quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Conteúdo - Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade - Organização e técnicas de estudo





Organização e técnicas de estudo
1 – Dar as instruções de maneira clara e oferecer ferramentas para organização do aluno desenvolver hábitos de estudo. Incentivar o uso de agendas, calendários, post-it, blocos de anotações, lembretes sonoros do telemóvel e uso de outras ferramentas tecnológicas que o aluno considere adequado para a sua organização.

2 – Na medida do possível, supervisionar e ajudar o aluno a organizar os seus cadernos, mesa, armário ou arquivar papéis importantes.

3 – Orientar os pais e/ou o aluno para que os cadernos e os livros sejam “encapados” com papéis de cores diferentes. Exemplo: material de matemática – vermelho, material de português – azul, e assim sucessivamente. Este procedimento ajuda na organização e memorização dos materiais.

4 – Incentivar o uso de pastas plásticas para envio de papéis e trabalhos de casa. Desta forma, todo o material impresso fica condensado no mesmo lugar minimizando a eventual perda do material.

5 – Utilizar diariamente a agenda como canal de comunicação entre o professor e os pais. É extremamente importante que os pais façam observações diárias sobre o que observam no comportamento e no desempenho do filho em casa, assim como o professor poderá fazer o mesmo em relação às questões relacionadas à escola.

6 – Estruturar e apoiar a gestão do tempo nas tarefas que exigem desempenho em longo prazo. Exemplo: ao propor a realização de um trabalho de pesquisa que deverá ser entregue no prazo de 30 dias, dividir o trabalho em partes, estabelecer quais serão as etapas e monitorizar se cada uma delas está sendo cumprida. Alunos com TDAH apresentam dificuldades em desempenhar tarefas em longo prazo.

7 – Ensine e dê exemplos frequentemente. Use folhas para tarefas diárias ou agendas. Ajude os pais, oriente-os como proceder e facilitar os problemas com deveres de casa. Alunos com TDAH não podem levar “toneladas” de trabalhos para fazer em casa num prazo de 24 horas.

Informação retirada daqui: http://tdah.org.br/

Lista de Verificação - Unidade de embalamento e armazenistas de azeite


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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Notícia - A cor do calor


Um novo nanotermómetro luminescente com promissoras aplicações na biomedicina foi criado por investigadores das universidades de Aveiro e de Saragoça. E o que é um nanotermómetro? Para que serve?

Já lhe aconteceu, com certeza. Pretende saber qual a temperatura de um determinado corpo. Vai ao armário, tira o termómetro e põe-no em contacto com a superfície do corpo. Se for um líquido, até pode mergulhar o termómetro no líquido. Agora imagine que quer medir a temperatura de uma mosca. Mais difícil, não é? Não só ela não pára quieta como não tem superfície que chegue para fazer o contacto adequado. Ou imagine que, por razões técnicas ou científicas, precisa de medir a temperatura de algo muito mais pequeno: mil vezes mais pequeno do que uma mosca, um milhão de vezes mais pequeno do que uma mosca; enfim, já que vamos por este caminho, e se quisesse saber qual a temperatura de uma célula? Precisaria, evidentemente, de um termómetro da ordem de grandeza do corpo em causa, e que pudesse posicionar com precisão, apesar da escala microscópica de toda a operação.

Imagine um pouco mais: não lhe interessa apenas conhecer a temperatura de uma célula específica, mas a de todas as células que compõem uma determinada superfície. Pense nas costas da sua mão, por exemplo: a camada exterior é composta por milhões de células. Se (por razões médicas, por exemplo) tivesse de construir um mapa da temperatura de cada uma dessas células, como fazia? Aplicava o termómetro a cada uma delas? Obviamente, o ideal seria ter um “termómetro plano”, um filme que pudesse aplicar sobre as costas da mão e que lhe indicasse, por exemplo sob a forma de cores diferentes, qual a temperatura de cada região, até ao pormenor individual, se fosse esse o objectivo.

Estas experiências imaginárias descrevem os problemas sentidos por muitos investigadores no seu dia-a-dia: como medir a temperatura de corpos microscópicos, talvez em movimento, talvez dispostos em superfícies ou volumes dos quais interessa conhecer a variação térmica, sem atentar na caracterização específica de cada um dos componentes. As áreas de aplicação de um tal mecanismo são inúmeras, e crescem de forma exponencial se o dispositivo concreto (o termómetro, digamos assim) puder funcionar de uma forma não invasiva, para não perturbar o sistema ou organismo cuja temperatura se pretende medir.

