terça-feira, 29 de setembro de 2015

3ºAno - Estudo do Meio - Ficha de Trabalho


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Notícia - Europa constrói a nave do futuro

Chegar ao Espaço nunca foi simples. É necessário um exército de milhares de pessoas para enviar um vaivém, fazê-lo aterrar com segurança e restaurá-lo para um novo voo.



Por isso, a Agência Espacial Europeia (ESA) decidiu agora apostar numa tecnologia com a qual se sonha desde o início da exploração espacial: uma nave capaz de descolar de um aeroporto, como um avião comum, tornando-se um foguete tradicional assim que ultrapassa os limites da atmosfera mais densa, entra em órbita e volta ao solo na mesma pista de onde descolou.

A empresa inglesa Reaction Engines foi contratada para desenvolver as primeiras peças do Sabre, motor revolucionário que deverá equipar a nave, baptizada ‘Skylon’.

O Sabre é um motor híbrido inédito capaz de aspirar o ar enquanto está na atmosfera, como um motor a jacto, tornando-se um foguete quando atinge o Espaço.

Vídeo - Inteligências Múltiplas

Vídeo - Tratado de Tordesilhas

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Manual - JavaScript - Introdução


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Notícia - Rãs Mozart e ventríloquas entre as seis espécies de anfíbios descobertas no Haiti

Num momento em que o povo do Haiti lembra as vítimas do terramoto, ocorrido há um ano, biólogos trazem uma boa notícia. A sua expedição encontrou seis espécies de anfíbios únicas no mundo que estavam desaparecidas para a ciência. Entre elas a rã Mozart e uma rã ventríloqua.

A expedição que, em Outubro, rumou às remotas montanhas do Haiti, não encontrou aquilo que mais procurava: a rã La Selle Grass (E. Glanduliferoides), que não era vista há mais de 25 anos.

Mas a viagem acabou por surpreender a equipa de cientistas da Conservation Internacional (CI) e do Grupo Especialista em Anfíbios da UICN (União Internacional para a Conservação), liderados por Robin Moore (CI) e Blair Hedges, da Universidade estatal da Pensilvânia.

A equipa acabou por encontrar seis espécies de anfíbios que há décadas se pensavam perdidas e que estão Criticamente Ameaçadas, entre elas uma rã “cantora”, baptizada em honra do compositor Wolfgang Amadeus Mozart (com 2,5 centímetros de comprimento); uma rã com enormes olhos negros e marcas alaranjadas; uma rã ventríloqua (com 2,16 centímetros) que tem a habilidade de projectar a sua voz para confundir possíveis predadores e uma rã com olhos extremamente fora do comum (com 5,3 centímetros).

“Foi incrível”, comentou Moore em comunicado publicado no site da CI. “Partimos à procura de uma espécie perdida e encontrámos um tesouro escondido. Para mim isto representa uma muito bem-vinda dose de resistência e de esperança para as pessoas e vida selvagem do Haiti.”

Moore, com Hedge e várias outras pessoas, passou oito dias e oito noites nos bosques do Haiti, registando árvores, leitos de rios e florestas à procura de anfíbios. Durante esse tempo, a equipa descobriu 25 espécies únicas das 49 espécies nativas conhecidas no país.

“É claro que a saúde das rãs do Haiti não é a maior preocupação. Apesar disso, os ecossistemas que estas rãs habitam e a sua capacidade para suportar vida, são criticamente importantes para o bem-estar a longo prazo das pessoas no Haiti, que dependem de florestas saudáveis para a sua subsistência, segurança alimentar e água doce”, salientou Moore. “Os anfíbios são o que chamamos de espécie barómetro da saúde do planeta. São como os canários na mina de carvão. À medida que desaparecem, também desaparecem os recursos naturais vitais para as pessoas sobreviverem.”

Com a desflorestação a grande escala que está a deixar o país com menos de dois por cento do seu coberto florestal original e a degradar a maioria dos ecossistemas de água doce, dos quais dependem os haitianos, os bosques nebulosos das montanhas do Sudoeste são os últimos redutos de saúde ambiental e riqueza natural do país.

“Uma suposição comum sobre o Haiti é que já não resta nada para salvar”, acrescentou Moore. “Mas isto não podia estar mais errado. Existem focos biologicamente ricos que permanecem intactos, apesar das enormes pressões ambientais”, salientou.

Ainda assim, há pouco tempo a perder, lembrou Hedges. Tal como em outras partes do planeta, as populações de anfíbios do Haiti estão em perigo de desaparecer, com 92 por cento das espécies do país incluídas na lista de espécies ameaçadas. De facto, mais de 30 por cento de todas as espécies de anfíbios a nível mundial estão ameaçadas de extinção.

Vídeo - David Hume 1

Notícia - Furacões cada vez mais fortes

Desde 2005 que o oceano Atlântico não era tão castigado com ciclones tropicais. A temporada de 2008, iniciada a 1 de Junho e que terminou a 30 de Novembro, registou 17 ciclones, dos quais oito assumiram a forma de furacões, com ventos a atingirem velocidades superiores a 240 quilómetros por hora.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), entidade responsável pela observação destes fenómenos meteorológicos, alerta para o aumento da força destes furacões e consequente crescimento dos danos provocados.

Só este ano, o número de mortes directamente relacionadas com estas tempestades é superior a 800 e os prejuízos são incalculáveis, estimando-se terem superado os 35 mil milhões de euros.

"Segundo o painel intergovernamental para as alterações climáticas (IPPC), o número anual de ciclones tropicais tem-se mantido estável. O que se verifica, desde 1970, é uma tendência para serem cada vez mais intensos", explicou fonte do Instituto de Meteorologia, sublinhando existir uma "correlação com o aumento da temperatura da água do oceano na região dos trópicos".

Pela primeira vez na história das observações destes fenómenos – os primeiros dados remontam a 1851 –, seis ciclones tropicais tocaram o solo dos Estados Unidos (‘Dolly’, ‘Edouard’, ‘Fay’, ‘Gustav’, ‘Hanna’ e ‘Ike’). Recorde semelhante verificou-se em Cuba, que sofreu consequências de três grandes furacões (‘Gustav’, ‘Ike’ e ‘Paloma’). Os dados do NHC revelam também que esta foi a primeira temporada a registar furacões de forte intensidade (categoria três ou superior) em cinco meses consecutivos.

Apesar dos recordes, a temporada de 2008 ficou distante dos números verificados em 2005, quando se registaram mais de 2200 mortes e prejuízos superiores a 130 mil milhões de euros, totalizando 28 ciclones.

A temporada de furacões mais activa de sempre foi em 2005, totalizando 28 ciclones tropicais. Dos 15 que chegaram a furacões, quatro atingiram a categoria cinco na escala de Saffir-Simpson. Neste número encontra-se o furacão ‘Katrina’, o mais intenso de sempre na história do Atlântico.

As imagens de destruição impressionaram a comunidade internacional, levantando-se fortes críticas à intervenção da administração liderada por George W. Bush. Ainda hoje, o número exacto de mortes continua por apurar.

DISCURSO DIRECTO

"PORTUGAL ESTARÁ EM RISCO" (Costa Alves, Meteorologista)

Correio da Manhã – Como se explica o aumento de intensidade dos furacões?

Costa Alves – Pode ser enquadrado no fenómeno de aquecimento global. O grau de intensidade tem aumentado na medida que a atmosfera aquece a um ritmo mais acelerado do que o oceano. Em trinta anos, com as águas mais quentes o fenómeno será ainda mais intenso.

– Portugal está livre destes fenómenos?

– Dentro de vinte a trinta anos, poderemos ser alvo de sérios riscos. Nos Açores, com o aumento de categoria dos furacões que atravessam o arquipélago. No Continente, com as tempestades tropicais, que chegam ao nosso território já em perda de vitalidade, passarem a ser de categoria um, o que representa um risco elevado.

– Como será 2009?

– É uma incerteza. Não seria surpresa se fosse mais intensa, mas também não será se for mais tranquila.

André Pereira

domingo, 27 de setembro de 2015

3ºAno - Estudo do Meio - Ficha de Trabalho


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Notícia - 500 astronautas no Espaço

Passaram 48 anos desde que o Mundo foi surpreendido pela difusão de uma extraordinária notícia: o Homem estava, pela primeira, vez no Espaço. Efectivamente, foi no dia 12 de Abril de 1961 que a nave soviética ‘Vostok’, levando a bordo Yuri Gagarin, deixou a Terra e durante 108 minutos – o tempo de uma órbita em torno do Planeta – passeou pelo quase desconhecido.


