sexta-feira, 30 de junho de 2017

Biografia - Arthur Wellesley, duque de Wellington

n.      30 de abril de 1764.
f.       14 de setembro de 1852.

Célebre general e político inglês, que incluímos neste nosso trabalho, pela grande parte que tomou na guerra Peninsular, relativamente a Portugal

Nasceu em Dublin a 30 de abril de 1764, e faleceu em Walmer Castle, a 14 de setembro de 1852.

O nome de Wellington tornou-se notável, pela bravura com que entrou em batalhas, comandando aguerridas forças em defesa do seu país, e precedido da mais gloriosa fama é que veia a Portugal, durante a campanha Peninsular e lhe prestou valiosos serviços. Foi o comandante de uma expedição que se reuniu em Cork e que foi mandada operar na Península. Na tarde de 9 de abril de 1809 o embarque das tropas estava terminado: A 12 a esquadra levantou ferro; e tendo o dia 10 chegado ás alturas da Corunha, o seu comandante demorou-se a conferenciar por um pouco com as autoridades da Galiza, dirigindo-se depois ao Porto, onde se decidiu que o desembarque se efectuasse junto à foz do Mondego, o que fez com toda a felicidade no dia 1 a 5 de agosto. Ao saber que um exercito inglês havia desembarcado em Portugal, Junot, comandante das tropas francesas que ocupavam este país, determinou opor-se ao progresso da invasão, para o que saiu o general Laborde de Lisboa, e Loison de Estremoz, afim de se reunirem em Leiria, ficando o general em chefe em Lisboa para reprimir qualquer movimento insurreccional, se por ventura se desse. Wellesley, avançando imediatamente depois do seu desembarque, não permitiu que se efectuasse esta reunião, e Laborde teve de recuar da Batalha para a Roliça, sendo nos arredores desta pequena povoação, que teve lugar o primeiro encontro entre os conquistadores da Europa, e aqueles que estavam destinados para os vencer; e aí começou verdadeiramente essa célebre guerra peninsular, de tão gloriosa nomeada na história do país, e em que tanto se distinguiram as tropas aliadas, que nela tomaram parte. A batalha da Roliça, posto que não tivesse tão grande desenvolvimento como outras muitas que depois se lhe seguiram, é com tudo uma daquelas, de que os veteranos peninsulares se recordavam com mais orgulho, e passa historia militar por um modelo do género; com efeito nada há tão bem disposto como aquele ataque de Wellington, e aquela resistência e retirada de Laborde. A falta de cavalaria no exército aliado foi causa de que a vitória não fosse tão completa como podia ser, efectuando o inimigo a retirada em boa ordem. A sua perda contudo foi considerável deixando em nosso poder grande número de prisioneiros e três peças de artilharia. Tendo, ao outro dia da acção, chegado de Inglaterra uma brigada de reforço, e outra no dia 20, Wellesley resolveu avançar para Mafra, flanqueando a posição dos franceses em Torres Vedras; infelizmente sir Harry Burrard, assumindo o comando em chefe do exército, paralisou este movimento, e não houve razões que o fizessem mudar de tão funesta resolução. Junot, sendo informado da derrota de Laborde, saiu a toda a pressa de Lisboa para assumir o comando, tinha precisão de combater imediatamente; qualquer demora equivalia a uma derrota, porque os viveres faltavam-lhe, e esperava a cada momento a notícia de que Lisboa se havia revoltado; andando pois toda uma noite e forçando a marcha, na madrugada do dia 21 de agosto fez alto a distancia de uma légua dos piquetes ingleses. A força dos dois exércitos era aproximadamente igual, porque, se os aliados eram um pouco superiores em infantaria, os franceses excediam-nos em cavalaria, sendo ambos quase iguais em artilharia. Junot fez imediatamente as suas disposições para o ataque, e ás 10 horas da manhã deste mesmo dia 21 começou a acção de Vimeiro. O inimigo foi avistado em grandes massas de cavalaria sobre a estrada da Lourinhã, e era evidente que o ataque principal seria contra as alturas, que ficam nesta estrada; e que formavam parte da esquerda, dos aliados; com efeito, este se efectuou com aquela impetuosidade, que caracteriza as tropas francesas, e sendo apoiado com grande parte da sua cavalaria, arma em que como dissemos, era superior aos aliados; mas coisa alguma pode exceder o valor e denodo, com que foi repelido pelas nossas tropas, carregando em linha, à baioneta. Quase ao mesmo tempo procurou atacar as alturas do centro, onde a sorte lhes foi igualmente adversa; graças ao valor das tropas, e ás sabias disposições tomadas por Wellington, que por uma circunstância feliz, nesse dia comandava em chefe. As tropas portuguesas foram colocadas na primeira linha, a pardas inglesas, e rivalizaram com elas em perícia e coragem, como o próprio general o confessou. Nesta acção, em que se empenharam quase todas as tropas francesas em Portugal, e comandadas pelo duque de Abrantes em pessoa, apenas tomou parte a metade das forças aliadas, e ainda assim foram aquelas inteiramente derrotadas, perdendo 13 peças de artilharia, 23 carros de munições e apetrechos de guerra, um oficial general ferido e prisioneiro (Brenier), e um grande numero de oficiais e soldados, mortos, feridos e prisioneiros. Mas como da batalha da Roliça se não puderam tirar as consequências, que eram de esperar, pela intempestiva chegada de sir Harry, assim também a de Vimeiro não apresentou os resultados que podia dar, devido também à intromissão não menos nociva de outro superior imbecil, sir Hew Dalrymple; este, em lugar de progredir em seus sucessos, e obrigar o exército inimigo a render-se à discrição, começou logo a entabular essas negociações, que deram em resultado a chamada convenção de Cintra. Este tratado, que o vencedor da Roliça e Vimeiro absolutamente desaprovou, o desgostou a ponto que o levou a dar, a sua demissão e voltar para Inglaterra. Aí tendo recebido os agradecimentos de ambas as câmaras pelo seu comportamento em Portugal, marchou para a Irlanda onde reassumiu o seu lugar de primeiro secretário. (V. Roliça e Vimeiro).

Em consequência dos acontecimentos que se deram por esta época, a Inglaterra desgostou-se um tanto do sistema de fazer a guerra no continente; mas tendo-se interrompido novamente as relações entre a Áustria e a França, e seguindo-se a guerra entre estas duas potências, o gabinete inglês inclinava-se um tanto a repetir os seus primeiros ensaios; para o que lord Castlereagh consultou Wellesley que foi absolutamente desta opinião, enviando-lhe uma memória para a defesa de Portugal e sistema a seguir nela. Aprovado o seu projecto, foi-lhe conferida a nomeação de comandante em chefe e nesta qualidade aportou ao Tejo em 22 de abril de 1809. Os dois exércitos mais principais que tinha a combater, chegando à península eram, ao norte, o que comandava o duque da Dalmácia, e ao sul, o que obedecia ás ordens de Victor, prevendo com o seu habitual talento que estes dois exércitos estavam bastante afastados para poderem prestar-se auxilio recíproco, resolveu atacar primeiro o que estava ao norte e depois voltar rapidamente ao Tejo, para ir com o auxilio do general Cuesta combater o de Victor. Em virtude deste projecto marchou para o Douro com a maior presteza, e chegou a Vila Nova de Gaia sem a mais pequena oposição do inimigo; mas encontrou ante si um obstáculo quase invencível, que era o próprio rio, para cuja passagem não havia meios de qualidade alguma. Das alturas de Vila Nova de Gaia Wellesley descobria já as bagagens de Soult, que desfilavam, pela estrada de Valongo; era evidente que o inimigo se retirava; podendo ainda lançar-se na Beira, destruir o corpo isolado do comando de Beresford, ou seguir directamente para a Galiza, Wellesley daquele mesmo ponto reconheceu quanto importante lhe seria ocupar na margem direita do Douro o edifício do Seminário, suficientemente forte para apoiar uma pequena força, que passasse primeiro, e podendo depois, quando reforçada, marchar directamente sobre a linha de retirada do inimigo com a qual o dito edifício comunicava. Segundo vários historiadores ingleses, deve-se a uma circunstância muito particular o ter podido vencer-se o obstáculo principal, que a isso se opunha, e que era o rio Douro, como dissemos. Um barbeiro, do Porto, tendo iludido a vigilância das sentinelas francesas, atravessou para a margem esquerda num pequeno bote, onde o coronel Waters o encontrou conversando com o prior de Amarante: prestando-se este último a auxiliar a empresa, os três passaram novamente à outra margem, donde voltaram em menos de meia hora com alguns barcos maiores. O inimigo só teve conhecimento destes movimentos depois que um batalhão efectuou o seu desembarque, e tomou posição debaixo das ordens do tenente general Paget; este primeiro corpo, em breve reforçado por uma brigada inglesa e um batalhão português, foi carregado pelo próprio general Soult e quase todas as suas forças de infantaria, cavalaria e artilharia; mas resistindo esses. denodadamente, e tendo aparecido no flanco esquerdo do inimigo a brigada inglesa, que havia passado em Avintes, e no direito as que o haviam feito abaixo de Vila Nova de Gaia, Soult, resolveu-se a retirar, deixando em nosso poder algumas peças de artilharia, muitas munições, e vários prisioneiros. Segue se a batalha de Talavera de la Reina, em que as tropas espanholas do general Cuesta cooperaram com o exército anglo-português e que, mais do que uma acção geral, foi uma série de combates horríveis. Ao cabo de dois dias de carnificina os franceses abandonaram o campo, supondo se que as suas perdas não seriam inferiores a 10.000 homens, e que as dos aliados excederam a 5.000. Mas circunstâncias particulares fizeram ainda com que da batalha e vitória de Talavera se não tirassem as consequências que eram de esperar. Para impedir que progredissem as doenças que começavam a grassar no exercito por causa das proximidades do Guadiana, e também para poder conseguir as provisões de boca que as autoridades espanholas não cuidavam em fornecer-lhe, Wellesley viu-se obrigado a retirar para a, fronteira de Portugal, indo acampar em Badajoz.