Foi precisamente um método destes que foi agora desenvolvido e apresentado por cientistas das universidades de Aveiro e Saragoça: um nanotermómetro que promete revolucionar as técnicas de medição de temperatura a escalas extremamente diminutas, e que até pode vir a ter aplicações biomédicas.

A medição da temperatura é crucial para inúmeras investigações científicas e desenvolvimentos tecnológicos, representando actualmente 75 a 80 por cento do mercado mundial de sensores. Os termómetros tradicionais não são geralmente adequados para medir a temperatura a escalas abaixo de 10 mícrons (cerca de dez vezes menos do que o diâmetro médio do cabelo humano). Esta limitação intrínseca tem encorajado o desenvolvimento de novos termómetros sem contacto e com precisão espacial da ordem dos mícrons ou, mesmo, nanómetros (um milhão de vezes menor do que o milímetro). Por outro lado, a dependência da luminescência com a temperatura é uma ferramenta não invasiva e precisa que permite medir temperatura a estas escalas. A técnica envolve geralmente iões lantanídeos trivalentes (como por exemplo o európio, Eu3+, e o térbio, Tb3+), e funciona remotamente através de um sistema de detecção óptica, mesmo em fluidos biológicos, campos electromagnéticos intensos e objectos em movimento.

Quer isto dizer que a propriedade em que se baseia o nanotermómetro é a luminescência, isto é, a emissão de luz por um ião quando é excitado por radiação (geralmente de energia mais elevada). Neste caso, o nanotermómetro usa iões Eu3+ e Tb3+ que emitem, respectivamente, nas regiões espectrais do vermelho e do verde quando excitados por radiação ultravioleta. O nanotermómetro inventado (foi patenteado em Espanha em 2009 e aguarda patente europeia) baseia-se no facto de a intensidade da emissão de luz dos iões Eu3+ e Tb3+ variar com a temperatura. Deste modo, pode medir-se a temperatura analisando as variações de intensidade da emissão de luz daqueles iões. Para registar estas variações de intensidade, não é necessário estabelecer contacto físico entre o termómetro e o objecto, visto que a luz se propaga no espaço.

Assim, a medição da intensidade da luz é efectuada à distância, através de uma fibra óptica convencional. Como os iões Eu3+ e Tb3+ podem ser dissolvidos ou dispersos em fluidos biológicos (o sangue, por exemplo), o termómetro funciona perfeitamente em líquidos. De igual modo, e ao contrário dos termómetros convencionais de contacto, que têm dificuldade em operar em objectos em movimento, os termómetros ópticos não têm essa limitação.

Por outro lado, os termómetros tradicionais, que em geral medem a temperatura por contacto entre o termómetro e o objecto, não são adequados para escalas abaixo dos 10 micrómetros (milésimos de milímetro), uma vez que são maiores do que o objecto (ou a região) que se pretende medir!

Com a necessidade tecnológica premente de miniaturização da sociedade moderna, por exemplo para diminuir o consumo energético dos dispositivos e a quantidade de materiais gastos na sua fabricação, estas escalas de tamanho são cada vez mais importantes para o aperfeiçoamento de novas tecnologias. Esta limitação intrínseca dos termómetros tradicionais tem encorajado o desenvolvimento de novos termómetros sem contacto e com precisão espacial da ordem dos micrómetros ou, mesmo, dos nanómetros.

Uma outra vantagem do novo termómetro é ele ser auto-referenciado (não necessita de uma referência externa para medir a temperatura), permitindo medições absolutas entre 10 e 350 Kelvin. Segundo o professor Luís Carlos, do Departamento de Física da Universidade de Aveiro e do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), “o nanotermómetro é formado por complexos de Eu3+ e Tb3+ incorporados em nanoagregados híbridos (100 a 400 nanómetros) formados por um núcleo magnético de óxido de ferro recoberto por uma camada de sílica orgânica”

A sílica é óxido de silício (SiO2) um material inorgânico. Sílica orgânica é sílica modificada com elementos orgânicos; neste caso, grupos amina (NH2). Esta camada de sílica orgânica cobre o núcleo de óxido de ferro das nanopartículas, separando a parte magnética da parte luminescente. Sem esta camada de sílica orgânica, a luz emitida pelos iões Eu3+ e Tb3+ seria absorvida pelos iões de ferro, impossibilitando o funcionamento do termómetro.