Nessa altura já tinham sido dados os primeiros passos na investigação espacial, com o lançamento, no final de 1957, de dois satélites soviéticos, um deles com a cadela Laika, o primeiro ser vivo a ir para o Espaço. Todavia, ainda nenhum homem havia lá estado e Yuri Gagarin deveria dar respostas a perguntas, tais como se o Homem podia viver, trabalhar e orientar-se no Espaço e manejar os sistemas das naves espaciais.

O seu voo iniciou uma nova era na conquista do Espaço, por isso 12 de Abril atingiu importância internacional, tornando-se o Dia Internacional da Aviação e Cosmonáutica.

A disputa entre os EUA e União Soviética (URSS) pela conquista do Espaço foi o grande impulso para a exploração espacial e resultou em grandes avanços científicos e tecnológicos.

Acabada a Guerra Fria, que opunha essas duas grandes potências mundiais, e na continuidade das operações Mir e Skylab e do planeado Columbus europeu, nasceu, em 1998, a Estação Espacial Internacional (ISS), actualmente ainda em construção, que representa a permanência humana no Espaço e, sobretudo, a cooperação internacional desejada na conquista espacial sem desperdício inútil de esforços e de dinheiro.

A maior aventura já empreendida pelo Homem tem alguns marcos e devemo-lo sobretudo à coragem dos astronautas, cosmonautas (na designação russa) e taikonautas (na versão chinesa) – 493 até hoje – feitos em tudo semelhantes à dos navegadores portugueses quando se lançaram nas desconhecidas travessias oceânicas do século XV.

Mário Gil

Vídeo - Aprender a aprender

Vídeo - A História da descoberta do Brasil

Ficha de Avaliação


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Legislação


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sábado, 26 de setembro de 2015

Powerpoint - Gestão de Desempenho


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Notícia - Camaleões algarvios

Na Mata de Monte Gordo e em pequenos núcleos isolados que se espalham principalmente pelo sotavento algarvio sobrevivem as derradeiras populações portuguesas de camaleão-comum. O biólogo Jorge Nunes desvenda os mistérios deste curioso réptil com aspecto de monstro pré-histórico que partilha o seu fragmentado habitat com os muitos veraneantes que elegem o Algarve como destino para fruição dos prazeres balneares.

Durante as férias balneares, que para muitos começam logo nas mini-férias da Páscoa, os turistas tomam de assalto o litoral algarvio. Invadem as praias à cata do bronze e dos refrescantes banhos de mar, abrigam-se na sombra de perigosas arribas e falésias pondo em risco a sua própria segurança, acamam-se nas dunas, que tomam como suas e das quais fazem estacionamentos e acampamentos clandestinos, e, na ânsia da fruição dos prazeres do estio, esquecem-se de olhar à sua volta e de apreciar a Natureza que os rodeia. Com tanta insensibilidade ambiental, não é de admirar que a biodiversidade esteja a perder-se de forma acelerada e irreversível, especialmente em terras algarvias.

Se não é fácil ser-se turista num Algarve sobrelotado de gente, imagine-se o que sentirão os bichos que lá habitam! Deve ser com desmedido temor que encaram a estranha multidão fervilhante que regressa sazonalmente para lhes tirar o sossego, lhes devassar o espaço vital e lhes alterar os hábitos quotidianos ou, pura e simplesmente, lhes destruir os habitats, pondo em perigo a sua sobrevivência.

Dentre todos os animais algarvios que são vítimas da incúria dos veraneantes, merece destaque um estranho réptil que, infelizmente, muitos turistas apanham, mantêm cativo como mascote e chegam ao cúmulo de levar consigo quando regressam às suas casas como souvenir das férias algarvias: o camaleão, um animal enigmático e repleto de curiosidades, que interessa conhecer e preservar.

Esta família de répteis (Chamaeleonidae) é originária da África Oriental e pensa-se que terá surgido há cerca de 60 milhões de anos. Existem no mundo mais de 150 espécies de camaleões (só a ilha de Madagáscar alberga 40 por cento do número total de espécies), mas apenas uma, o camaleão-comum (Chamaeleo chamaeleo), ocorre em Portugal. Segundo o Guia de Anfíbios e Répteis de Portugal, a espécie encontra-se distribuída pelo Norte de África, algumas regiões do Sahara, Médio Oriente, Península Arábica e algumas áreas da Península Ibérica, Sicília, Grécia e ilhas do Mar Egeu.

A sua origem em terras lusas continua a ser motivo de controvérsia, embora os dados disponíveis apontem para que tenha sido introduzido nos pinhais entre Monte Gordo e Vila Real de Santo António, por volta de 1920. Estudos recentes, baseados na análise de ARN mitocondrial, parecem indicar que os camaleões algarvios foram introduzidos a partir de populações da costa atlântica de Marrocos, provavelmente de Essaouira, dado que existe uma enorme proximidade genética entre ambas as populações, que estão separadas apenas por cerca de 650 quilómetros de oceano.

Embora vários autores tenham defendido que os camaleões algarvios poderiam ter resultado de uma colonização natural, ocorrida no Plio-Pleistocénio (há 5,2 a 0,7 milhões de anos), a reduzida diferenciação genética verificada entre as populações de ambos os lados do Atlântico não abona a favor dessa teoria. Assim, na actualidade, os investigadores defendem uma introdução que terá acontecido nos primórdios do século XX, embora não excluam a hipótese de ter começado no século XVII, uma vez que desde essa altura foram mantidos contactos comerciais regulares dos portugueses com o Norte de África, em particular com o porto mercantil de Essaouira.

O camaleão-comum é um réptil com aspecto de monstro pré-histórico, misterioso e repleto de curiosidades. Raramente atinge mais de 30 centímetros de comprimento, apresenta o corpo revestido por escamas granulares, e da cabeça sobressaem cristas ósseas que lhe conferem um aspecto invulgar e o tornam inconfundível. É um animal de hábitos diurnos, arborícola, que se passeia, de forma lenta e hesitante, pelos ramos das árvores. Agarra-se firmemente com os seus pés pentadáctilos (dois dedos direccionados para um lado e três para o outro, unidos em dois grupos oponíveis que formam uma espécie de tenaz) terminados em unhas pontiagudas e auxilia-se com a sua cauda preênsil, que ajuda a segurar-se aos ramos. Os olhos, situados em elevações cónicas inseridas nas órbitas, podem mover-se de forma independente e permitem uma visão es­te­reoscópica, que se revela de grande utilidade na localização das presas (uma vez que as podem seguir com os olhos, mesmo quando o corpo permanece completamente imóvel).

Quando são importunados e se sentem ameaçados, tornam a sua cor mais escura, incham o corpo para parecerem maiores, abrem a boca e sopram com ar ameaçador. No entanto, este comportamento de intimidação não passa de fanfarronice, pois na verdade são animais totalmente inofensivos que (para seu azar) se deixam apanhar com facilidade.

O mais fascinante deste estranho animal é a sua assombrosa capacidade para mudar de cor. A sua pele apresenta uma coloração variável (controlada pela dilatação e contracção de células pigmentadas capazes de reflectir cores diferentes, denominadas “cromatóforos”, “guanóforos” e “melanóforos” e situadas em distintas camadas da derme), que pode ser modificada com certa rapidez e permite ao animal confundir-se com o seu meio.

Sabe-se hoje que afinal os camaleões não mudam de cor apenas para se camuflarem (embora sejam autênticos mestres nessa arte), mas igualmente para comunicarem com os seus congéneres e assegurarem a regulação da temperatura corporal (termorregulação). No que respeita à comunicação, cada espécie possui cores e padrões específicos para evidenciar domínio, submissão, combate, ameaça, gravidez, etc. Sendo animais praticamente surdos, estes sinais visuais constituem uma forma muito eficaz de comunicação, essencialmente, entre indivíduos da mesma espécie.

Quanto à termorregulação, dado que são animais de sangue frio (poiquilotérmicos), faz-se recorrendo a cores mais claras (que reflectem os raios solares, impedindo um sobreaquecimento) e a cores mais escuras (que permitem uma maior absorção de raios solares com o concomitante aumento rápido da temperatura corporal).

Mas o rol de curiosidades não se fica por aqui. Estes comedores de insectos voadores (moscas, borboletas e gafanhotos, entre outros) são verdadeiros predadores de emboscada, sendo digna de referência a forma repentina como propulsionam a língua para caçar as suas presas. O segredo do sucesso dos seus disparos certeiros reside no factor surpresa, dado que usam a camuflagem para se aproximar dos insectos e surpreendem-nos com a sua língua protráctil (que se pode alongar para a frente), que é projectada a velocidades estonteantes. O facto de ser igualmente musculosa, larga e pegajosa ajuda a prender o alimento e a trazê-lo até à boca.