Entretanto, fora da península, Napoleão triunfava em toda a linha; as suas armas saíam vitoriosas de combates sucessivos, e o seu casamento com uma filha da casa de Áustria, prometendo-lhe uma paz duradoura no continente, dar-lhe-ia ensejo de concentrar na península hispânica toda a sua atenção e toda a sua força. Assim, a situação do exército anglo-português nada tinha de invejável, porque estava na contingência de ser aniquilado a breve prazo, e os combatentes, que não tinham ilusões a tal respeito, possuíam-se do mais profundo desânimo. Mas Wellesley via tudo, ponderava tudo, e em meados de Outubro partia para Lisboa a assegurar-lhe a defesa e a proceder ao levantamento dessas famosas linhas de Torres Vedras, Que com tão alto renome ficaram na história da guerra peninsular. Entretanto, supunha-se que os ingleses iam fazer-se ao mar; e que Portugal e Espanha ficariam à mercê de, Napoleão.

A Soult seguiu-se Massena que em 21 de junho tomou o comando do exercito francês, chamado o grande exercito de Portugal, e com ele invadiu o país, sendo esta a terceira invasão que se deu. Depois do cerco de Almeida, celebre pela explosão do castelo, que obrigou a uma capitulação (V. Almeida), Massena avançou por Viseu, e Wellesley retirou-se pela margem esquerda do Mondego, mas conhecendo-se evidentemente que o desígnio daquele era marchar sobre Lisboa, Wellesley resolveu esperá-lo, e, tomando posição no Buçaco, A 27 de setembro, Massena atacou o exercito aliado. Deu-se então a grande batalha, tão desastrosa para o exercito invasor, e na qual tanto Wellesley como as tropas do seu comando foram duma coragem admirável, ficara de o solo juncado de mortos e de feridos. (V. Buçaco, Batalha do). Depois o exercito aliado retirou-se para dentro das linhas de Torres Vedras, e então realizou se o que Wellesley, havia previsto. Massena, conservando-se seis semanas dentro delas, recuou ante o inexpugnável das posições, e perdendo pela fome e pelas doenças uma grande parte do seu exército, teve de atravessar novamente a fronteira, abandonando Portugal, onde apenas deixou guarnição em Almeida. Wellesley propôs-se então a fazer os sítios, tanto desta ultima praça como de Badajoz; mas os franceses ligando grande importância à sua posse; para nelas, estabelecerem a base para uma nova invasão, Massena acudiu a socorrê-las, saindo de Salamanca com um grande e luzido exercito. As forças aliadas eram inferiores quase um terço ás do comando de Massena, mas Wellesley ligava tanta importância ao bloqueio de Almeida, que preferiu arriscar o combate com esta desproporção numérica, a ter de o abandonar. Deu-se então a batalha, que tomou o nome de Fuentes de Oñor, da pequena aldeia, em que se apoiava a direita dos aliados. A batalha durou dois dias, em que o valor dos adversários foi inexcedível, batendo-se o exercito anglo-português com a fina flor das tropas francesas, sustentando se combates tremeu, dos à ponta de baioneta, disputando-se o terreno palmo a palmo: sob um furacão de fuzilaria; sem, que os famosos couraceiros de Montbrun, triunfantes em Wagram, com os soldados de Ney, vencedores dos russos em Friedland, conseguissem esmagar os seus contendores, antes tendo; por fim, de ceder-lhes o campo já quando alagado de sangue e coberto de cadáveres. Vendo que era impossível obter, um triunfo decisivo, Massena contentou-se em permanecer mais um dia em frente das nossas posições; retirando no outro pela estrada de Cidade Rodrigo.

À batalha de Fuentes de Oñor, seguiu-se o sítio de Badajoz interrompido pelo exército de Soult, o que deu lugar à sanguinolenta batalha de Albuera, em que os aliados, não obstante ganharem a vitória, tiveram ainda assim quase 2 terços do seu exército postos fora do combate: O sítio, novamente começado, pelos aliados, foi, ainda outra vez interrompido, porque o exército francês avançava, em força. Para o esperar, Wellesley tomou posição no Caia; e muito tempo esperou uma batalha geral; mas passando quase um mês, os franceses retiraram, marchando para o Norte os do comando de Marmont, e para Sevilha os que obedeciam a Soult, e Wellesley deixando Hill no Alentejo em observação a Gerard, mudou o seu quartel general para Portalegre, e logo depois para Fuentes Grinaldo. Em janeiro de 1810 tomou Wellesley aos franceses a praça de Cidade Rodrigo, após um cerco que durou onze ou doze dias; e que acabou por um renhido combate, e depois tomou-lhes Badajoz, após um cerco de vinte dias de trincheira aberta e um sangrento combate; em que as tropas anglo-lusas fizeram prodígios de valor. A 13 de junho, lorde Wellington atravessou o Águeda, e a 17 entrou em Salamanca, onde foi esplendidamente recebido. Continuou, porém, as suas operações, porque os franceses tinham retrocedido e estavam à vista, comandados por Marmont, e a sua força era considerável. Dias depois travou-se a famosa batalha de Salamanca, que se prolongou pela noite adiante e que serviu para Wellington pôr mais uma vez em relevo os seus, grandes dotes militares, mostrando-se em tudo digno da alta reputação que o seu nome tinha criado. Os dois generais inimigos rivalizaram em valentia, mas os franceses perderam por fim a acção e a batalha de Salamanca como que abriu aos aliados as portas de Madrid, posto que, para lá entrarem, tiveram ainda de travar alguns renhidos combates. De Madrid, avançou Wellington para Burgos, a cujo castelo pôs cerco; não pôde, porém, continuá-lo, por lhe faltarem os meios próprios, e sobretudo a artilharia de sítio, tendo de abandoná-lo ao cabo de trinta dias em que de parte a parte houve os maiores rasgos de valor e de coragem. O exército anglo-luso empreendeu então a sua retirada, que efectuou da maneira mais brilhante, retrocedendo para as alturas de S. Cristóvão, em Salamanca. Ambos os exércitos combatentes precisavam descansar. De parte a parte se haviam sofrido perdas enormes calculando se que só em doze dias tinham sido postos fora do combate 20.000 homens, e Wellington aproveitou o ensejo para fazer importantes reformas que o habilitassem a apresentar-se novamente em campo com todas as probabilidades de um bom êxito.

Organizado mais convenientemente o seu exército, em abril de 1813 estava já em condições de recomeçar a guerra; e tanto que a 13 daquele mesmo mês iniciou a sua última e mais importante campanha da península. Àquela data, os franceses ocupavam com forças consideráveis a margem direito do Douro, na qual tinham levantado importantes obras de defesa. Wellington julgou de melhor aviso torneá-las do que atacá-las de frente, e por uma hábil combinação que fez com as tropas espanholas da Galiza passou ao norte do rio, tomando assim de revés as posições inimigas e atacando-lhes o flanco direito, ataque tanto mais perigoso para os franceses quanto mais espalhados estavam, e por concentrarem. Assim, 70.000 ingleses e portugueses, espanhóis da Extremadura e 12.000 da Galiza, ao todo 90.000 combatentes, marcharam contra as massas inimigas disseminadas, que tiveram de retirar sucessivamente. Seguiu-se se uma série de combates mais ou menos importantes, até que o exército de José Bonaparte, já em plena retirada, tomou posição em frente de Vitoria. O terreno foi escolhido pelo marechal Jourdan, e era na realidade excelente campo de batalha, tendo apenas o defeito de ser grande de mais. Wellington tinha sobre o seu adversário a superioridade numérica, e este a da melhor composição do seu exército, que era mais forte em cavalaria e artilharia. A batalha de Vitoria (V. este nome) foi uma das mais importantes da Guerra Peninsular, porque dela resultou a desorganização total dos exércitos franceses que estavam reunidos, a perda da sua artilharia, bagagens, caixa militar, toda a correspondência e mais papéis do ex-rei José, e várias bandeiras. Entre os despojos da batalha de Vitoria, o duque de Wellington mandou para Inglaterra o bastão do marechal Jourdan, e em troca dele o príncipe regente lhe mandou o bastão de marechal de Inglaterra, ao qual se seguiu a nomeação de coronel do 1.º regimento das guardas depois da batalha dos Pirenéus. A praça de S. Sebastião da Biscaia foi tomada de assalto a 31 de agosto; o castelo capitulou a 10 de setembro, e a 7 de outubro o exército anglo-luso atravessou o Bidassoa. Em 1814 seguiu-se um armistício geral, a paz foi definitivamente estabelecida, e lord Wellington, que tinha sido um dos heróis da campanha, partiu para Paris na qualidade de embaixador. A 10 de junho desse ano voltou ao seu quartel-general a Bordéus, e ali se despediu do valente exercito peninsular que tinha sido seu companheiro de fadigas, de perigos e de glórias: A sua recepção em Inglaterra foi um verdadeiro triunfo. A 28 de junho, na sua qualidade de duque, tomou assento na câmara alta. O grande general entrou então na política, foi várias vezes ministro, gozando da maior consideração, chanceler da Universidade de Oxford, etc.