As nanopartículas alteram as suas propriedades de emissão (que os nossos olhos conseguem perceber como cor) de forma consistente com a temperatura, tornando possível determinar a temperatura pela “cor” do material. Pode ainda ser ajustado a gama de funcionamento actuando no rácio Eu3+/Tb3+ ou alterando a matriz de suporte.

Com tudo isto, o novo termómetro revelou uma sensibilidade máxima de 4,9% por grau, o maior valor registado até agora em nanotermómetros, entre os 153 e os 83 graus Celsius negativos, no caso dos resultados reportados no final de Agosto na revista Advanced Materials. O funcionamento pode ser estendido à gama das temperaturas fisiológicas (entre 30 e 50 °C), modificando a proporção entre o número de iões Eu3+ e Tb3+, ou utilizando um outro material híbrido orgânico-inorgânico.

Os investigadores demonstraram que a escolha adequada da matriz de suporte permite o processamento do material termométrico como um filme, para obter um mapa bidimensional de distribuição de temperatura de elevada resolução com potencial aplicação na microelectrónica, por exemplo. A resolução espacial é limitada pelo tamanho dos detectores empregues: um a dez mícrons para fibras ópticas comerciais e câmaras CCD.

A combinação do termómetro molecular luminescente com um núcleo magnético permite, além das propriedades descritas, adicionar multifuncionalidade ao dispositivo. Quando comparado com as alternativas disponíveis, o novo termómetro representa um passo em frente na termometria à escala nanométrica. As sinergias que resultam da combinação da medição/mapeamento da temperatura e do superparamagnetismo abrem caminho para novas aplicações promissoras, especialmente no campo da biomedicina.

Em particular, esta associação produzirá um instrumento ímpar para mapear, de uma forma não-invasiva, distribuições de temperatura em tecidos biológicos (tumores, por exemplo), durante a aplicação de um campo alterno às nanopartículas magnéticas (hipertermia magnética), sendo esta, sem dúvida, uma ferramenta poderosa para estudar os processos bioquímicos à microescala que ocorrem no interior da célula.

Instado sobre os ramos da biomedicina a que se aplica o novo aparelho, Luís Carlos acentuou que as aplicações que menciona “não passam, por enquanto, de ideias, embora de enorme potencial”. Por exemplo, na intervenção contra células tumorais: “O termómetro que inventámos é constituído por uma componente magnética e por uma parte emissora de luz visível, separadas por uma camada de sílica modificada. Quando sujeita a um campo magnético externo, a parte magnética das nanopartículas aquece, libertando calor, aumentando, portanto, a temperatura local em torno das nanopartículas. A ideia é aproveitar a camada de sílica modificada e funcionalizar a sua superfície com um anticorpo específico de um certo tipo de células, de molde a permitir a interacção selectiva das nanopartículas com esse tipo de células (por exemplos, células tumorais). Após a ancoragem das nanopartículas às células, a aplicação de um campo magnético externo vai aumentar localmente a temperatura até cerca de 45 °C, matando, assim, selectivamente, as células tumorais. A presença do termómetro possibilita a monitorização e o controlo do processo de aquecimento. É claro que o campo magnético externo só vai induzir um aumento de temperatura nas células que contêm as nanopartículas com um núcleo de ferro, e assim podemos controlar com precisão, com o nosso termómetro luminescente, a distribuição de temperaturas em torno das nanopartículas e, portanto, em torno das células que nos interessam.”

Um outro exemplo prende-se com o facto de o termómetro luminescente poder ser usado para mapear temperaturas com uma resolução espacial de um mícron. Como a temperatura das células tumorais é mais elevada do que a temperatura das células normais, as nanopartículas, depois de internalizadas nas células, podem registar a sua temperatura de uma forma não invasiva e, desta maneira, diagnosticar eventuais focos tumorais.

O trabalho foi desenvolvido no quadro de uma colaboração “extremamente frutífera” entre o Departamento de Física e o CICECO, da Universidade de Aveiro, e o Instituto de Ciên­cias dos Materiais da Universidade de Saragoça. O grupo de Aveiro escreveu um trabalho em 2002 reportando que a intensidade de emissão de um material híbrido orgâncio-inorgânico incorporando Eu3+ e Tb3+, e, portanto, a cor da radiação visível emitida, dependia directamente da temperatura e, assim, que este material poderia ser usada como termómetro. As ideias desenvolvidas em Aveiro foram combinadas com as valências do grupo de Saragoça na síntese de nanopartículas magnéticas funcionalizadas com sílica modificada. A sinergia entre a investigação multidisciplinar desenvolvida pelos dois grupos permitiu a invenção deste novo nanotermómetro molecular que irá agora permitir um leque de utilizações revolucionárias. Só o tempo dirá em que direcções partiu a sua utilização nos mais diversos campos.