Camuflagem, paciência e ataques-surpresa são os trunfos destes ninjas do mundo animal, que se confundem de tal modo com o meio envolvente que se tornam quase invisíveis aos olhos das suas presas e exigem uma excepcional acuidade visual dos seus principais predadores (cobra-rateira, ratazana, peneireiro-vulgar e tartaranhão-caçador, entre outros).

De acordo com o Guia de Anfíbios e Répteis de Portugal, a área de distribuição do camaleão-comum no nosso país encontra-se circunscrita ao Algarve, mais precisamente entre Vila Real de Santo António e Armação de Pêra. Embora a sua ocorrência esteja também confirmada na zona de Lagos e Portimão e já tenham sido encontrados nos mais diversos lugares do Algarve, admite-se que sejam populações introduzidas recentemente e que tiveram origem em indivíduos trazidos de outras regiões algarvias.

Segundo Octávio Paulo, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, “em muitos destes locais as observações resultam de transporte por humanos e não correspondem à genuína área de distribuição da espécie”. O mesmo acontece com capturas esporádicas que já aconteceram em outros locais mais setentrionais do país. Até porque, segundo diz, “o Algarve é a única zona que nas actuais condições climáticas tem potencialidades para a permanência da espécie no país”. Assim, “é provável que as regiões do Sul de Portugal e Espanha constituam os limites climáticos naturais da distribuição norte da espécie”, sendo o Algarve a única zona portuguesa que oferece as condições climatéricas e ecológicas necessárias para a sobrevivência do camaleão-comum.

Sendo uma espécie arborícola, necessita de arbustos, como a retama (um tipo de giesta), podendo também encontrar-se sobre o pinheiro-bravo e sobre as espinhosas figueiras-de-pita, também conhecidas por “piteiras”.

Embora os núcleos populacionais deste réptil vivam essencialmente nas franjas litorais, a colonização natural e a colonização induzida (por transporte humano) têm permitido o estabelecimento de novas populações em várias localidades algarvias, desde a Costa Vicentina até Vila Real de Santo António, incluindo a zona interior, no Barrocal. Na dispersão natural, pensa-se que os cursos de água, com as suas margens arbustivas, poderão ter funcionado como corredores para colonização do interior. É preciso não esquecer que estamos a falar de um réptil tipicamente arborícola, que apenas desce ao chão para mudar de árvore ou arbusto ou para se enterrar no solo, durante o perío­do de letargia que ocorre aproximadamente entre Dezembro e Março.

Quanto à colonização por transporte humano, poderá ter resultado de libertações intencionais ou acidentais, sendo esta última a situação mais provável. Isto acontece porque alguns turistas sem escrúpulos e sem sensibilidade ecológica apanham exemplares que mantêm em cativeiro até acabarem por morrer (como facilmente se percebe, um animal furtado à Natureza dificilmente poderá subsistir como animal de estimação!) ou conseguirem escapar para o meio natural. Nestes casos, embora os indivíduos possam sobreviver, caso encontrem as condições ecológicas necessárias, dificilmente constituirão novas populações, devido ao isolamento geográfico.

Infelizmente, muitas das capturas perpetradas por turistas ocorrem durante os meses de Verão, sobretudo em Agosto e Setembro, altura em que muitas das fêmeas estão grávidas. Assim, é fácil imaginar o que essas práticas provocam na dinâmica populacional, dado que, na maioria dos casos, os exemplares acabarão por morrer, mesmo quando regressam ao meio natural longe dos seus habitats. Mas, mesmo que venham a fundar uma nova população demograficamente independente, “o mais provável é que estas populações, devido ao reduzido número de efectivos, acabem por desaparecer”, vaticina Octávio Paulo.

O investigador, que conhece como ninguém estes curiosos animais de sangue frio, dado que coordenou inúmeros trabalhos de campo sobre a biologia, distribuição e conservação do camaleão no Algarve, sustenta com argúcia que esta situação, porque permite a observação de alguns exemplares de camaleão em zonas muito distantes entre si, permite dar a falsa ideia de uma extensa e contínua distribuição de camaleões por todo o litoral e barrocal algarvio e, consequentemente, pela ausência de qualquer risco para a presença da espécie no país, o que está muito longe de corresponder à realidade dos dados recolhidos pela comunidade científica.

A análise da dinâmica populacional das populações algarvias permitiu descobrir que as populações sofrem uma mortalidade considerável. A maior parte dos indivíduos morre até ao fim do primeiro ano de vida e dificilmente atinge os dois anos de idade. Assim, não lhes resta outra alternativa que não seja crescer depressa: nascem em Agosto e ao fim de um ano já atingiram a maturidade sexual e estão prontos para se reproduzir e transmitir o seu legado genético às gerações vindouras. Viver depressa porque se vai morrer cedo parece ser o lema dos camaleões algarvios. Octávio Paulo acredita que essa poderá ser mesmo uma estratégia de sobrevivência: “Como a pressão sobre a espécie é considerável, arranjou uma estratégia para se conseguir manter.”

Os estudos iniciados em 1989 e realizados ao longo dos anos permitiram concluir que os núcleos populacionais no interior do Algarve e dispersos pelo litoral algarvio são formados, essencialmente, por populações com baixa densidade e pequenos efectivos. Perante essa constatação, afirma Octávio Paulo que, “embora alguns possam persistir à escala do tempo ecológico, apresentam uma elevada taxa de colonização-extinção, sendo por isso mesmo muito vulneráveis, não podendo neles assentar uma estratégia de conservação da espécie”.

Mesmo em lugares onde o réptil ocorre em maior número e onde parece formar populações persistentes, tem-se vindo a assistir a uma preocupante diminuição dos efectivos populacionais em resultado da destruição e fragmentação progressiva dos habitats, provocada pela crescente urbanização, pressão turística e ocupação humana.

As zonas consideradas como habitat preferencial para a espécie situam-se principalmente na região de Armação de Pêra, entre Quarteira e Faro, entre Olhão e Tavira (sobretudo nas ilhas barreira do Parque Natural da Ria Formosa), e entre Cabanas (Tavira) e Vila Real de Santo António. Nesta última área costeira, localiza-se um dos lugares mais importantes no que respeita à abundância e preservação dos camaleões em Portugal: a Mata de Monte Gordo. Esta zona oferece as condições ideais para a espécie (uma apropriada dimensão geo­gráfica, diversidade de habitats e um digno efectivo populacional), o que permite pensar numa estratégia efectiva de conservação da espécie de camaleão no nosso país. “A Mata é a grande área remanescente para a conservação eficaz dos camaleões, pois a maioria das restantes zonas de bons habitats foi ou está a ser retalhada ou destruída, ou existem perspectivas de num futuro próximo isso vir a acontecer”, afirma Octávio Paulo.

Aquele espaço verde é um verdadeiro oásis que, embora esteja ao serviço do lazer das populações locais e dos visitantes, com os seus parques de merendas e trilhos pedestres, constitui igualmente uma importante reserva de camaleões. Os meses de Julho, Agosto e Setembro, que correspondem ao auge da época balnear e concomitantemente a uma maior perturbação provocada pelos veraneantes, são, no entanto, considerados meses críticos para a coexistência entre humanos e répteis. Afinal, é quando se inicia a azáfama reprodutora (havendo por isso um aumento da actividade dos indivíduos, das suas deslocações e exposição) e ocorrem os nascimentos das posturas efectuadas no ano anterior (nascem cerca de oito a trinta juvenis por cada postura). Estes acontecimentos, de enorme importância no ciclo de vida dos camaleões, tornam este espaço verde e o sistema dunar adjacente muito sensíveis à presença humana.

De igual modo, o mês de Outubro é considerado crítico. Esse é o período em que as fêmeas grávidas (que apresentam habitualmente manchas amarelas características) se deslocam e realizam as posturas de ovos (que são enterradas no solo arenoso), tornando-as extremamente susceptíveis a perturbações no habitat. Dado que percorrem grandes distâncias para chegarem aos locais de postura, que são escolhidos criteriosamente (por vezes, escavam vários buracos antes de encontrarem o local óptimo para porem os ovos), acredita-se que o grande esforço reprodutor possa ser uma das principais causas da elevada mortalidade das fêmeas.

