente, nos retrovírus utilizados como vectores (veículos para o transporte dos genes), pois são directamente incorporados no ADN da célula hospedeira e permanecem sempre activos. Como se isso fosse pouco, dois dos genes usados pela nova técnica (o Oct4 e o c-Myc) aumentam o risco de cancro.

O laboratório de Konrad Hochedlinger procura evitar esse desfecho substituindo os retrovírus por adenovírus, os quais permanecem activos apenas o tempo necessário para rejuvenescer a célula. É também no mesmo sentido que trabalha o grupo de Juan Carlos Izpisua, professor do Instituto Salk, na Califórnia, e director do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona: decidiram prescindir do mensageiro viral e conseguiram mesmo substituir um dos genes cancerígenos.

A investigação só agora principiou, pelo que os especialistas mostram-se cautelosos. Quanto mais pluripotente for uma célula, mais possibilidades terá de se tornar invasiva, advertem. Efectivamente, as alterações genéticas que as células estaminais acumulam podem ter consequências funestas. Estudos recentes indicam que os tumores malignos nascem e reproduzem-se a partir de células com características semelhantes às pluripotenciais saudáveis, o que poderia explicar as recaídas de muitos pacientes após os tratamentos. Assim, controlar tais efeitos indesejáveis poderia representar um ponto de inflexão.

Falta ver se irão mudar a medicina
Actualmente, a maior parte da investigação básica já é feita tanto com células embrionárias como com pluripotenciais induzidas. “Depois de reprogramadas, possuem a faculdade de se transformarem nos 220 tipos de células do organismo”, sublinha o biólogo canadiano Hans Schöler, do Instituto Max Planck de Biomedicina Molecular, situado em Munster (Alemanha). Doenças actualmente incuráveis, como a de Parkinson ou a diabetes, são o alvo das investigações.

Contudo, num artigo publicado na revista Scientific American, Hochedlinger trava todo esse entusiasmo: “Será preciso responder a muitas perguntas até podermos dizer que as iPSC vão mudar a maneira de exercer medicina, ou que são, efectivamente, equivalentes às embrionárias.” A opinião ilustra o actual debate: enquanto muitos cientistas pensam que é prioritário trabalhar com células estaminais embrionárias, outros apostam nas iPSC como constituindo uma espécie de atalho para ultrapassar os obstáculos de carácter moral e jurídico que se erguem em alguns países.

No que todos concordam é que ainda resta um longo caminho por percorrer antes de a utilização de células não-diferenciadas (quer provenham directamente das primeiras etapas embrionárias humanas ou sejam rejuvenescidas em laboratório) deixar de criar problemas e se tornar uma realidade no combate às doenças. As células embrionárias são provenientes de embriões criados para fecundação in vitro e que nunca foram utilizados. Todavia, a sua obtenção pressupõe a destruição de em­briões, o que provoca uma polémica de carácter ético em torno do assunto. Em Portugal, ainda existe um vazio legal sobre a investigação com este tipo de células, mas o Governo já anunciou que irá legislar sobre a matéria em breve.

O que se está, efectivamente, a tornar uma prática habitual e admitida é a terapia celular com células estaminais adultas. Poderíamos situar a sua origem em 1970, ano em que Edward Donnall Thomas efectuou o primeiro transplante de medula, proeza médica que lhe valeu o Prémio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1990. Consiste em isolar células estaminais da medula óssea, do tecido adiposo ou de outras zonas do corpo humano para regenerar a córnea, a pele ou os ossos, por exemplo. Deste modo, consegue-se evitar o risco de rejeição, dado que o material genético provém do próprio paciente. Estão também em fase adiantada as experiências para substituir células do fígado afectadas, e também neuronais, no caso das doenças de Parkinson e Alzheimer.

Cuidado com os milagres!
Outro caso é o de uma investigação do programa MIT-Portugal, que poderá representar uma derradeira esperança para doentes que sofrem de leucemia. Como se sabe, encontrar um dador de medula óssea compatível pode significar a cura para estes, mas o facto é que, em cerca de metade dos casos, surgem episódios de rejeição que podem ter consequências fatais em alguns dos pacientes. Agora, no âmbito da parceria MIT-Portugal, investigadores portugueses e norte-americanos estão a usar clinicamente células estaminais que conseguem neutralizar a rejeição numa das suas formas mais graves, em que ataca o hospedeiro.

Segundo Joaquim Sampaio Cabral, coordenador do projecto, citado pelo jornal Expresso, “essas células mesenquimatosas podem ser isoladas a partir de vários tecidos do corpo humano mas, no caso presente, foram obtidas da medula óssea. São células que vão ajudar o sistema imunológico do paciente a responder relativamente a um determinado tipo de patologia, chamada doença contra o hospedeiro.” Irá competir, depois, aos investigadores do Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia, do Instituto Superior Técnico, descobrir a melhor maneira de multiplicar as células, assim como ao Centro Lusotransplante de Lisboa fazer que se alcance rapidamente o número a partir do qual se poderá salvar vidas.