M.M. SUPER 152 - Dezembro 2010

Esquema de Funcionamento de uma ETAR

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Vídeo - Mitos e a emergência médica - AVC

Conteúdo - Vestuário



3ºAno - Estudo do Meio - Ficha de Trabalho - Exploração mineral / Indústria / Turismo


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Ficha de Trabalho - Geografia


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Ficha de Trabalho - Questão-aula - 5ºAno


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Powerpoint - A Bandeira e o Hino - Símbolos de Portugal


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Higiene e Segurança no Trabalho - Powerpoint sobre os planos de emergência para estabelecimentos de ensino


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Atividade Experimental - Neutralização de um comprimido antiácido



Powerpoint - Ecologia da Informação


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Conteúdo - Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade - Tempo e processamento das informações






Tempo e processamento das informações
1 – Usar organizadores gráficos para planear e estruturar o trabalho escrito e facilitar a compreensão da tarefa. 

2 – Permitir como respostas do educando apresentações orais, trabalhos manuais e outras tarefas que desenvolvam a criatividade do aluno.

3 – Encorajar o uso de computadores, vídeos, assim como outras tecnologias que possam ajudar no educando, no foco e motivação.

4 – Reduzir ao máximo o número de cópias escritas de textos. Permitir a digitação e impressão, caso seja mais produtivo para ao aluno.

5 – Respeitar um tempo mínimo de intervalo entre as tarefas. Exemplo: propor um trabalho em pares antes de uma discussão sobre o tema com a turma inteira.

6 – Permitir ao aluno dar uma resposta oral ou gravar, caso ele tenha alguma dificuldade para escrever.

7 – Respeitar o tempo que cada aluno precisa para concluir uma atividade. Dar tempo extra nas tarefas e nas provas para que ele possa terminar no seu próprio tempo.

Informação retirada daqui: http://tdah.org.br/

Manual - Código europeu de boas práticas para uma pesca sustentável e responsável


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sábado, 5 de novembro de 2016

Notícia - Já há cura para a tensão pré-menstrual



Todos os meses, as mulheres em idade fértil recebem um aviso na forma de dores de cabeça, fadiga repentina e uma longa lista de moléstias. É a síndrome pré-menstrual, que os médicos, finalmente, já conseguem tratar com eficácia.

Desde que a mulher é mulher, o começo da sua vida fértil sempre foi assinalado não só pelo aparecimento do período como pelo mal-estar prévio que frequentemente implica, a chamada tensão pré-menstrual (TPM). Embora não haja propriamente estudos e números oficiais, estima-se que a TPM atinge aproximadamente entre 75 e 80 por cento das mulheres, e que surge habitualmente entre dez e sete dias antes do início da menstruação. Varia, também, de mulher para mulher: desde as que sentem os sintomas de forma muito ligeira até às que sofrem os efeitos com tal intensidade que estes interferem significativamente na sua vida pessoal e profissional.

Trata-se, pois, de um distúrbio recorrente do ciclo menstrual que surge antes do período e pode prosseguir até quatro dias após o seu início. A lista de sintomas é impressionante: cefaleias, tensão e maior sensibilidade mamária, retenção de líquidos, irritabilidade, ansiedade, fadiga, tendência depressiva, nervosismo, dores musculares, diminuição do interesse pelas actividades sociais e laborais... Além disso, existe uma variante mais grave, a desordem disfórica pré-menstrual (DDPM), diagnosticada quando a paciente manifesta cinco ou mais dos sintomas já referidos. As afectadas podem ter ideias suicidas, pensamentos paranóicos ou ataques de pânico.

Em Portugal, “as perturbações comportamentais disfóricas são pouco frequentes e significativas, uma realidade que não se concilia com o retrato traçado pela literatura norte-americana neste domínio”, afirmou Daniel Pereira da Silva, director do Serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, em declarações ao Jornal do Centro de Saúde. Sublinhava ainda que os sintomas mais recorrentes da síndrome pré-menstrual “acompanham a menstruação e não se manifestam durante a gravidez ou após a menopausa”. Independentemente da intensidade dos efeitos, apenas uma pequena minoria das mulheres admite que interferem na sua vida, em especial na relação familiar, mas a esmagadora maioria não pede ajuda ao médico.