Biografia retirada daqui

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Conteúdo - Francis Bacon


This is a 15-volume collection of Francis Bacon's works published by Houghton Mifflin some time around 1900. Bacon's writings are presented in Latin and English. The editor's notes and contributions are in English.
The Internet Archive has all 15 volumes of this set. Below are links to all the volumes, along with a list of contents. (Some of the individual works have prefaces by the editors that are not listed below.)
  • Volume I: Life of Bacon; Preface to the Philosophical Works; Novum Organum
  • Volume II: Parasceve ad Historiam Naturalem et Experimentalem; De Augmentis Scientarum (start)
  • Volume III: De Augmentis Scientarum (concluded); Historia Ventorum; Historia Vitae et Mortis
  • Volume IV: Historia Densi et Rari; Inquisitio de Magnete; Topics Inquisitionis de Luce et Lumine; Sylva Sylvarum (start)
  • Volume V: Sylva Sylvarum (concluded); Cogitationes de Natura Rerum; De Fluxu et Refluxu Maris; De Principiis Atque Originibus Secundum Fabulas Cupidinis et Coele; New Atlantis; Magnalia Naturae; Cogitationes de Scientia Humana
  • Volume VI: Valerius Terminus; Advancement of Learning; Filum Labyrinthi; De Interpretatione Naturae Prooemium
  • Volume VII: Temporis Partus Masculus; Partis Instaurationis Secundae Delineatio et Argumentum; Redargutio Philosophiarum; Cogitata et Visa de Interpretatione Naturae; Inquisitio Legitima de Motu; Calor et Frigus; Historia Soni et Auditus; Phaenomena Universi; Descriptio Globi Intellectualis; Thema Coeli; De Interpretatione Naturae Sententiae CII; Aphorismi et Consilia; Physiological and Medical Remains
  • Volume VIII: Translations: The Great Instauration; The New Organon; Preparative Towards a Natural and Experimental History; Of the Dignity and Advancement of Learning, Books II and III
  • Volume IX: Translations: Of the Dignity and Advancement of Learning, Books IV-IX; Natural and Experimental History (start)
  • Volume X: Translations: Natural and Experimental History (continued); Thoughts on the Nature of Things; On the Ebb and Flow of the Sea; On Principles and Origins, According to the Fables of Cupid and Coelum; Description of the Intellectual Globe; Theory of the Heaven
  • Volume XI: History of the Reign of King Henry VII; The Beginning of the History of Reign of King Henry VIII; The Beginning of the History of Great Britain; In Felicem Memoriam Elizabethae, Angliae Reginae (and its translation)
  • Volume XII: In Henricum Principem Walliae Elogium (and its translation); Imago Civilis Julii Caesaris (and its translation); Imago Civilis Augusti Caesaris (and its translation); Essays or Counsels Civil and Moral; Appendix to the Essays; De Sapienta Veterum (start)
  • Volume XIII: De Sapienta Veterum (concluded); De Sapienta Veterum translated into English; Advertisement Touching a Holy War; Of the True Greatness of Britain; Colours of Good and Evil; Letter and Discourses to Sir Henry Savill, Touching Helps for the Intellectual Powers; Short Notes for Civil Conversation; Apophthegms
  • Volume XIV: Promus of Formularies and Elegancies; Religious Writings; Appendix to the Religious Writings; Preface to the Professional Works; Maxims of the Law; Reading of the Statute of Uses; Use of the Law
  • Volume XV: Discourse upon the Commission of Bridewell; Arguments of Law; Preparation for the Union of Laws; Answers to Questions Touching the Office of Constables; Ordinances in Chancery; Appendix; Index

Vídeo - Isto é Matemática T04E04 É Aquela Base

Biografia - Margem Sul


BIOGRAFIA
Banda de Corroios, Seixal, formada por Paulo Marreiros (voz e guitarra), o ex-Aqui d'el-Rock Carlos Cabral (guitarra), Luís Cabral (baixo) e Bruno Bernardo (bateria).

"Tempos Difíceis", "Pelas Ruas da Cidade", "Princesa", "Distância" e "Ilha" são os temas da maqueta "Primeiros Passos" de 1987.

Em 1988 participaram no Concurso de Música Moderna do RRV onde foram um dos grupos finalistas. O tema "Pelas Ruas da Cidade" aparece na colectânea "Registos de MMP" com bandas desse concurso.

Ainda chegaram a gravar um disco mas que nunca viu a luz do dia.

DISCOGRAFIA
Colectâneas
Registos (1989) - Pelas Ruas da Cidade

NO RASTO DE ...
Os irmãos Cabral têm um dos melhores estúdios da margem sul, o Boom Studio.

Paulo vive no Algarve e canta e toca ocasionalmente com os Últimos Suspeitos.

Bruno Bernardo tocou nos Loja de Neons, Urban Assault e Toxina.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Desenhos para colorir - Primavera


Biografia - Henry Torrens

n: 1779
m: 1828

Oficial em 1793, serviu nas Antilhas, participando na captura das ilhas de Santa Lúcia e São Vicente em 1796. Esteve em Portugal em 1798 e participou na campanha da Holanda em 1799, onde foi ferido. Em 1800 e 1801 esteve com o seu regimento no Canadá, tendo mais tarde ido para a Indía, onde participou na guerra contra os Maratas. Em 1807, paricipou na expedição de Buenos Aires, e em 1808 foi nomeado Secretário Militar de Wellington na expedição à Península Ibérica. Em 1809 foi nomeado Secretário Militar do Comandante-em-Chefe do Exército Britânico, e em 1812 foi escolhido para Ajudante-de-Campo do Príncipe Regente inglês. Promovido a Major-General em 1814, foi nobilitado no ano seguinte. Em 1820 foi nomeado Ajudante-general do Exército. 

Fonte:
David Chandler,
Dictionary of the Napoleonic Wars, 
Londres, Arms & Armour Press, 1979. 

Conteúdo - Síndrome de Asperger - Coordenação motora e percepção sensorial


Indivíduos com síndrome de Asperger podem ter sintomas ou sinais que são independentes do diagnóstico que possuem, mas tais características podem afetar o indivíduo ou até mesmo a família. Estes incluem diferenças na forma de percepção e problemas com a coordenação motora, sono, e emoções.

Muitos aspies possuem uma ótima audição e percepção visual. As crianças geralmente percebem diferentes padrões sendo modificados o tempo todo. Normalmente, isso é de domínio específico e envolve a processamento neurológico minucioso. Por outro lado, em comparação com os autistas de alto funcionamento, os indivíduos com SA possuem déficits em algumas tarefas que envolvem a percepção visual-espacial, percepção auditiva relacionada à grande concentração de pessoas, ou memória eidética. Muitos deles relatam outras habilidades sensoriais, experiências e percepções incomuns. Por outro lado, podem ser mais sensíveis ou insensíveis ao som, luz e outros estímulos, também encontrados em outros transtornos globais do desenvolvimento, sem exclusividade para a Asperger.

Os primeiros relatos de Hans Asperger e outros tipos de diagnóstico incluem descrições de imperícia física. Crianças com SA podem ser atrasadas na aquisição de habilidades que exigem destreza motora, como andar de bicicleta ou a abertura de um frasco, e parecem se mover sem jeito ou sentirem-se "desconfortáveis em sua própria pele". Assim, podem ser mal coordenados, uma postura errada ou incomum, má caligrafia, ou problemas com a integração visual-motora. Também, possivelmente apresentam problemas com a propriocepção, além de apresentarem dispraxia, como equilíbrio, marcha tandem, e a justaposição do dedo polegar. Não há evidências de que estes problemas de motricidade os diferem dos autistas de alto funcionamento.

As crianças são mais propensas a terem problemas de sono, como dificuldade para dormir, frequente insônia no meio da noite, terror noturno e acordar cedo. A síndrome também está associada a altos níveis de alexitimia, que é a dificuldade em identificar e descrever as próprias emoções. Apesar de na SA a qualidade do sono ser menor, e também existir alexitimia, não há relação direta entre os dois sintomas.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Conteúdo - HTML


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Conteúdo - Francis Bacon


A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. De modo geral, pode ser dividida em três partes: jurídica, literária e filosófica.

Obras jurídicas
Figuram entre seus principais trabalhos jurídicos os seguintes títulos: 
The Elements of the common lawes of England (Elementos das leis comuns da Inglaterra), Cases of treason (Casos de traição), The Learned reading of Sir Francis Bacon upon the statute os uses (Douta leitura do código de costumes por Sir Francis Bacon).

Obras literárias
Sua obra literária fundamental são os Essays (Ensaios), publicados em 1597, 1612 e 1625 e cujo tema é familiar e prático. Alguns de seus ditos tornaram-se proverbiais e os Essays tornaram-se tão famosos quanto os de Montaigne. Outros opúsculos, no âmbito literário: Colours of good and evil (Estandartes do bem e do mal), De sapientia veterum (Da sabedoria dos antigos). No âmbito histórico destaca-se History of Henry VII (História de Henrique VII) .

Obras filosóficas
As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. Nesta última, Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico.

Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo:

1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado, como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza), Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento), Historia naturalis (História natural), onde tenta aplicar seu método pela primeira vez;

2) Escritos relacionados com a Instauratio magna, mas não incluídos em seu plano original. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida), onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por ideias de caráter científico. Além deste, destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés);

3) Instauratio magna, onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes:

a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências), sistematização do conjunto do saber humano, de acordo com as faculdades que o produzem;

b)Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), exposição do método indutivo, trabalho esse que reformula e repete o Novum organum;

c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia), versa sobre a coleta de dados empíricos;

d) Scala intellectus, sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto), contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método;

e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda), onde faz considerações à margem do novo método, visando mostrar o avanço por ele permitido;

f) Philosophia secunda, sive Scientia activa e o resultado final, organizado em um sistema de axiomas.

Vídeo - Isto é Matemática T04E03 A Parte da Roda Que Anda Para Trás

Biografia - Mário Mata


BIOGRAFIA
Mário Mata nasceu em 2 de Setembro de 1960, em Luanda (Angola). Em Agosto de 1974 vem para Portugal continental fixando-se em Portimão. Reparte a casa entre várias localidades do Algarve.