Dada a raridade crescente da espécie, todos os cuidados são poucos. É preciso não esquecer que dessas posturas resultará a nova geração que dará continuidade ao legado hereditário de um estranho réptil que, embora não seja nativo de terras lusas, os algarvios se orgulham de acoitar e estimam como se eles tivesse vivido no Algarve desde sempre.

J.N.
SUPER 149 - Setembro 2010

Vídeo - Baruch Spinoza

Notícia - Equilíbrio climático no Atlântico Norte


Um fenómeno essencial ao equilíbrio climático global, a mistura em profundidade de massas de água no Atlântico Norte, intensificou-se durante o Inverno 2007-2008 de forma "inesperada", indica um estudo publicado na revista ‘Nature’.


O fenómeno, conhecido como "convecção oceânica profunda" foi observado por uma equipa internacional de cientistas a 1800 metros de profundidade no Mar de Labrador (entre o Canadá e a Gronelândia) e a 1000 metros no Mar de Irminger (entre a Gronelândia e a Islândia) em níveis de intensidade que não eram atingidos desde 1994.

A convecção oceânica profunda contribui para a redistribuição de calor entre as regiões polares e equatoriais, contribuindo para o equilíbrio climático uma vez que o calor transportado pelas águas dos oceanos é um dos principais factores de influência no clima da Terra.

A Corrente do Golfo – que permite, por exemplo, que as costas da Irlanda sejam banhadas por águas temperadas e evita que o norte da Europa fique permanentemente coberto por gelo polar.

O estudo foi realizado a partir de dados recolhidos por sensores em todos os oceanos do Mundo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

3ºAno - Estudo do Meio - Ficha de Trabalho


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Notícia - Fragmentos de meteorito ajudam Ciência

Um meteorito do tamanho de um automóvel que explodiu no deserto de Nubie, no Sudão, em Outubro, fornece uma ocasião única aos geofísicos para determinarem qual o astro do qual o asteróide se desmembrou.




Chamado 2008 TC3, ou Almahata Sitta, este meteorito foi visto a 6 de Outubro e seguido por milhares de telescópios antes de explodir, no dia seguinte. Uma expedição imediatamente montada pelo Instituto de Investigação de Inteligência Extra-Terrestre da Califórnia e pela Universidade de Cartum permitiu encontrar 47 fragmentos, com um peso total de 3,95 quilos.

Pela primeira vez, os cientistas possuem resultados das observações de um corpo celeste no Espaço, por espectrografia, e análises de laboratório dos fragmentos deste mesmo asteróide, o que permite lançar a investigação para determinar de que astro o meteorito se separou e saber, por conseguinte, a sua composição.

Lusa

Ficha de Avaliação


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Manual - Caderno de Histórias, Poesias, Lengalengas, Adivinhas e Canções


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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Manual - Saúde Juvenil no Masculino - Género e Saúde Sexual e Reprodutiva


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Manual - JavaScript - Programação


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Notícia - As “aves das cidades” têm um cérebro maior

As aves que se conseguiram adaptar às cidades têm um cérebro maior em relação aos seus corpos do que aquelas que vivem fora dos centros urbanos, revela um estudo de investigadores espanhóis publicado na revista “Biology Letters”.

Segundo o trabalho do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), o cérebro das espécies associadas a meios urbanos – como o chapim-real (Parus major) e a pega-rabuda (Pica pica) – é 20 por cento maior do que aquelas que permanecem longe das cidades como, por exemplo, o papa-figos (Oriolus oriolus).

“As cidades são ambientes novos e complexos para a fauna e por isso representam um desafio”, comentou Alejandro González, um dos autores do estudo e investigador do CSIC na Estação Biológica de Doñana, em Espanha.

A comparação foi feita com dados de 82 espécies do grupo mais numeroso de aves, os passeriformes. As aves deste grupo caracterizam-se pelo seu pequeno tamanho, por fazerem ninhos e por cuidarem das suas crias que nascem com níveis muito baixos de desenvolvimento. “São a maioria das aves que se observam nas cidades e, a maior parte delas podem ser denominadas canoras”, explica ainda o investigador, em comunicado.

As variedades analisadas pertencem ao meio urbano e arredores de 12 cidades representativas de França e Suíça. Destas espécies, apenas 38 são capazes de se reproduzir no núcleo urbano.

“Do mesmo modo que alguns ambientes impedem a vida a diferentes espécies devido a certas características – como a salinidade e temperatura -, os meios urbanos supõem certos desafios que nem todas as aves são capazes de superar”, explica o comunicado. Entre esses desafios estão alterações na disponibilidade e variedade de alimento, nos espaços para nidificação e nos padrões de iluminação e ruído.

“As cidades, as zonas que mais estão a crescer na actualidade, estarão a actuar como um filtro ecológico, já que as suas características impedem o acesso a certas espécies”, acrescentam os investigadores do estudo, que contou ainda com a participação da Universidade de Uppsala, na Suécia.

Já em Abril, um estudo de investigadores do CSIC, publicado na revista “Behavioral Ecology”, tinha concluído que as aves urbanas cantam mais tempo para assim conseguirem compensar os efeitos negativos do ruído das cidades.

Vídeo - Montesquieu

Notícia - Estudo indica que as estações estão a antecipar-se dois dias

A Primavera começa a 21 de Março segundo as regras da Astronomia, mas quem estudar a variação das temperaturas do último século pode concluir que as estações têm vindo a antecipar-se cerca de dois dias, por isso não é de admirar vermos aves a migrar mais cedo.

Um artigo publicado amanhã na revista “Nature” investigou a variação da temperatura ao longo das estações do ano nas zonas temperadas do globo. Apesar de não se perceber muitos dos mecanismos que decretaram as mudanças nos últimos 50 anos, os investigadores acreditam que a causa é a intervenção humana.

“Temos cem anos onde existe um padrão muito natural da variabilidade [da temperatura], e depois vemos um grande afastamento desse padrão ao mesmo tempo que as temperaturas médias terrestres começam a aumentar, o que nos faz suspeitar que existe aqui uma causa humana”, disse em comunicado Alexandre Stine, primeiro autor do artigo e investigador na Universidade da Califórnia.

Os cientistas utilizaram dados compilados das temperaturas oceânicas e terrestres entre 1850 e 2007. A análise mostrou que nos últimos 50 anos os picos de calor no Verão e de frio no Inverno estão antecipar-se 1,7 dias, as temperaturas médias de Inverno estão a subir 1,8 graus célsius enquanto as do Verão só subiram 1 grau célsius e estas mudanças são menos sentidas nos oceanos do que nos continentes.

Parte disto pode ser explicado pela transferência de massas de ar quente dos oceanos para os continentes. Sabe-se também que a temperatura é um reflexo do aumento ou diminuição da radiação do sol com um atraso de 30 dias em terra e 60 dias no mar. Solos mais secos e o aumento de poluição podem diminuir o atraso e adiantar os picos de frio e calor. Segundo Stine, estas alterações são comparáveis às diferenças entre eras glaciares e eras não glaciares.


Nicolau Ferreira

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

3ºAno - Estudo do Meio - Ficha de Trabalho


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Notícia - Cientistas descobrem novo exoplaneta

Cientistas revelaram na terça-feira a descoberta do mais pequeno planeta fora do sistema solar (exoplaneta) que se conhece e localizaram o primeiro exoplaneta que pode estar coberto por um vasto oceano, ambos situados no mesmo sistema estelar.


A equipa do Observatório de Genebra, dirigida por Michael Mayor, descobriu um planeta cuja massa é apenas o dobro da do planeta Terra, o que faz dele o mais pequeno exoplaneta entre os 350 descobertos até hoje, segundo um comunicado da ESO, a organização europeia para a investigação astronómica a partir do Hemisfério Sul.



Este planeta, baptizado de “Gliese 581 e”, foi descoberto devido a investigações realizadas a partir do espectógrafo HARPS, ligado a um telescópio de 3,6 metros de comprimento da ESO instalado em La Silla, no Chile.

Ficha de Avaliação


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Manual - Qualidade e Projetos na Educação Pré-Escolar


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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Manual - Técnicas de Entrevista para Auditorias


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Powerpoint - Iniciação ao MS Windows XP


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Notícia - Que se passa lá por baixo? A incrível fauna que vive no subsolo

Térmites, formigas, vermes, ácaros, fungos, bactérias, protozoários... É difícil imaginar a trama de relações biológicas que lateja sob o chão que pisamos. Vale a pena descobrir este submundo fascinante e ainda pouco conhecido.