Todos estes esforços e precauções em matéria de investigação devem colocar-nos de sobreaviso perante as curas milagrosas prometidas por certas clínicas na internet, quase sempre ineficazes e bastante perigosas. Doentes desesperados viajam até à China, à Ìndia ou a outros países em busca do chamado “turismo das células estaminais”. A revista Science denunciou, recentemente, que algumas empresas japonesas anunciam técnicas com células estaminais para combater a diabetes, a doença de Alzheimer ou lesões na coluna vertebral. Por sua vez, há centros na Alemanha que se oferecem para curar problemas que vão da disfunção eréctil à esclerose lateral amiotrófica. Por outro lado, uma clínica da Costa Rica foi fechada pelas autoridades, em Junho passado, por ter enganado muitos norte-americanos, os quais chegavam a pagar 30 mil dólares por um tratamento celular fictício.

Por muito inovadoras que as técnicas pareçam ser, a arte de enganar o próximo é ancestral e há quem não tenha escrúpulos em prometer a cura para a leucemia ou mesmo o síndroma de Down. Desconfie dos génios e das genialidades: a ciência avança cautelosamente por um terreno muito promissor mas que ainda está longe de constituir a panaceia para todos os males.

O elixir do rejuvenescimento
Desde há vários anos, os tratamentos com células estaminais são uma rea­lidade para problemas muito concretos, como queimaduras ou certas lesões ósseas, mas as expectativas são muitas e aumentam cada vez mais. Eis alguns dos avanços recentes neste campo da medicina regenerativa.

Contra a velhice prematura. Investigadores norte-americanos conseguiram que o processo de envelhecimento precoce desencadeado pela disqueratose congénita fizesse marcha atrás. Produz-se devido a uma perda acelerada de telómeros (as extremidades dos cromossomas), o que poderia ser corrigido multiplicando a actividade do gene TERC, que possui uma presença três vezes superior nas células pluripotenciais induzidas (iPSC).

Voltar a ver. Em Janeiro, um grupo de cientistas espanhóis apresentou um estudo no qual se demonstrava que 88,9% dos casos de cegueira por doenças da córnea podem ser revertidos através de um tratamento com células estaminais cultivadas em laboratório.

Novos dentes.O especialista britânico Paul Sharpe, do Dental Institute of King’s College, em Londres, afirma que a dentadura perdida pode voltar a crescer em poucos meses desde que se espalhe células pluripotenciais nas gengivas. Até agora, a técnica funcionou em ratos.

Peito à estreia. No Bernard O’Brien Institute of Microsurgery, na Austrália, demonstraram que, com um molde biodegradável e células estaminais provenientes das próprias pacientes, volta a crescer o tecido adiposo peitoral perdido numa mastectomia.

Batimentos anafados. Cientistas da Universidade de Granada (Espanha) conseguiram que células-mãe de matéria adiposa se metamorfoseassem em cardiomiócitos, células do músculo cardíaco com capacidade de se contrair.

Intestino sobressalente. O investigador japonês Yoshiyuki Nakajima, da Universidade Médica de Nara, fabricou um intestino de dois milímetros de diâmetro e cinco de comprimento, 100% operacional, a partir de iPSC de rato.

Doença de Crohn. Se os ensaios efectua­dos até agora forem bem-sucedidos, esta inflamação intestinal crónica poderá ter cura. Trata-se de extrair células não-diferenciadas da medula do paciente e utilizá-las para repovoar o sistema imunitário, previamente limpo pela quimioterapia, para evitar que ataque a flora intestinal.

Adeus, incontinência! Peritos do Vanderbilt University Medical Center, doTennessee, estão a testar uma técnica que consiste em extrair células estaminais das coxas para serem injectadas na bexiga e poderem reconstituir o seu mecanismo.
Ossos que esticam. A capacidade de regeneração natural do tecido ósseo é limitada. Para remediar a situação, peritos da Universidade de Estrasburgo (França) cultivam células estaminais adultas juntamente com proteínas BMP. Estas dão origem a osteoblastos e condroblastos, células que se transformam em ossos e cartilagens, respectivamente.



Camaleónicas, mas diferenciadas
Tal como o seu nome indica, as chamadas “células-mãe” são aquelas que têm filhas, mas variam entre as muito versáteis e as mais limitadas, consoante a sua proveniência concreta. Assim, as pluripotenciais são consideradas o Santo Graal da medicina, devido à sua capacidade para gerar e regenerar qualquer tecido do organismo. Como se pode observar na infografia à direita, essa faculdade decresce quando o embrião completa uma semana; nessa altura, já só produzem células de órgãos concretos. É a essa categoria que pertencem as que se obtêm da medula espinal e do cordão umbilical. Por último, as células unipotenciais, que são a esmagadora maioria das que possuímos no corpo, regeneram exclusivamente o tecido a que pertencem. O desafio que se coloca actualmente à ciência consiste em devolver à célula uma parte dos superpoderes da fase mais precoce.



J.M.D./I.J. SUPER 150