A primeira aparição fora do circuito dos bares ocorreu em Dezembro de 1980 no Programa "Febre de Sábado de Manhã", realizado no Cinema Nimas, com o tema "Não Há Nada P'ra Ninguém". Em 1981 estabiliza-se definitivamente em Lisboa. 

"Não Há Nada P’ra Ninguém" é lançado em single e torna-se um dos maiores sucessos desse ano. É também lançado o álbum com o mesmo nome.

Em Maio de 1981, Mário Mata participou no programa "Febre de Sábado de Manhã" de homenagem ao jogador ArturMário Mata que levou 45.000 pessoas ao Estádio de Alvalade. 

Em 1982 é editado o álbum "Não Mata Mas Mói" e o single "É Pr'a Desgraça". No ano seguinte é lançado "Que Grande Seca", um novo single. 

É editado o LP "Deixa-os Poisar". Em 1986 lança os singles "Nunca Mais É Sábado" e "O Puto". Um dos convidados das gravações foi Jorge Palma ao Piano.

Participa no Festival RTP da Canção de 1987 com "É do Stress" que fica em 5º lugar.

Em 1994 lançou o CD "Somos Portugueses" que obteve algum sucesso popular com o tema título.

Depois de uma longa pausa regressou, em Julho de 2004, com o álbum "Dupla Face". O disco inclui uma nova versão de "Não Há Nada P’ra Ninguém" e outros temas como "Eu Vou À Bruxa", "Miúda Triste", "Fiquei Tão Bem" ou "Dupla Face".

Em 2006 foi um dos nomes presentes no concerto comemorativo do programa "Febre de Sábado de Manhã".

DISCOGRAFIA
Não Há Nada P’ra Ninguém (LP, Polygram, 1981)
Não Mata Mas Mói (LP, Polygram, 1982)
Deixa-os Poisar (LP, Discossete, 1986)
Somos Portugueses (CD, Vidisco, 1994)
Dupla Face (CD, Ovação, 2004)

SINGLES
Não Há Nada P’ra Ninguém/Não Te Cures Não (Single, Polygram, 1981)
É P'rá Desgraça (Single, Polygram, 1982)
Que Grande Seca (Single, 1983)
Nunca Mais É Sábado/Amanhã É Um Novo Dia (Single, 1986)
O Puto/Não Sei o Que Se Passa (estou a Ficar Sem Massa) (Single, 1986)
Noites de Lisboa/Chaves do Carro (Versão Disco) (Single, Vidisco, 1995)

COMPILAÇÕES SE
O Melhor de 2 - Dina e Mário Mata (Compilação, Universal, 2001)

NO RASTO DE...
O músico mantém um blog em http://www.prosasquerimam.blogspot.com

Informação retirada daqui


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Desenhos para colorir - Primavera


Biografia - Charles-Joseph-Hyacinthe du Houx, Conde e Marquês de Vioménil

n: em 22 de Agosto de 1734, no castelo de Ruppes, nos Vosges (França)
m: em  5 de Março de 1827 em Paris.

Alistou-se no exército francês em 1747, servindo no Regimento de Infantaria do Limousin, a tempo de participar na Guerra da Sucessão da Áustria (1742-1748). Esteve presente na batalha de Lawfeld nesse mesmo ano, vitória do exército francês do marechal de Saxe sobre o exército aliado, austro-britânico, do duque de Cumberland, e no cerco e conquista de Bergen op Zoom no ano seguinte. Durante a Guerra dos Sete Anos (1757-1763) participou ao lado do general François du Chevert (1695-1769), enquanto seu ajudante de campo, nas campanhas de 1757 e 1758 na Alemanha. Em 1768 foi enviado para a Córsega, no comando de uma brigada de infantaria, aquando da tomada de posse da ilha, comprada pela França à República de Génova. Regressando a França em 1769 foi promovido ao posto de brigadeiro em 1770. A partir 1780, com o posto de marechal de campo e enquanto comandante da artilharia, participou na Guerra da Independência dos Estados Unidos, acompanhando o irmão, o barão de Vioménil Antoine Charles de Houx (1728-1792), que tinha sido nomeado 2.º comandante das forças francesas enviadas para a América sob o comando do conde de Rochambeau. A sua acção na captura de Yorktown, que terminou de facto a guerra da independência, valeu-lhe uma pensão de 5.000 francos dada pelo rei. Regressado a França com a força expedicionária em 1783, foi nomeado em Fevereiro de 1789 governador da Martinica, uma pequena ilha produtora de açúcar nas Antilhas. Em fins de 1790 foi mandado regressar a França, devido à sua violenta repressão de levantamentos revolucionários.

Emigrou em 1791, o ano da «emigração militar», e fez as campanhas de 1792 e 1793 no Exército de Condé, uma pequena força militar formada pelos emigrados franceses na Alemanha. Em Agosto 1794 organizou um regimento para serviço da Grã-Bretanha, com a sua denominação, mas o regimento não conseguiu recrutar mais do que 266 homens e em Outubro de 1795 foi licenciado. Regressado ao Exército de Condé, ou dos Príncipes, recebeu o comando de uma brigada de cavalaria em 1796. Em 1798, já ao serviço da Rússia, governada pelo czar Paulo I, é promovido a tenente general e a general de cavalaria sendo nomeado comandante do exército russo na Samogitia, a região ocidental da Lituânia, anexada pela Rússia em 1795, devido à terceira partilha da Polónia. Mais tarde, foi nomeado comandante das tropas russas a enviar para a Itália, e que finalmente serão comandadas pelo marechal Souvorov. Em seguida, é enviado com 17.000 soldados russos para as ilhas inglesas de Jersey e Guernsey. Quando estas tropas regressaram à Rússia, Vioménil não as seguiu e veio a Portugal. Tendo regressado à Grã-Bretanha foi chamado de volta em Setembro de 1801, por solicitação de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, porque o governo já nessa altura tinha sérias dúvidas sobre as capacidade de comando do marechal do Exército conde de Goltz. 

Foi nomeado Marechal do Exército em 2 de Novembro de 1801, sendo acompanhado por um pequeno grupo de oficiais emigrados, admitidos ao serviço dois dias depois. Participou no Conselho Militar nomeado em 1 de Dezembro seguinte, para preparar as reformas necessárias ao exército, apoiando as propostas do general Forbes, sobretudo a que propunha a criação de um colégio para educação dos futuros oficiais de artilharia e engenharia - o futuro Colégio Militar. Voltou à Grã-Bretanha rapidamente, por motivo da exigência do embaixador francês em Lisboa, o general, e futuro marechal do Império, Lannes que exigiu em 1802 que ele fosse preso, com todo o seu estado-maior. Em Junho de 1802 já se encontrava ausente, de licença primeiro e com autorização depois.

Acompanhou Luís XVIII aquando da Restauração, tendo sido promovido a tenente general do exército francês e nomeado Par do Reino em 4 de Junho de 1814. Acompanhou o rei quando este foi para Gand, durante o governo napoleónico dos Cem Dias. Novamente em França, com a 2.ª Restauração, foi nomeado comandante da divisão militar sedeada em Bordéus, tendo sido transferido para a divisão militar da Bretanha em 1816. Promovido a Marechal de França em 3 de Julho desse mesmo ano, recebeu o título de Marquês em Agosto de 1817 sendo feito cavaleiro da Ordem do Santo Espírito em 1820.

Biografia retirada daqui

Conteúdo - Síndrome de Asperger - Fala e linguagem


Embora os indivíduos com Asperger não apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala, seu discurso carece de adaptações significativas, pois a aquisição e uso da linguagem é geralmente atípica. Os comportamentos incluem dificuldade no uso de linguagem social (não dizem "oi" e "tchau", não respondem o nome ou idade quando perguntadas, etc.) verbosidade, transições bruscas (entram ou saem de um ambiente repentinamente, mudam de assunto sem o uso de introduções, etc.), interpretações literais e má compreensão da nuance, uso de metáforas ou expressões idiomáticas, os déficits de percepção auditiva, pedantismo extremo, discurso idiossincrático e/ou formal, e excentricidade na sonoridade, afinação, entonação, prosódia, e ritmo. A ecolalia é uma característica encontrada em algumas pessoas com SA.

Três aspectos nos padrões de comunicação são de interesse clínico: prosódia pobre, discurso circunstancial e tangencial, e notável verbosidade. Apesar da inflexão e entonação ser menos rígida ou monótona do que no autismo clássico, as pessoas com SA têm, em alguns casos, uma gama limitada de entonação: a fala pode ser extremamente rápida, irregular ou alta. Sua fala pode transmitir incoerência; e seu método de discurso muitas vezes é uma espécie de monólogo sobre temas que não há espaço para comentários do interlocutor, e em alguns momentos pensamentos pessoais não são suprimidos. Portanto, tais indivíduos podem não conseguir perceber se o ouvinte está interessado ou envolvido na conversa e a excessiva honestidade aos expressar as próprias opiniões pode ser interpretada com rudeza. A conclusão do discurso pode nunca acontecer, e a compreensão do receptor acerca do assunto é rara.

As crianças com SA podem ter um vocabulário extraordinariamente complexo numa idade jovem e informalmente serem chamados de "pequenos professores", mas possuem dificuldade em compreender o sentido figurado e normalmente interpretam tudo de forma literal. Assim, mostram ter fraquezas particulares em áreas da linguagem não literal como o humor, ironia, provocação e sarcasmo. Embora geralmente compreendem a base cognitiva do humor, não parecem entender sua origem para rirem com os outros. Apesar da apreciação de humor aparentemente prejudicada, habilidades na área em alguns existem e são exceções que desafiam os estudos acerca do autismo.

domingo, 25 de junho de 2017

Powerpoint - Biometria


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Conteúdo - Francis Bacon


Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida, tentando realizar na prática seu método. No inverno de 1626, estava envolvido com experiências sobre o frio e a conservação. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. Morreu em 9 de abril, vítima de uma bronquite. Encontra-se sepultado em St Michael Churchyard, St Albans, Hertfordshire na Inglaterra.