Poderíamos descrevê-los como um grande manto fluido em que as rochas nuas fariam o papel de ilhas; ou, então, como um imenso oceano negro, simultaneamente denso e maleável, que sustenta a maior biodiversidade do planeta. O facto é que, tal como os mares, os solos terrestres possuem uma enorme capacidade para atenuar as variações de temperatura. Neste caso, o bem-estar propício ao desenvolvimento da orbe viva é conseguido através da retenção da água e do ar, dois excelentes amortecedores térmicos. E, para prosseguirmos com a analogia marinha, também encontramos camadas sobrepostas de diferentes composições (os horizontes), habitadas por plâncton, seres pelágicos e criaturas abissais.

Não confundamos os solos com simples acumulações de terra; são meios extraordinariamente estruturados, com uma espessura mínima, determinado teor de matéria orgânica, partículas estabilizadas por diversos tipos de ligações e, sobretudo, uma rede de inter­acções ecológicas de enorme complexidade. De facto, a vida pulsa sob os nossos pés em magnitudes quase inconcebíveis. Estimativas feitas há 20 anos apontavam para a existência de quatro a cinco mil espécies de procariotas (bactérias e arqueobactérias) por grama; isto é, tantas como as contabilizadas no mais completo tratado de taxonomia bacteriana. Cálculos mais recentes elevam aquele número para as dezenas de milhares.

Apesar disso, definir uma espécie a estes níveis torna-se muito difícil, devido à proliferação de subespécies e variedades, assim como ao incessante fluxo genético que se produz entre elas. Por outro lado, não nos podemos esquecer de que a lista de organismos muda quase por completo não só entre duas zonas separadas por algumas dezenas de quilómetros como, também, em função da profundidade (poderá ser de vários metros), da ventilação, da humidade ou da temperatura no subsolo. Nesta viagem pelo interior da terra, encontramos, por exemplo, microambientes específicos como a rizosfera, o conjunto das raízes das plantas, colonizada por uma multidão de seres vivos.

Existem, pois, inúmeros tipos de solos distribuídos por todo o globo, cujo perfil depende de factores como a rocha-mãe (origem da matéria-prima mineral), o clima, a acção do homem, a vegetação ou a antiguidade. Há os vermelhos tropicais, endurecidos e pobres em nutrientes devido à acção impiedosa de aguaceiros torrenciais; os finos e ácidos das taigas e outras florestas de coníferas; a terra rossa mediterrânica, rica em argila que sedimentou após a dissolução do calcário e cuja cor arruivada provém da oxidação do ferro; os acizentados solos aluvionares, formados em zonas pantanosas; as turfeiras, onde se concentra grande quantidade de matéria orgânica devido à lenta decomposição causada pela falta de oxigénio e pelo frio... No entanto, o recordista da fertilidade é o chamado chernozem das estepes ucranianas. Nestas negras extensões em que a erva cresce exuberantemente devido à acção de abundantes chuvas primaveris, a matéria orgânica não tem tempo para se decompor totalmente durante o Verão seco e o frio Inverno.

De quanto tempo necessita um subsolo para poder alojar um ecossistema? A maior parte dos bioterrenos tem milhares ou dezenas de milhares de anos, mas, se juntarmos um clima húmido a uma base de cinzas vulcânicas ou de depósitos aluviais, o processo poderá ver-se reduzido a menos de cem anos. Alguns só conseguem moldar-se a um ritmo exasperantemente lento: é o caso dos que se formam de duro calcário em climas frios, forçados a crescer um centímetro em cada 5000 anos.

Os antepassados dos actuais solos não passavam de películas formadas por bactérias e algas, cujos processos bioquímicos começaram a alterar a rocha-mãe. Durante centenas de milhões de anos, os organismos terrestres dominantes foram os líquenes, associações de algas e fungos que sobreviviam em lugares inóspitos que nunca conseguiriam colonizar isoladamente, e que, pouco a pouco, decompuseram as rochas nos seus componentes minerais. Numa etapa posterior, há 700 milhões de anos, entraram em cena os musgos e, em seguida, as plantas vasculares. Tornaram-se, assim, possíveis outras duas simbioses fundamentais para a dinâmica dos solos.

A primeira das associações reúne determinadas espécies vegetais (em especial, as leguminosas) com bactérias para transformar o azoto da atmosfera noutras substâncias que podem ser aproveitadas pelas plantas. Eric Triplett, microbiólogo da Universidade da Florida, considera que se poderia inserir os genes bacterianos que participam na fixação daquele elemento químico (designados por nif, de nitrogen fixation) noutras variedades de maior interesse agrícola, como os cereais. Evitar-se-ia, deste modo, o recurso aos dispendiosos e anti-ecológicos adubos químicos azotados. Por outro lado, os micorrizos, raízes de plantas e fungos associados em simbiose, também desempenham um papel fundamental: enquanto os segundos captam água e minerais através de fibras viscosas designadas por “mucílagos”, as primeiras fornecem nutrientes.

Precisamente, o reino dos fungos situa-se comodamente debaixo de terra. Muitos alimentam-se de matéria morta, mas também podem parasitar plantas e animais, ou mesmo caçar vermes, que estrangulam com uma espécie de laço ou aprisionam segregando substâncias pegajosas. Entre os organismos procurados pelo Instituto de Biologia e Fertilidade dos Solos Tropicais de Nairobi (Quénia), como bio-indicadores da qualidade de um terreno e para outros fins, encontra-se o Acaulospora. Isabelle Barrois, investigadora do Instituto de Ecologia de Xalapa (México), escreveu na revista Nature que este fungo, muito eficaz a estabelecer simbioses com plantas bolbosas, poderia igualmente ajudar a substituir os adubos azotados.

Embora sejam velhos conhecidos dos micólogos, os inquietantes mixomicetes foram expulsos pelos especialistas da família dos fungos para serem incluídos no âmbito taxonómico dos protistas. Formados por seres unicelulares que se congregam em reacção a estímulos químicos, avançam pelas florestas transformados numa massa amorfa, rastejante e gelatinosa que engole todo o tipo de coisas. Um eficiente serviço de limpeza.

No entanto, os inquilinos predominantes nos ecossistemas que compõem a maior parte das terras à superfície são as bactérias e as arqueobactérias. A par de algumas espécies com vasta distribuição geográfica, há muitas outras raras. Os peritos especulam que estas poderiam constituir uma reserva de emergência para o caso de as características do meio se alterarem drasticamente. Pensam, igualmente, que um número significativo de arqueas é formado por organismos primitivos que foram ultrapassados por micróbios mais eficazes na utilização dos recursos, mas cuja natureza austera lhes permite vencer os pe­río­dos de adversidade. Dado que é impossível cultivar em laboratório a imensa maioria dos microorganismos do solo, não se conhece com exactidão o seu metabolismo.

Há quem pense que subsistem, entre essa vasta população underground, membros que se separaram do tronco principal da árvore evolutiva antes de surgir o antecessor comum de todos os seres vivos. Já se começou a procurar eventuais sinais distintivos, como o uso de um código genético diferente ou uma preferência pelo arsénico (mais abundante na Terra primitiva) para cumprir funções celulares nas quais os actuais seres vivos recorrem ao fósforo. Poderíamos mesmo estar a conviver com microorganismos extraterrestres, provenientes de outros corpos do Sistema Solar.

Designamos todos esses minúsculos seres por “procariotas”, mas os seus metabolismos podem diferir como a noite e o dia: alguns só vivem com oxigénio enquanto, para outros, este gás é um veneno; os heterótrofos alimentam-se de matéria orgânica previamente fabricada, mas os autótrofos podem obter pelos seus próprios meios a energia necessária para subsistir, tanto da luz solar como de múltiplas substâncias minerais. Todavia, há algo em que são todos semelhantes: desempenham papéis insubstituíveis nos ciclos globais de nutrientes, quer para fixar o azoto atmosférico no amoníaco e nos nitratos, quer para produzir azoto molecular (que escapa para a atmosfera) a partir destes últimos, ou ainda para gerar metano como produto de desperdício que é aproveitado, por sua vez, por outros microorganismos.

Embora os animais apresentem, em comparação com bactérias e arqueobactérias, uma escassa diversidade, estima-se mesmo assim em dezenas de milhões o número de espécies de nemátodes, vermes ubíquos que desempenham todos os tipos de funções ecológicas; de tardígrados, invertebrados rechonchudos que conseguem suportar todo o género de privações; de colêmbolos, seres diminutos e saltitantes aparentados com os insectos; e de formigas e térmites, os mais importantes em termos de biomassa. Merecem também destaque lesmas, caracóis, larvas de diversos insectos, ácaros, bichos-de-conta, centopeias e, claro, as minhocas, que desempenham um papel primordial: grande parte da matéria que pisamos é formada pelos seus excrementos. Naturalmente, estes anelídeos são responsáveis pela maior parte das trocas verticais de substâncias no solo, como demonstrou um idoso cheio de paciência que merecia, só por esse estudo, figurar nas páginas da história da biologia: Charles Darwin.