Efetivamente, Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. Sua teoria dos idola antecipa, pelo menos potencialmente, a moderna Sociologia do Conhecimento. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem moderno. Ademais, Bacon foi um escritor notável. Seus Essays são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna. Há muitos que acreditam que tenha sido ele o verdadeiro autor das peças de Shakespeare, teoria surgida há séculos, na chamada Questão da autoria de Shakespeare.

1558 — Morte de Maria I, que é sucedida por Elizabeth I.
1561 — Nasce Francis Bacon.
1564 — Nasce Galileu Galilei
1576 — Bacon viaja para França.
1588 — Derrota da Invencível Armada.
1596 — Nasce Descartes.
1618 — Bacon é Lorde Chanceler e barão de Verulam.
1620 — Publicação de Novum Organum
1621 — Bacon é acusado de corrupção
1624 — Publicação de Nova Atlantis
1626 — Morte de Bacon.

Vídeo - Isto é Matemática T04E02 Para Onde Foi o Quadrado

Biografia - Mata Ratos


BIOGRAFIA
O grupo formou-se em 1982. A formação original incluía o vocalista Jorge "Morte Lenta" Leal, o guitarrista Pedro Coelho, o baixista Pinela  e o baterista Jó (Jorge Cristina).

As aspirações tornaram-se  mais profundas em 1988. Nesta altura, o grupo era constituído por Miguel Newton (voz), Pedro Coelho (guitarra), Cascão (baixo) e Jó (bateria).

A primeira edição oficial dos Mata-Ratos foi a maqueta homónima, edição da Raticida Records, gravada em 1989. Oito temas entre os quais "A Minha Sogra é Um Boi" , "O Eterno Enrabado" e "Jardim da Celeste". A cassete venderia cerca de 700 cópias.

Em 1989 concorrem ao 6º concurso do Rock Rendez-Vous mas são afastados da final. 

O grupo assina pela EMI-VC. Em Maio de 1990 gravam em Paço de Arcos o seu álbum de estreia com produção de Paulo Pedro Gonçalves.

"Rock Radioactivo" é editado em Julho de 1990. O disco, com clássicos como "A Minha Sogra é Um Boi", "Xavier" e "Armando É Um Comando",  atinge o 5º lugar do top português e vende mais de 6 mil cópias.

Em 1990, Cascão e Jó saem e o grupo está vários meses sem ensaiar. Entram Cenoura (baixo) e Alberto (bateria). Em Agosto de 1991, João Brr entra para o lugar de Cenoura.

Em Dezembro de 1991 gravam cinco temas ("Xu-Pa-Ki", "Expulsos do Bar", "Paralisia Cerebral",  "Aníbal Caga Tudo" e "Tira, Enrola e Come") para apresentar à editora. A EMI não aceita os temas e o grupo rescinde o contrato.

Em 1993, Moles e Delfin entram para os lugares de Brr e de Alberto.

"Expulsos do Bar",  EP em vinil  com os temas gravados em Dezembro de 1991, é editado em 1994. No ano seguinte foi editado (reedição em vinil cinzento) na Alemanha pela editora Street Beat.

Ainda em 1994, a Drunk Records editou um split-CD com temas de Mata-Ratos, Pé de Cabra e Garotos Podres. O registo incluía três dos cinco temas do EP "Expulsos do Bar" mais oito temas gravados ao vivo.

Em 1995 foi editado o disco "Estás Aqui, Estás Ali". Os Mata-Ratos, em conjunto com o grupo brasileiro Garotos Podres, fazem uma digressão pela Alemanha de forma a promover este novo disco. As duas bandas lançam o split EP "Bebedeiras & Miúdas Tour 95" (Walzwerk).

Em 1996,  Vieira entra para o lugar de Delfin e Gordo Metralha substitui Moles.

"Xu-Pa-Ki 82-97", uma edição limitada, comemorativa dos 15 anos de carreira do grupo, é editada em 1997. A compilação inclui temas do EP "Expulsos do Bar", temas incluídos na compilação "Vozes da Raiva", músicas ao vivo e músicas das primeiras maquetas. 

Em Outubro de 1997, os Mata-Ratos gravam o disco "Sente o Ódio". A seguir à gravação deste disco, Pedro Coelho decide sair do grupo.

"Sente o Ódio" só seria editado em 1999, através da Alarm! Records (subsidiária da Guardians Of Metal). O disco inclui 12 temas entre os quais, "Festa Tribal", "Entre Os Destroços" e "Leis de Merda".

Ainda em 1999 é editado, pela francesa Crânes Blasés, o 7'' EP "Crime", gravado já com a nova formação. Trata-se de uma edição limitada a 555 cópias (vinil colorido) que inclui um tema inédito e três antigos.

No ano de 2000, o grupo grava, no formato CD-r, "Por Um Punhado de Ratos" (B.A.R. Prod).

É editado um split-CD, de Mata-Ratos e Urban Crew, em 2002. Em Novembro de 2002 andam em tournée (Portugal, França, Espanha e Bélgica) com os The Suspects.

Em Setembro de 2003, a Rastilho edita um EP em Vinil com 4 temas (três inéditos e um tema gravado ao vivo). A edição de "Deus, Pátria e Família" é limitada e numerada a 525 cópias. A formação actual inclui Miguel Newton (voz), Bacala (bateria), Bibi Ramone (baixo) e Arlock Dias (guitarra).

Participam no disco "Hangover HeartAttack" de tribito aos Poison Idea.

Bacala e Bibi saem e dá-se o regresso do baterista Ricardo Vieira e a entrada de Arlock Esteves para o baixo.

O álbum "És um Homem ou és um Rato" é editado em Junho de 2004 pela Ataque Sonoro.

Em 2005 é editado "Festa Tribal" gravado ao vivo em Martingança (Maceira/Leiria), em 24/04/05, que agrupa 20 temas do grupo. O registo inclui ainda um cd-extra com conteúdos multimédia.

Regressam em 2007 com novo disco. Em 2010 é editado um disco de tributo aos Mata Ratos.

DISCOGRAFIA
Rock Radioactivo (LP, EMI-, 1990)
Expulsos do Bar (EP, Drunk/Fast'n'Loud, 1994)
Estás Aqui,  Estás Ali! (CD, Drunk/Fast'n'Loud, 1995)
Xu-Pá-Ki 1982-1997 (Compilação, Drunk/Fast'n'Loud, 1997)
Sente o Ódio (CD, Alarm! Records, 1999)
És Um Homem Ou És Um Rato? (CD, Ataque Sonoro, 2004)
Festa Tribal (2CD, Rastilho/Compact, 2005)
(CD, 2007)

SINGLES
Mata-Ratos, os Pé de Cabra e Garotos Podres (Split Cd, Drunk, 1994)
Bebedeiras e Miúdas Tour 1995 [Mata-Ratos/Garotos Podres] (split 7´´, Walzwek, 1995)
To The East And To The West - Portugal Vs. Czchec Republic (7"EP, Bastard Rec./Fast'N'Loud, 1998)
Crime (7'', Crânes Blasés, 1999)
(LISBONNE VS. PARIS) Mata-Ratos/Urban Crew (Split-CD, Bords du Seine, 2002)
Deus, Pátria & Família (7'' EP, Rastilho, 2003 )

Colectãneas
Vozes da Raiva Vol. 1 [Drunk] (1994) - Xu-pa-ki/Expulsos do Bar/Paralisia Cerebral/ O Teu Funeral/Inocente o Doente/Vozes da Raiva/Festa Tribal/Jardim da Celeste/Carnes No Inferno/Os Mortos Também Dançam/Crime
Play It Loud [Fast'N'Loud] (1995) - Paralesia Cerebral
Oi! Um Grito de União [Rotten] (1995) -  
Vozes da Raiva 2 (1995) - 7 Dias Uma Vida/O Porco Que .../Zebedeu/Pequenas Hemorróidas/O Eterno Enrabado
Songs About Drinking [Too Many Records] (1996) - Expulsos do Bar
We Are The Bois! [Bronco Bullfrog] (1996) - Zebedeu / O Eterno Enrabado
Caught In The Cyclone [Cyclone] (1997) - Napalm na Rua Sésamo
Caos Em Portugal [Fast'N'Loud] (1997) - Aníbal Caga Tudo / Pedra No sapato
Scene Killer! [Outsider] (1998) - O Eterno Enrabado
Hangover HeartAttack - A Tribute to Poison Idea [Ataque Sonoro] (2003) - Drain - A Verdade Por Trás
Rock'n'Riots (2004) - No Meu Sonho Era o Figo/*
A Portuguese Nightmare [Raging Planet] (2004)

NO RASTO DE...
Pedro Coelho e João Brr formaram os Anti-Clockwise.


Informação retirada daqui

Biografia - Alexander Fleming




"Não inventei a penicilina.
A natureza é que a fez.
Eu só a descobri por acaso."






Harry Lambert estava a morrer, a temperatura subira e o corpo era sacudido por constantes espasmos e soluços incontroláveis. Alexander Fleming estava convencido que restavam a Harry poucos instantes de vida. Não tinham conseguido isolar o micróbio que o atacava e os poucos medicamentos de que dispunham tinham agravado, ainda mais a situação. Inicialmente, parecia uma espécie de gripe, mas à medida que o seu estado foi piorando, começaram a surgir sintomas de meningite.