Os solos desempenham um papel fundamental no aquecimento global. De facto, descobriu-se, nos últimos anos, que constituem um escoadouro de carbono muito maior do que se pensava. Na superfície da Terra, existe muita matéria orgânica por decompor, abundante mesmo a maior profundidade. A subida das temperaturas e a erosão contribuem para acelerar a oxidação dos compostos de carbono, processo que lança dióxido de carbono na atmosfera e aumenta o efeito de estufa.

Além disso, a quantidade de carbono armazenada nos solos do Árctico e das zonas adjacentes é o dobro do que se tinha previamente estimado. O degelo poderá levar a que esse excedente acabe por ir parar à atmosfera e aos oceanos, agravando ainda mais o problema.



A.M.J.C.
SUPER 149 - Setembro 2010

Vídeo - "How it feels to have Asperger's"

Vídeo - Isaac Newton

Notícia - Alterações climáticas são “irreversíveis”

Uma equipa internacional de investigadores realizou um estudo publicado na edição de hoje da revista norte-americana 'Proceedings of the National Academy of Sciences' que defende que muitos efeitos nocivos das alterações climáticas são já irreversíveis.


O estudo, apoiado pelo Gabinete de Ciência do Departamento da Energia dos Estados Unidos da América, concluiu que, mesmo que as emissões de dióxido de carbono sejam travadas, as temperaturas globais continuarão elevadas até pelo menos ao ano 3000.



“As pessoas imaginavam que se deixássemos de emitir dióxido de carbono (CO2), o clima voltaria à normalidade em 100 ou 200 anos. Isso não é verdade”, assegura a principal autora do estudo, Susan Solomon, da Administração Nacional para os Oceanos e a Atmosfera dos EUA.
C.M

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

3ºAno - Estudo do Meio - As Aventuras do Feijão Frade no Aparelho Digestivo


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Notícia - Cientistas procuram nono planeta

Baseados em simulações de computador, cientistas japoneses da Universidade de Kobe dizem estar convencidos de que existe um nono planeta, até agora desconhecido, que gravita nos confins do nosso Sistema Solar e que algum dia será descoberto.


A longa busca pelo planeta X, que tem alimentado algumas teorias apocalípticas, levou à descoberta de Plutão, mas este planeta acabou por não ser considerado o X porque a sua massa (de apenas 1/455 vezes a da Terra) não era suficiente para explicar as irregularidades então registadas na órbita de Neptuno – as estimativas para o planeta X apontavam para valores de 50 vezes a massa terrestre.

A comunidade científica decidiu, em 2006, excluir Plutão da lista de planetas de nosso Sistema Solar, rebaixado-o à categoria de planeta-anão. Além dos seus oito planetas, o Sol é circundado por alguns corpos grandes, agora chamados plutóides – como é o caso de Sedna, descoberto em 2004, ou Quaoar, descoberto em 2002 –, e por uma infinidade de corpos celestes menores, principalmente numa região denominada Cinturão de Kuiper, que se estende entre 30 e 50 Unidades Astronómicas (1 UA equivale à distância entre a Terra e o Sol).

Se existir, o Planeta X poderá estar a uma distância até 100 UA. O seu brilho deve ser tão fraco que nenhum equipamento o conseguiria captar. A solução pode estar no Pan-STARRS, projecto destinado a monitorizar os céus em busca de asteróides em rota de colisão com a Terra, que entrará em operação já em 2010.

Desde que começou a busca pelo Planeta X, no início do século XX, a possibilidade existir um hipotético planeta a orbitar o Sol além do Cinturão de Kuiper tem alimentado teorias apocalípticas: diz-se que o letal planeta viajará numa excêntrica órbita para causar um caos gravitacional na Terra, com danos ambientais, geológicos e sociais, e matar grande parte da vida terrestre. Tudo com data marcada: 2012, precisamente a data final do calendário maia. Mas há ainda outras teorias para o fim do mundo.

Mário Gil

Ficha de Avaliação


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Tabela - Dejecções / Alimenyação / Hora de Repouso


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domingo, 20 de setembro de 2015

Powerpoint - Perturbações do Comportamento Alimentar


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Ficha de Trabalho - A Internet na Sala de Aula


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Notícia - Redescoberto um sapo que não se via desde 1924

O sapo-arco-íris-de-bornéu apareceu ao fim de 87 anos na ilha de Bornéu, uma descoberta que custou meses de procura a uma equipa de investigadores da Universidade de Sarawak da Malásia, e que foi anunciado nesta quinta-feira pela associação ambientalista Conservation International (CI).


A última vez que o mundo ocidental tinha visto esta espécie de anfíbio foi em 1924, quando cientistas europeus foram à ilha de Bornéu, no sudeste asiático. A única imagem que trouxeram de lá foi um desenho a preto e branco da Ansonia latidisca, o nome científico do sapo.

“Descobertas excitantes como este sapo lindíssimo, e a importância enorme dos anfíbios para os ecossistemas saudáveis, são o que nos motivam para continuarmos à procura de espécies perdidas”, disse em comunicado Indraneil Das, cientista da Malásia, que liderou a equipa.

A aventura começou depois da International Conservation ter lançado uma campanha para a procura mundial das espécies de anfíbios que não são vistos há mais de dez anos. O sapo-arco-íris-de-bornéu (tradução livre do nome comum em inglês) estava na lista Top 10 das rãs mais procuradas.

A equipa de Das tentou a sorte. Em Agosto do ano passado, os cientistas foram para uma região montanhosa na região ocidental da ilha de Bornéu, na fronteira entre a província de Sarawak na Malásia, e a província Kalimantan, que já pertence à Indonésia.

A equipa de Das andou meses à procura do sapo depois de o anoitecer, por altitudes superiores a 1300 metros, numa região que, segundo a CI, foi pouco explorada no último século. A equipa foi para zonas cada vez mais altas ao longo do tempo. Finalmente, uma noite, o cientista Pui Yong Min encontrou o sapo numa árvore, dois metros acima do solo. Tinha as patas compridas e finas, pele enrugada pintada de várias cores.

“Ver a primeira fotografia de uma espécie perdida há quase 90 anos desafia o que se acredita. É bom saber que a natureza consegue surpreender-nos quando estamos quase a perder a esperança, especialmente com o escalar da extinção de espécies”, disse em comunicado Robin Moore, especialista em anfíbios da CI, que lançou o projecto da procura dos anfíbios, e recebeu num e-mail enviado por Das, a notícia da descoberta e a fotografia do sapo.

Ao longo dos dias, a equipa encontrou mais dois indivíduos desta espécie. Ao todo, foram vistos e medidos uma fêmea, um macho e um juvenil, que tinham respectivamente entre 5,1 e três centímetros de comprimento. Os três anfíbios foram todos encontrados em árvores.

“A natureza ainda guarda segredos preciosos que estamos a descobrir, é por isso que a protecção e a conservação são tão importantes. Os anfíbios são indicadores da saúde do ambiente, o que tem implicações directas para a saúde humana. Os seus benefícios não devem ser subestimados”, disse Indraneil Das.

Vídeo - John Locke

Notícia - Um cenário irreversível de secas e subidas do nível do mar para os próximos mil anos

O cenário assustador já é bem conhecido: tempestades mais violentas, secas mais pronunciadas, subida das águas dos oceanos, degelo dos glaciares e da Antárctida. Tudo por causa do aquecimento global. Mas há outra novidade: mesmo que, ao longo das próximas décadas, todos os países do mundo consigam controlar as suas emissões de gases, o efeito de estufa, esse, não desaparece logo. Está cá para ficar por muitos séculos, dizem Susan Solomon, da National Atmospheric and Oceanic Administration norte-americana, e colegas de Suíça e França, num estudo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Os níveis de dióxido de carbono deverão permanecer elevados na atmosfera durante muito mais tempo do que os dos outros gases de estufa.

Isso não significa de forma alguma que os líderes mundiais devam desistir dos esforços de redução das emissões; torna-os ainda mais urgentes. “Penso que devemos encarar esta coisa mais como o lixo nuclear do que como as chuvas ácidas”, disse Solomon numa conferência de imprensa referida pelo jornal Washington Post. “Quanto mais [CO2] acrescentarmos, pior será. Quanto mais demorarmos a tomar decisões, mais irreversível será a mudança climática.”