Após a colheita de uma amostra de líquido cefalo-raquidiano, conseguiu isolar uma estirpe da bactéria estreptococos extremamente virulenta. As hipóteses de Harry esgotavam-se, mas Fleming decidiu tentar mais uma vez. Telefonou a Howard Florey, chefe de uma equipa de cientistas que desenvolvia, em Oxford, um novo medicamento a partir da penicilina descoberta 14 anos antes por Fleming. Florey forneceu toda a penicilina existente, em Oxford, para o tratamento do paciente de Fleming, explicando minuciosamente a forma de utilização deste medicamento.

A penicilina foi injectada no paciente e foi verificado o extraordinário efeito produzido por esta. O paciente acalmava progressivamente, e ao fim de 24 horas a febre desaparecera. As injecções prolongaram-se pela semana, mas o paciente começou a mostrar sinais de recaída; a temperatura aumentou e voltou a ter fases de delírio.

Fleming retirou mais uma amostra de líquido cefalo-raquidiano e observou-o em busca de penicilina, mas não encontrou nenhuma. Isto significava que os estreptococos não eram destruídos no líquido cefalo-raquidiano. Fleming telefona, então, a Howard e questiona-o se já teria tentado injectar penicilina directamente no canal raquidiano de um paciente - a resposta foi negativa. De qualquer forma, Fleming decidiu tentar a sua sorte, e injectar a penicilina no canal raquidiano de Lambert. Ao mesmo tempo que Fleming procedia a este delicada intervenção, Florey injectou penicilina no canal raquidiano de um coelho e este teve morte imediata!

No entanto, o quadro clínico do paciente teve aqui a sua reviravolta. Lentamente a febre baixou, e voltou a estar consciente. Nos dias seguintes recebeu mais injecções e as melhorias tornaram-se mais acentuadas. Passado um mês, saia a pé do hospital, completamente curado.



Alexander Fleming, ou Alec, como todos o chamavam, nasceu numa remota quinta nas terras altas do Ayrshire, no sudeste da Escócia, a 6 de Agosto de 1881.

Do primeiro casamento o pai teve 4 filhos; após a morte da mulher casou-se com Grace, aos 60 anos, de quem teve mais 4 filhos, dos quais Alec era o terceiro. O pai faleceu, quando Alec tinha ainda sete anos; a partir desta data a mãe e o irmão Hugh passaram a dirigir a família e a cuidar da exploração de gado, e o seu irmão Tom partiu para Glasgow para estudar medicina. Alec passava os dias, nesta época, com o irmão John, dois anos mais velho, e com Robert, dois anos mais novo: exploravam a propriedade, seguiam os ribeiros e pescavam nas águas do rio... Desde cedo que Alec ficou fascinado pela natureza, desenvolvendo um sentido excepcional de observação do que o rodeava.

No verão de 1895, Tom propôs-lhe que fosse estudar para Londres, onde este tinha um consultório que se dedicava a doenças oculares. Juntaram-se, assim, os três irmãos em Londres: Alec, John e Robert. John aprendeu a arte de fazer lentes (o director da empresa onde ele trabalhava era Harry Lambert, o famoso paciente de Alec) e Robert acompanhou Alec na Escola Politécnica. Aos 16 anos, tinha realizado todos os exames, mas não tinha ainda certeza sobre qual o futuro a seguir. Assim, empregou-se numa agência de navegação da American Line.

Em 1901, os irmãos Fleming receberam uma herança de um tio recentemente falecido. Tom utilizou-a para abrir um novo consultório e assim, aumentar o número de clientes. Robert e John estabeleceram-se por conta própria como fabricantes de lentes, onde obtiveram um enorme sucesso. E Alec utilizou a sua parte da herança para tirar o curso de medicina, ingressando em Outubro de 1901 na Escola Médica do Hospital de St. Mary.

Apesar de ter seguido medicina para fugir à rotina do escritório, apercebeu-se rapidamente que gostava bastante do curso. Incrivelmente, tinha ainda tempo para praticar actividades extracurriculares: jogava pólo aquático, entrou para a Associação Dramática e para a Associação de Debates e tornou-se um membro distinto do Clube de Tiro.

Em Julho de 1904, fez os primeiros exames de medicina, e pensou seguir a especialidade de cirurgia. Dois anos mais tarde, completou o curso de medicina, preparando-se para continuar na escola médica, onde iria realizar um exame superior que lhe daria mais opções para o futuro.

John Freeman, um dos membros do Clube de Tiro, arranjou a Fleming um trabalho no Hospital de St. Mary, de forma a garantir a sua participação no campeonato de tiro. Assim, nesse verão, Fleming ingressou no Serviço de Almroth Wright - Professor de Patologia e Bacteriologia - um dos pioneiros da terapia da vacinação. Era uma solução temporária, mas o trabalho apaixonou-o tanto que não iria mais abandonar este serviço. Ali estudavam-se, principalmente, as consequências das vacinas no sistema imunitário. Tentavam identificar as bactérias que provocavam uma dada doença, e para obterem uma vacina contra essas bactérias, cultivavam-nas, matavam-nas e misturavam-nas num líquido.

Em 1908, Fleming fez novos exames, onde obteve Medalha de Ouro. E decidiu preparar-se para o exame de especialidade que lhe permitia ser cirurgião. Um ano mais tarde, concluiu esse exame – ainda assim optou por permanecer com Almroth Wright.

Á medida que o seu trabalho prosseguia, Fleming ganhava fama como especialista da terapia de vacinação. Simultaneamente, torna-se conhecido ao simplificar o teste da sífilis.

No início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, Fleming foi transferido juntamente com toda a equipa de Wright para um hospital em França. A aplicação da vacina de Wright evitou a perda de muitas vidas no exército britânico. Realizaram, durante este período, diferentes investigações e melhoraram o tratamento das feridas infectadas (estas medidas só viriam a ser implementadas durante a 2ª Guerra Mundial).

Numa das suas curtas licenças, Fleming casou-se em Londres, a 23 de Dezembro de 1915, com Sally McElroy, mais tarde conhecida por Sareen. Logo após o casamento, Fleming voltou para França. A sua vida matrimonial só iria iniciar verdadeiramente em Janeiro de 1919, quando voltou para Inglaterra. Algum tempo depois, o seu irmão John casou-se com a irmã gémea de Sally, Elisabeth McElroy, estreitando-se assim os laços entre a família Fleming e a McElroy.

Corria o ano de 1921, quando Fleming descobriu as lisozimas, a partir da observação de uma cultura de bactérias, já com algumas semanas. As lisozimas são hoje conhecidas como sendo a primeira linha do sistema imunitário. Mas, na altura, não se tinha inteira consciência do que isso significava, e seriam precisos anos de investigação para se conhecer bem esse sistema de defesa. Como tal, ninguém se apercebeu da real importância desta descoberta e Fleming também não era homem para obrigar os outros a prestarem-lhe atenção.

Numa manhã de Setembro de 1928, Fleming percorria o laboratório central, levando uma cultura que parecia achar bastante interessante. Todos deram uma vista de olhos, mas a maioria pensou tratar-se de mais um exemplo da acção da lisozima, só que desta vez sobre um fungo. Na realidade, este fungo apresentava uma acção nunca conseguida pela lisozima; atacava uma das bactérias que causava um maior número de infecções – Estafilococos. Aparentemente, um bolor desconhecido que aparecera, por acaso, numa placa de cultura, dissolvia as bactérias, e não atacava o organismo humano.

Alec tornou-se um coleccionador fanático de fungos, não se convencia de que aquele fosse o único com propriedades excepcionais. A sua busca permanente tornou-se famosa entre amigos e familiares: queijo, presunto, fatos velhos, livros e quadros antigos, pó e sujidade de toda a espécie – nada escapava à caça de Fleming. Mas o seu fungo era de facto único; quanto mais o estudava, mais extraordinário lhe parecia, até matava as bactérias causadoras da gangrena gasosa. Descobriu, ainda, que podia utilizar a penicilina para isolar bactérias como, por exemplo, as que estão na origem da tosse convulsa. Este uso laboratorial na selecção de bactérias, fazia da penicilina o primeiro dos grandes antibióticos.

Paralelamente, uma equipa em Oxford, chefiada por Howard Florey e Ernst Chain, começou a trabalhar no desenvolvimento da penicilina. Quando Fleming ouviu falar dessa investigação científica, dirigiu-se imediatamente para lá, visitando as instalações e ficando a conhecer os últimos avanços.

Em 12 de Fevereiro de 1941 surgiu a oportunidade de tratar o primeiro doente! Tratava-se de um polícia chamado Albert Alexander, com um arranhão infectado, causado pelo espinho de uma rosa. Após um período de sensíveis melhorias, as bactérias invadiram, novamente, o organismo. Mas não havia penicilina disponível para o tratar, e faleceu a 15 de Março.

O segundo doente foi um rapaz de 15 anos com uma infecção pós-operatória, após a administração da penicilina recuperou por completo. Outros seis doentes foram tratados com penicilina e melhoraram significativamente. E como estes, mais doentes foram salvos.

Em Agosto de 1942, deu-se o caso de Harry Lambert. Até então, Fleming não tivera oportunidade de ver actuar a "penicilina de Oxford". Poucos dias após a cura de Harry Lambert, o caso chegou aos jornais. A partir de então, Fleming deixou de ter vida privada, já que os resultados obtidos anteriormente tinham sempre passado completamente despercebidos.