“O nosso artigo mostra”, escrevem os cientistas na PNAS, “que as alterações climáticas que estão a ter lugar devido à crescente concentração de dióxido de carbono serão quase irreversíveis nos mil anos após a interrupção das emissões.” Isso porque, mesmo que as emissões parassem, as temperaturas diminuiriam muito paulatinamente porque os oceanos continuariam a libertar calor.

Um exemplo do impacto: se a concentração média de CO2 atmosférico (que é hoje de 385 ppmv, partes por milhão por volume) aumentar para 450 a 600 ppmv ao longo deste século, ocorrerão secas irreversíveis e uma subida inexorável do nível dos oceanos. Números muito plausíveis, uma vez que as projecções apontam para 550 ppmv de CO2 já em 2035 e que a meta estabelecida pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é de estabilizar esses níveis em 450 ppmv.

Se os valores forem mais próximos de 600 ppmv, o sudoeste dos EUA, o Mediterrâneo e o Norte de África vão sofrer secas tão severas como as que assolaram as grandes planícies norte-americanas (o chamado Dust Bowl) nos anos 1930. Mesmo que sejam menores, as regiões subtropicais sofrerão secas irreversíveis. Quanto ao nível dos oceanos, poderá subir um metro ou mais até ao ano 3000 – e a equação não inclui o degelo dos glaciares e das regiões polares, apenas toma em conta a expansão térmica das águas.

“Os políticos costumam focar-se mais nos impactos mais incertos, mas potencialmente desastrosos, das alterações climáticas”, disse ainda Solomon. “Deveriam concentrar-se mais nas suas consequências mais previsíveis.”
Ana Gerschenfeld

sábado, 19 de setembro de 2015

Notícia - Primeiro simulador do fundo marinho

Cientistas alemães do Instituto Fraunhofer criaram um sistema de realidade ampliada (sistema que cria uma realidade virtual que pode ser justaposta com cenas reais) para ser utilizado sob a água.


Utilizando uma máscara especial, um mergulhador pode ver recifes de coral, plantas e animais marinhos sobre o fundo de uma piscina comum. Os pesquisadores esperam que o sistema possa ser utilizado para o treino de mergulhadores profissionais.

O principal componente deste que é o primeiro equipamento de realidade virtual para uso aquático é um ecrã à prova de água, que fica em frente à máscara do mergulhador.

O ecrã permite que o mergulhador veja o ambiente virtual com todos os objectos virtuais sobrepostos sobre o ambiente real em que ele está mergulhado.

O processamento do sistema de realidade virtual fica a cargo de um mini-PC que o mergulhador leva na mochila. Uma câmara de vídeo localizada na sua cabeça fornece ao sistema os marcadores do ambiente aquático necessários para que as imagens virtuais sejam projectadas na posição correcta.

Vídeo - Guerra Colonial (Operação VIRIATO - Nanbuangongo)

Ficha de Avaliação


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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Notícia - Conversas com bestas


Linguagem animal

O canto de um pássaro, o bramido do veado ou a cintilação do pirilampo são apenas mensagens destinadas a atrair as fêmeas para o acasalamento ou potenciais presas, para poder caçá-las. A ciência estuda essas formas de linguagem animal para averiguar até que ponto poderão conter alguma semelhança com a fala humana.

Um cão chamado Harry encosta o focinho à perna da dona, depois dirige-se para a porta e começa a gemer. Mensagem: “Quero ir à rua.” Fifi, a gata siamesa, salta para a secretária e guia o dono até ao prato de comida, como se lhe dissesse: “Tenho fome!” Estes casos domésticos demonstram que os seres humanos comunicam a determinado nível com as criaturas irracionais, como bem sabem os biólogos e etólogos que, no intuito de estudar o seu comportamento, gravam os sons e, depois, reproduzem a gravação para dar origem a determinadas reacções animais.

Porém, que sejamos capazes de entendê-los a cem por cento ou que os bichos falem entre si do mesmo modo que tagarelamos com o vizinho é uma questão delicada que provoca um apaixonado debate. Um sector da comunidade científica considera que a comunicação é como uma escala que vai do mais simples ao mais complexo e em que a linguagem humana ocupa o escalão mais elevado. No entender dos defensores desta tese, os testes com grandes símios que aprenderam a comunicar com pessoas mostram que as diferenças entre a linguagem animal e humana decorrem mais de uma questão de grau do que de classe.

A fala é sagrada?

Outros especialistas, pelo contrário, entendem que a linguagem é o único factor que diferencia a nossa espécie dos restantes seres vivos. Em sua opinião, a fala é sagrada; trata-se do derradeiro obstáculo que se interpõe entre o homem e a besta, e não tem nada a ver com a comunicação animal. Por exemplo, um estudo de 2005 de Charles Snowdon, psicólogo da Universidade do Wisconsin em Madison, conclui que “embora existam muitas semelhanças entre os centros de controlo do idioma na região subcortical do cérebro de seres humanos e de macacos, não existem paralelismos nas áreas de Broca e Wernicke”. No mesmo sentido, numerosos linguistas definem a linguagem com base em características humanas como a criatividade, as regras sintácticas ou a aptidão para utilizar símbolos abstractos e atribuir-lhes significado no passado, no presente e no futuro. Contudo, são cada vez mais os investigadores que questionam essa perspectiva antropomórfica.

Na última reunião interdisciplinar Evolang, organizada pela Universidade de Utrecht (Países Baixos), debateu-se a tese do linguista ­Noam Chomsky, segundo a qual a fala emergiu de forma autónoma na nossa espécie, ignorando as protolinguagens que poderiam ter sido desenvolvidas pelos primatas que nos antecederam na linha evolutiva. Alguns especialistas assinalaram que o primeiro código linguístico humano foi formado por gesticulações, e que o modo como as aves canoras imitam os trinados dos progenitores apresenta paralelismos com a forma como as crianças aprendem a falar. Além disso, o psicólogo Jacques Vauclair e os seus colegas da Universidade da Provença (França) descobriram que existem, na área de Broca de chimpanzés e babuínos, as mesmas assimetrias nos pontos que parecem ser precursores dos nossos centros de linguagem, o que contraria os estudos de Snowdon.

Sempre com a direita

Os estudos do francês especializado em cognição demonstraram que o hemisfério esquerdo está mais desenvolvido nas crianças, nos chimpanzés e nos babuínos destros. Vauclair mostrou igualmente que tanto os chimpanzés como os bebés de onze meses tendem a usar a mão direita para comunicar entre si e indicar o que querem, e ainda que, no caso dos bebés, esses gestos acompanham as primeiras palavras balbuciadas

Por sua vez, Con Slobodchikoff, biólogo e etólogo da Northern Arizona University, introduziu novos dados no debate com uma investigação sobre os cães-da-pradaria de Gunnison, Cynomys gunnisoni, uma das variedades desta espécie selvagem natural da América do Norte. Ao analisar o comportamento dos peculiares roedores, verificou que são extremamente sociáveis, vivem em colónias e dispõem de um sistema de comunicação que inclui abundante informação. Slobodchikoff e a sua equipa constataram determinadas variações nos latidos ou sinais que enviavam aos congéneres para os avisar, por exemplo, se o potencial predador que se aproximava era terrestre ou aéreo e qual o seu tamanho. São também capazes de distinguir as cores e de transmitir essa informação, como prova o facto de lançarem um som diferente quando o investigador responsável pelo trabalho de campo levava uma T-shirt azul, verde ou amarela. Esta linguagem, aparentemente, não é inata: têm de aprendê-la, pois Slobodchikoff observou que cada colónia de Cynomys gunnisoni recorria ao seu próprio dialecto.

Exprimir-se para namorar

Nesse caso, será que se trata de uma verdadeira linguagem? Se tem de integrar, entre outros factores, significado, produtividade (um sistema de comunicação em que seja possível criar e compreender sem dificuldade novas mensagens) e translocação (capacidade para se referir a factos ou objectos que não se encontram espacial ou temporalmente presentes), os cães-da-pradaria teriam, segundo Slobodchikoff, uma linguagem própria.