O relato da descoberta da penicilina e a história dos primeiros anos de Fleming passados na Escócia rural entusiasmou a imaginação popular. Porém, a felicidade destes anos terminou com o agravamento do estado de saúde da sua mulher, Sareen, que faleceu a 28 de Outubro de 1949. Com a sua morte, Fleming ficou extremamente só. A porta do laboratório – normalmente sempre aberta aos visitantes – passou a estar fechada. Só a muito custo é que a paixão pelo trabalho conseguiu distraí-lo do seu desgosto e fazê-lo retomar parte da sua antiga vitalidade.

Depois da II Guerra Mundial, uma jovem cientista grega, Amalia Voureka, veio colaborar com Fleming no laboratório. Passou a ser a sua companheira predilecta, e por fim, em 1953, casou-se com Fleming. Alec continuou a trabalhar e viajar até à sua morte, que ocorreu inesperadamente, a 11 de Março de 1955, devido a um ataque cardíaco.

"Não há dúvida que o futuro da humanidade depende, em grande parte, da liberdade que os investigadores tenham de explorar as suas próprias ideias. Embora não se possa considerar descabido os investigadores desejarem tornarem-se famosos, a verdade é que o homem que se dedicar à pesquisa com o objectivo de conseguir riqueza ou notoriedade, escolheu mal a sua profissão! Alexander Fleming

Glória Almeida

sábado, 24 de junho de 2017

Desenhos para colorir - Primavera


Biografia - Charles Vincent

n: 21 de Março de 1753 em Bourg-en-Bresse (França)
m: 1831

Oficial de Engenharia em 1773, estuda na Escola de Mezières, com o posto de 2º tenente. Exerce a sua actividade na Ilha de São Domingos de 1786 a 1801, sendo tenente-coronel em 1796. Em 1802 é nomeado director de fortificações no Exército de Itália.
Em 1807, já Coronel, e em comissão de serviço em Baiona, é nomeado Comandante da Engenharia do 1º Corpo de Observação da Gironda. Com o regresso a França, é enviado para a Toscânia como Director da sua arma. Em 1814 é nomeado Marechal de campo honorário e oficial da Legião de Honra, antes de ser reformado.

Fonte:
António Pedro Vicente,
Le Génie Français au Portugal sous l'Empire, 
Lisboa, Serviço Histórico Militar, 1984. 

3ºAno - Estudo do Meio - Vídeo - Sistema Cardiovascular

Conteúdo - Síndrome de Asperger - Comportamentos repetitivos e restritos


Os indivíduos com Síndrome de Asperger geralmente possuem comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas, por vezes focadas de forma intensa e anormal. Além disso, apego à rotinas, movimentos estereotipados e repetitivos, ou preocupação exacerbada com certos objetos são algumas das características que apresentam.

A obsessão por áreas específicas do conhecimento é uma das características mais marcantes da SA. Tais pessoas geralmente se informam e possuem leitura profunda de assuntos nos quais se interessam, como dados meteorológicos ou nomes de personalidades notórias, sem necessariamente ter uma verdadeira compreensão do tópico geral. Por exemplo, uma criança pode memorizar modelos de câmeras enquanto pouco se importa com fotografia. Este comportamento é comum em torno dos 5 ou 6 anos. Embora seus focos mudem de tempos em tempos, normalmente parecem bizarros e pelo foco exagerado, dominam tanto o assunto que causam a curiosidade da família. Há vezes em que os interesses restritos de crianças com Asperger passam despercebidos pelos pais. A família tende a achar que são "manias da infância" e que a criança apenas tem uma forte preferência por isso ou aquilo, que é um traço de personalidade ou temperamento, e quando alguns desses assuntos de interesse são relativamente normais, como carros, dinossauros ou bonecas, a obsessividade e restrição ficam ainda mais mascaradas, sendo ainda menos percebidas pela família.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Powerpoint - Erros na BIOS e UPGRADES


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Biografia - Frédéric Chopin

Conteúdo - Francis Bacon


O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenómenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico, mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenómenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenómenos.

Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam), a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e, pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia.

O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão.

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Notícia - Uma vida artificial

A revolução das criaturas sintéticas

Em Maio, um grupo de cientistas anunciou ter conseguido criar a primeira bactéria com ADN artificial. Trata-se de um passo de gigante na corrida para fabricar novos seres a partir do zero.

Imagine células sanguíneas a transportar pelas suas veias não apenas o oxigénio necessário para a sobrevivência como, também, fármacos. Imagine sangue desidratado e armazenado durante meses, ou anos, que fosse possível levar para qualquer parte, incluindo o espaço. Imagine transfusões feitas sem risco de contrair qualquer doença. É o que vende a promissora biologia sintética.

O termo foi criado, em 1974, pelo oncologista polaco Waclaw Szybalski: “Até agora, temos estado a trabalhar na fase descritiva da biologia molecular. Todavia, o verdadeiro desafio começará quando entrarmos na fase da biologia sintética. Nessa altura, desenvolveremos novos elementos de controlo para serem acrescentados a genomas já existentes, ou criaremos outros totalmente novos.” Esta combinação de bioquímica e genética colocava duas questões que estamos, actual­mente, muito perto de conseguir resolver: qual o número mínimo de genes necessário para poder haver vida? É possível criar um ser vivo ex novo?

Em Março de 2004, partia do porto de Halifax, no Canadá, o Sorcerer II, o iate privado do conhecido empresário e biólogo John Craig Venter, um dos “pais” do Projecto Genoma. A missão de dois anos consistia em circumnavegar a Terra para recolher espécimes das comunidades microbianas marinhas e avaliar a sua diversidade genética. A expedição Global Ocean Sampling (GOS) reuniu mais de seis milhões de genes e milhares de novas famílias de proteínas.

A energia do futuro, em ADN?

De todos os genes obtidos, Venter está particularmente interessado nas 20 mil que fabricam proteínas que podem metabolizar hidrogénio; o seu faro de homem de negócios diz-lhe que ganhará dinheiro se encontrar uma solução biológica para o problema das novas fontes de energia. Está também de olho no gene da proteína rodopsina, que os vertebrados possuem nas células da retina e que traduz a energia luminosa em impulsos nervosos. Por que será que este pigmento visual foi encontrado nas bactérias marinhas pescadas por Venter? Os microbiólogos pensam que funciona como bóia de sinalização: quando está muito escuro, a rodopsina não produz impulsos eléctricos e o micróbio sabe que se encontra a demasiada profundidade.

Na base do plano de trabalho do biólogo está a identificação da estrutura mínima do genoma necessária para uma bactéria poder subsistir exclusivamente em condições controladas em laboratório, a fim de se poder implantar-lhe genes sintéticos com capacidade para criar biocombustíveis. Depois, será preciso criar uma célula-zombie: retira-se o material genético ao microrganismo para ser substituído pelo ADN artificial. Na última década, foi essa a meta dos J. Craig Venter Institutes (http://www.jcvi.org), em Rockville e San Diego.

Em Junho de 2007, os seus cientistas conseguiam transformar a bactéria da espécie Mycoplasma capricolum noutra, Mycoplasma mycoides, ao substituir o cromossoma da segunda pelo da primeira. Em Janeiro do ano seguinte, Venter e o seu antigo colaborador Hamilton Smith (Prémio Nobel em 1978) anunciavam a criação do primeiro ADN sintético com base no Mycoplasma genitalium, uma bactéria que infecta o aparelho genital dos primatas.

Para não restarem dúvidas de que era artificial, os cientistas criaram um código semelhante ao Morse, mas em que o papel dos pontos e traços era desempenhado pelas quatro “letras” do ADN: timina (T), guanina (G), citosina (C) e adenina (A). Com as letras e os restantes componentes do ADN, formaram uma sequência que, adequadamente descodificada, revelava o nome dos 46 investigadores envolvidos no projecto, o endereço de uma página da internet para onde enviar uma mensagem de correio electrónico se alguém conseguisse decifrar o código, e três citações: uma de James Joyce, outra do físico Richard Feynman e uma outra do livro American Prometheus, a biografia de J. Robert Oppenheimer, um dos pais da bomba atómica.

Em Maio, deram o derradeiro passo: a criação inédita de um organismo sintético. Para fabricar o Mycoplasma mycoides JCVI-syn 1.0 (Synthia, como lhe chamam familiarmente os investigadores), sintetizaram ADN do genoma de M. mycoides e transplantaram-no para uma M. capricolum. Smith recorre a uma metáfora informática para explicar o processo: “O genoma é o sistema operativo, e o citoplasma (o recheio celular) é o equipamento necessário para o executar. Os dois juntos fazem que uma célula funcione.”

Os problemas de “Synthia”

Os problemas começaram quando se tentou “reiniciar” a criatura, pois muitos dos genes sintéticos não trabalham e os que funcionam não têm qualquer utilidade. As bactérias obtidas desta forma limitam-se a crescer e a reproduzir-se. Apesar disso, Venter declarou que se trata da “primeira célula sintética, pois contém um cromossoma fabricado com quatro frascos de produtos químicos, um sintetizador comercial e um computador”.

Embora, em termos conceptuais, Synthia não traga nada de novo, do ponto de vista tecnológico é um verdadeiro tour de force. Manipular grandes pedaços de ADN, sobretudo quando se pretende que encaixem e formem uma sequência com total precisão, é extremamente complexo. “A criação e inserção de um genoma sintético com mais de um milhão de pares de bases [as “letras”] é um autêntico feito”, diz a bioquímica Frances Arnold, do California Institute of Technology, em Pasadena.

Todavia, o mais importante é o conceito radical que implica: esbateu-se a linha de separação entre o vivo e o não-vivo, um caminho aberto pelo químico alemão Friedrich Whöler, em 1828, ao sintetizar um composto orgânico, a ureia, a partir de moléculas inorgânicas. Em meados do século XX, a biologia molecular demonstrou que as leis físico-químicas que regem o universo também governam os processos vivos. No início do século XXI, Venter constata que se pode manipular a matéria para criar uma forma de vida anteriormente inexistente. Apesar disso, as incógnitas da biologia ainda andam por aí, como adverte Arnold: “Podemos escrever o que quisermos. O problema é que não sabemos o que escrever.”