De qualquer modo, os animais conseguem fazer que as suas mensagens sejam entendidas através de milhares de maneiras diferentes, o que demonstra o papel fundamental que a comunicação desempenha na biologia. Os animais utilizam os cinco sentidos para se exprimirem, e gesticulam com todos os apêndices do corpo e em todas as posições imagináveis. Comunicam através do odor; piam, bufam, gritam, roncam, grunhem ou cantam; lançam sinais ultrassónicos e subsónicos, eléctricos ou infravermelhos, através de impulsos de luz ou alterando a pigmentação da pele; se for necessário, dançam, palmilham ou fazem vibrar a superfície sobre que caminham. Das luzes dos peixes que habitam os abismos aos padrões coloridos da lula e à complexa vida social dos golfinhos, o reino animal oferece um mosaico de códigos de comunicação indispensáveis para os indivíduos das espécies que se reproduzem sexualmente poderem acasalar.

Os recados são muitas vezes enviados de forma espontânea ou inconsciente. Quando chega o momento oportuno, as fêmeas de traças, saguins e toupeiras recorrem ao odor, cuja intensidade é tão poderosa que consegue atrair um macho a quilómetros de distância ou impedir a ovulação de outras rivais da mesma espécie. As libélulas-macho sobrevoam as fêmeas e agarram-nas para um encontro aéreo; o tamanho, a forma e os padrões de cor comunicam a identidade feminina mas, com um pincel e uma gota de tinta, um investigador poderia confundir um pretendente. Noutros casos, os animais precisam de transmitir as suas intenções de forma mais selectiva, através de uma mensagem do tipo: “Olá, sou um macho. Reproduzamo-nos.” Contudo, como a concorrência é sempre feroz, seria melhor personalizá-la para se tornar mais eficaz: “Não só sou macho, como sou bom como o milho!” Resta saber se as fêmas iriam escolher em função da melhor campanha publicitária...

A importância do marketing

Desde que Charles Darwin colocou a si próprio a mesma questão, os especialistas em evolução sugeriram várias fórmulas para explicar o critério de selecção de parceiro por parte das fêmeas. Em algumas espécies, o macho proporciona alimento, ajuda e protecção, e a fêmea escolhe o que lhe parece melhor poder cumprir essas funções, talvez de modo não muito diferente do que se verifica na espécie humana. Porém, noutros casos, o macho não passa de um dador de esperma, e é aí que reside o busílis. A fêmea poderá escolher em função de características relacionadas com a garantia de bons genes: o macho com o corpo maior, a voz mais profunda ou a exibição mais espectacular. Ou poderá preferir um indivíduo com maior longevidade, o que implica que viveu mais tempo e poderá legar genes de sobrevivência. Ou talvez queira escolher o candidato de aspecto mais saudável, aquele que dança com maior frenesim ou tem a plumagem mais perfeita. De igual modo, poderia inclinar-se por exemplares dominantes, do género que consegue proteger os territórios mais extensos ou mais bem situados.

Em todos estes casos, assinalam os investigadores, a fêmea confia no sinal que o membro do outro sexo lhe enviou, o que poderá constituir um erro. Por exemplo, os pavões reais: se elas escolhem sempre os pretendentes com as caudas mais imponentes, estão a obrigar a Natureza a produzir caudas cada vez maiores. Todavia, há-de chegar o momento em que as penas alcançam tal extensão que se tornam uma carga para o macho, pelo que exibir uma plumagem exuberante deixa de significar que o seu dono é um candidato saudável, tendo-se tornado um exemplar formoso mas curvado pelo excesso de peso. Isto é, seria um caso de publicidade falsa e enganosa.

As fêmeas do reino animal aprenderiam, eventualmente, a identificar as características em que devem basear-se para escolher pretendentes saudáveis. Alguns especialistas consideram que é necessário, para determinado sinal masculino constituir uma mensagem credível, envolver um custo para o remetente. É aquilo que designam por “princípio do handicap”. Significa, por outras palavras, que apenas os machos realmente poderosos podem permitir-se exibir grandes chifres, plumas espampanantes ou danças e cantos espectaculares; em suma, dotes e acessórios de luxo. Os exemplares com atributos baratos são perigosos, pois podem transmitir genes em saldo, e é por isso que as fêmeas procuram plumas caras, danças sofisticadas e vozes potentes.

Os mais mentirosos da fauna

Apesar de tudo, há indivíduos que fazem batota e emitem falsas mensagens, não só no campo do amor como no da guerra ou na vida social. O pardal-das-neves é uma pequena ave que nidifica nas escarpas, exposta aos predadores. Quando um potencial inimigo se aproxima, em vez de ficar paralisado ou fugir espavorido, levanta uma asa, lastimosamente, como se estivesse partida, e caminha apenas com a rapidez suficiente para se manter fora do alcance do intruso. Depois de conseguir levá-lo para longe do ninho, levanta voo com toda a facilidade e regressa velozmente a casa.

Este tipo de truques não é exclusivo de cérebros relativamente complexos como os das aves. Os pirilampos são protagonistas de um fascinante drama de traição digno dos romances de suspense. O macho emite um padrão específico de impulsos de luz através de um órgão especial, situado no abdómen; depois, verifica se a fêmea lhe envia a resposta adequada e, no caso de esta ter sido favorável, aproxima-se para acasalar. Todavia, o D. Juan poderá deparar com uma surpresa fatal ao chegar junto da sedutora luzinha, pois há fêmeas predadoras de algumas espécies de pirilampos que copiam os sinais luminosos das outras para atacar e comer os noivos desprevenidos. Assim, embora as luzes mais potentes proporcionem aos machos uma vantagem evolutiva no que se refere à atracção que exercem sobre as fêmeas, também possuem o efeito adverso, pois atraem mais facilmente os predadores.

É difícil imaginar que um insecto tenha consciência de estar a recorrer a artimanhas, mas há exemplos entre os símios que não deixam margem para dúvidas de que eles agem intencionalmente. Na obra A Política dos Chimpanzés, o zoólogo e etólogo holandês Frans de Waal descreve situações em que diversos indivíduos dessa espécie, que estudou no Burgers’ Zoo, em Arnhem (Países Baixos), se comportaram com o intuito de enganar. Por exemplo, um chimpanzé chamado Yeroen começou a coxear visivelmente depois de ficar ferido numa luta com outro. Todavia, depois de o observar atentamente, De Waal e a sua equipa descobriram que apenas o fazia quando estava dentro do campo de visão do chimpanzé vitorioso. Mal dobrava a esquina, o coxear desaparecia como por artes de magia.

Dito e feito

Nos últimos anos, cientistas de todo o mundo têm descoberto curiosos casos de linguagem e comunicação animal. Eis alguns exemplos.

Quando uma formiga morre, as companheiras detectam o óbito e transferem-na para fora do formigueiro em menos de uma hora. Segundo Dong-Hwan Choe, da Universidade da Califórnia, sabem-no graças a dois mensageiros químicos, o dolicodial e a iridomirmecina, que as formigas vivas segregam na cutícula e que se evaporam passados 40 minutos da morte. É por isso que se desfazem dos cadáveres em decomposição, fonte de agentes patogénicos e poluentes.

Uma equipa do Departamento de Evolução Cognitiva de Harvard submeteu 14 saguins-de-cabeça-branca a uma aprendizagem acústica de palavras inventadas (shoybi, shoyka, shoyna) que partilhavam o prefixo shoy. Depois, leram-lhes pelo altifalante outra lista de vocábulos, introduzindo alguns em que o shoy surgia no final e não no início. Ao ouvir a palavra alterada, os símios ficavam a olhar para o altifalante, prova de que reconheceram a ordem de encadeamento dos sons, essencial para a aprendizagem.

As traças-tigre, Bertholdia trigona, emitem ultrassons que interferem no sistema de orientação dos seus predadores, os morcegos, segundo William Conner, da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte.

Os pios, gorjeios e silvos que alguns colibris emitem não são vocais, como se pensava, mas produzidos pelas penas da cauda, segundo um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Um estudo do biólogo colombiano Carlos Rocha mostra que a rã dourada do Panamá, Atelopus zeteki, comunica através de uma linguagem corporal baseada em sinais e gestos dos membros superiores.

A bióloga californiana Emily DuVal descobriu que os machos da ave tangará-cauda-de-lança, Chiroxiphia lanceolata, dançam aos pares para impressionar a fêmea (daí que seja conhecida, no Brasil, por “tangará-dançador”). Um deles ajuda voluntariamente o outro a conquistar a fêmea sem esperar qualquer recompensa imediata, mas esse comportamento solidário irá ajudá-lo a tornar-se dominante no futuro e a receber, por sua vez, apoio coreográfico de outro macho para conseguir acasalar.


SUPER 149 - Setembro 2010

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