Há investigadores empenhados em ir ainda mais longe: criar vida a partir do zero para se poder, assim, compreendê-la. Que melhor do que engendrar sistemas que funcionem com uma química que não está presente nos seres vivos? Um desses espíritos radicais é Drew Endy: para este professor do Departamento de Engenharia Biológica do Instituto Tecnológico do Massachusetts (MIT), “nenhum perito inteligente teria fabricado os genomas dos organismos do modo como a evolução fez: algumas partes sobrepõem-se e outras perderam a sua função, mas não se podem suprimir; só ficaram a ocupar espaço”.

A explicação para esta confusão é simples: a Natureza trabalha com o que tem; não pode criar a partir do nada ou do zero, e é isso que Endy pretende tentar: “O principal objectivo da biologia sintética é facilitar a vida ao engenheiro.” Um dos seus colegas, Tom ­Knight, lembrou-se de uma maneira de resolver o problema ao reparar no sistema dos jogos Lego, onde todas as peças encaixam porque são compatíveis. Foi assim que nasceram os BioBricks, cadeias de ADN que possuem “conectores universais” nas extremidades e que se ligam entre si para formar componentes de nível mais elevado.

Por outro lado, a Natureza apenas utiliza uma vintena de aminoácidos para fabricar as proteínas de que os seres vivos necessitam, mas os cientistas conhecem milhares destas moléculas. Por que não utilizá-las? Lei Wang, do Laboratório de Biologia Química e Proteómica do Salk Institute, na Califórnia, está a trabalhar nisso. O livro da vida é escrito com 64 “palavras” (os codões) de três “letras” cada, retiradas das quatro que formam o ARN: A, G, C e U (de uracilo, que substitui a timina do ADN). Cada um destes tripletos corresponde a um aminoácido específico, excepto três de finalização que servem para assinalar aos ribossomas (as fábricas proteicas da célula) que a proteína está esgotada. Como temos mais codões do que aminoácidos, isso significa que um único aminoácido é codificado por mais de um tripleto. É por isso que os biólogos dizem que o código genético é defeituoso. Incomodado com esta redundância, Wang conseguiu atribuir uma nova missão a um dos três codões stop da bactéria Escherichia coli: agora, esta reconhece um aminoácido não-biológico e incorpora-o nas proteínas.

Genoma com capacidade de evoluir

Por sua vez, Peter Carr, do MIT, e Farren Isaacs, da Harvard Medical School, pretendem eliminar todas as instruções supérfluas do genoma da E. coli. Já o conseguiram com uma das três reiterações que indicam que a proteína está pronta. Se alcançarem o seu objectivo e a nova bactéria for viável, terão 43 tripletos aos quais atribuir outras tarefas.

É no mesmo sentido que se desenvolve um promissor estudo a decorrer num recipiente de precipitados de um laboratório da Foundation for Applied Molecular Evolution, na Florida. Designado por AEGIS, acrónimo de Artificially Expanded Genetic Information System, é, segundo o seu criador, Steven Benner, o primeiro sistema genético sintético capaz de evoluir. “Está a cumprir aquilo para que foi concebido”, assegura o bioquímico. O mais curioso do referido AEGIS é que se trata de um ADN fabricado com 12 bases diferentes, entre as quais se incluem as quatro que definem a vida terrestre. Tal como diria o Dr. McCoy de Star Trek: “É vida, Jim, mas não como a conhecemos.”

Esse poderia igualmente ser o lema do galego Antón Vila, que pretende, no seu laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley, acrescentar um bom número de genes à mitocôndria das nossas células, o organelo responsável pela respiração celular. Possui o seu próprio ADN porque, há 2000 milhões de anos, se tratava de uma bactéria autónoma que se uniu em simbiose a outras para formar a célula eucariota. Gradualmente, começou a desfazer-se do material genético de que não tinha necessidade para poder sobreviver. Actualmente, “consiste em apenas uma trintena de genes; estimamos que o complemento mínimo necessário seja de cerca de 300”, afirma Vila. O objectivo é apagar o caminho evolutivo percorrido pela mitocôndria e... voltar a torná-la autónoma.

Contudo, existe outra via para fabricar uma protocélula artificial com matéria-prima biológica: fazê-lo de baixo para cima ou, dito de outro modo, fabricá-la com base nos própios ingredientes químicos essenciais. Um dos mais destacados defensores desta ideia, o físico dinamarquês Steen Rasmussen, do Los Alamos National Laboratory, já anunciou que “estamos à beira de criar vida”. Segundo Giovanni Murtas, do Centro Enrico Fermi da Universidade de Roma 3, seria efectivamente possível, com uma soma de dez milhões de dólares.

Murtas tem motivos para se sentir optimista. Em 2007, conseguiu sintetizar proteínas dentro de umas gotinhas de gordura (vesículas) chamadas “lipossomas”. Algo de semelhante fora conseguido, três anos antes, pelo físico Albert Libchaber e pelo seu aluno Vincent Noireaux, da Universidade Rockefeller de Nova Iorque, com um extracto de E. coli injectado num lipossoma. Murtas fez o mesmo com um cocktail de 37 enzimas, algumas moléculas e o gene que produz uma proteína fluorescente. Durante algunas horas, os biorreactores vesiculares conseguiram produzir a proteína. Actualmente, procura incorporar novos genes, tendo como meta a principal característica da vida: a reprodução.

Todavia, criar um autêntico ser artificial exigiria desenvolver estruturas semelhantes com recurso à engenharia pura. Em 2009, George Church, da Universidade de Harvard, e Anthony Forster, da Universidade Vanderbilt, em Nashville (ambas nos Estadios Unidos), conseguiram obter, com um pouco de bioquímica e 115 genes, um ribossoma sintético viável em condições de laboratório. Por sua vez, Achim Muller, da universidade alemã de Bielefeld, fabricou uma membrana artificial a partir de uma macromolécula inorgânica: um agregado esférico de molibdato de polioxietileno.

A linha mais promissora

Todavia, a linha mais promissora é a que deriva de um projecto recentemente completado e em que participaram 13 grupos de investigação europeus: Programmable Artificial Cell Evolution (PACE). O objectivo era determinar as regras seguidas por qualquer ser vivo e, na posse delas, conceber uma criatura completamente distinta. “Não se parte de um genoma que já existe, mas de matéria inanimada, com recurso a sistemas químicos que não têm de ser forçosamente biológicos”, esclarece Ricard Solé, director do Laboratório de Sistemas Complexos da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona) e um dos investigadores que participam no projecto. O seu grupo foi incumbido de elaborar os modelos teóricos que prevêem a dinâmica e a evolução das futuras protocélulas artificiais: os resultados mostram que é possível. Solé está convencido de que, dentro de pouco mais de uma década, teremos a primeira célula artificial.

Podemos imaginá-la como um nano-robô, a trabalhar à escala molecular, composto por três estruturas bioquímicas elementares: um tabique de contenção (a membrana que delimita o compartimento celular), um sistema de fabrico (o metabolismo) e um sistema capaz de armazenar informação. O problema não é conceber estes três componentes, mas conseguir que funcionem acoplados.

A empresa Protolife, associada à PACE e fundada em 2004 pelo pioneiro da teoria do caos Norman Packard e pelo filósofo Mark Bedau, espera fabricar o ente criado pelo seu sócio Steen Rasmussen, e já baptizado com o sugestivo nome de O Bicho. Bastará uma gotinha de gordura para desenvolver a molécula sintética da hereditariedade: o ANP, ou ácido nucleico peptídico, que desempenharia o papel de ADN. “Se queremos saber o que é a vida, nada como fabricá-la”, diz Rasmussen.

Claro que todas estas tentativas suscitam críticas e dão origem a acusações de estarem a “brincar a Deus” e às clássicas alusões a Frankenstein. Todavia, como recorda Arthur Caplan, director do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia, “a dignidade da vida nunca esteve no seu mistério, mas na diversidade, complexidade e capacidade para se manifestar em todo o tipo de condições e circunstâncias”. Seguramente, se há algum mistério na criação de seres vivos, reside em saber se seremos capazes de o fazer.

Patentear a vida?

O britânico John Sulston, Prémio Nobel da Medicina, lançou um verdadeiro ataque mediático contra Craig Venter e o seu indisfarçável desejo de patentear todos os resultados que saem do seu laboratório. Sulston está sobretudo preocupado com a possibilidade de Venter registar comercialmente as técnicas utilizadas para fabricar a sua bactéria sintética, tendo afirmado: “Espero que muitas dessas patentes não sejam concedidas, pois isso deixaria toda a engenharia genética sob o controlo do J. Craig Venter Institute.”

Não é a primeira vez que os dois cientistas entram em rota de colisão. Há dez anos, lideravam equipas rivais na corrida para ler a sequência do genoma humano. Venter procurava patentear sequências particularmente utéis do genoma. A trabalhar no projecto para o consórcio público, Sulston criticou duramente a sua visão empresarial. Para desvalorizar comercialmente o trabalho do norte-americano, tornou públicos todos os seus dados. Após a algazarra mediática em ambos os lados do Atlântico, a empresa Celera, de Venter, renunciou aos seus direitos.

Um exemplo do perigo para o qual nos alerta é o da empresa Myriad Genetics. Há alguns anos, conseguiu obter os direitos sobre dois genes do cancro da mama, pelo que qualquer tratamento baseado neles devia pagar royalties à Myriad. Contudo, graças à acção de grupos de defesa dos direitos civis, essa parte das patentes foi retirada.

M.A.S.
SUPER 149 - Setembro 2010

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