O motivo evocado para não ir a uma consulta médica costuma ser o mesmo: pensam que faz parte de ser mulher, ou, como explica Pereira da Silva, “às vezes, as mulheres desvalorizam os sintomas, porque consideram normal ter certas perturbações resultantes da menstruação, o que dificulta o tratamento”. A verdade é que, se ocultam este género de “moléstias”, é porque sempre foram obrigadas, historicamente, a desvalorizá-las.

Já na Antiguidade as alterações causadas pela menstruação eram motivo para marginalização. Naquele tempo, não se sabia o que causava as perturbações, mas percebia-se que algo acontecia à mulher e que esse algo provocava mudanças drásticas, retratadas de forma crua na literatura. Hipócrates (460–370 a.C.) chamou “matriz” ao seio materno: foi sobre essa base que elaborou a teoria de que o útero flutuava pelo corpo feminino e, quando chegava ao peito, alterava o estado de humor (deu o nome de “histeria” ao momento). Galeno (130–200), outro influente médico grego, descreveu uma substância tóxica presente no útero, a menotoxina, como responsável pelas alterações de humor. Numerosos estudiosos repetiram, ciclicamente, especulações deste tipo sem qualquer base científica.

Mesmo nos primórdios do século XX, continuaram a atribuir-se explicações peregrinas aos sintomas pré-menstruais. Algumas dessas crenças prolongaram-se quase até ao fim: em Espanha, por exemplo, um prestigiado ginecologista continuava a falar, em 1982, de uma substância tóxica presente nos restos da mucosa uterina que seria responsável por transtornar por completo a mulher nos dias que antecediam a menstruação e quase obrigavam a isolá-la como um leão numa jaula...

Em termos globais, a medicina sempre se interessou mais pelas doenças masculinas do que pelas do sexo oposto. Um dado é suficiente para demonstrá-lo: na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, há 3536 artigos sobre a TPM, face a 15.355 estudos acerca da disfunção eréctil. Desde a segunda metade do século passado, a investigação está também centrada na mulher, embora a maior parte dos estudos esteja relacionada com a perspectiva psiquiátrica ou com a DDPM, devido à sua gravidade.

Seja como for, a etiologia (a causa precisa da tensão ou síndrome) continua a ser uma incógnita. Os estudos elaborados até agora relacionam a TPM com a actividade ovárica cíclica e as hormonas estradiol e progesterona, que afectam os neurotransmissores envolvidos na regulação do sono e do estado de humor: a serotonina e o ácido gama-aminobutírico. No caso da DDPM, os últimos resultados indicam que a causa para as alterações hormonais afectarem de forma mais drástica determinadas mulheres decorre de uma variante genética.

As flutuações nos níveis hormonais parecem ser a resposta, mas há quem questione esse protagonismo e atribua o aparecimento de sintomas pré-menstruais a factores de tipo social. Jane Ussher, psicóloga da Universidade de Sydney Oeste (Austrália), que estuda essa ligação há cerca de 30 anos, assevera que se fez as mulheres acreditar que “o corpo feminino é biologicamente deficiente e que precisam de medicação para serem umas super-mulheres, o que as faz sentir ainda mais culpadas”.

A TPM, a depressão pós-parto e a menopausa transformaram-se, na opinião de Ussher, numa autêntica salgalhada que atribui a infelicidade da mulher aos seus órgãos reprodutivos. Em oposição a outro tipo de soluções, a psicóloga defende que o sexo feminino “só poderá alcançar uma posição de equilíbrio e paz quando se aperceber de que não deve alimentar estes mitos e os deixar para trás”.

A opinião da investigadora australiana é corroborada por muitos colegas europeus, os quais também destacam o papel desempenhado pelos que rodeiam a mulher; sublinham ainda que um clima social favorável, que evite o isolamento ou a discriminação, é fundamental e pode mesmo revelar-se mais importante do que uma resposta farmacológica.

É preciso ter cuidado para não medicamentar em excesso a vida da mulher e para não criar doenças inexistentes. Se algo causa mal-estar e impede um desenvolvimento social normal, a medicina deve proporcionar uma solução, embora o melhor seja não penalizar nem tornar patológicas as alterações fisiológicas que se produzem no ciclo menstrual.

Daniel Pereira da Silva realça que “o uso de contraceptivos orais é referido na literatura, mas não existe consenso quanto à sua validade”, apesar de “as pílulas com drosperinona terem alguns ensaios onde demonstram uma eficácia muito interessante.” Tanto os resultados da investigação como a prática clínica deste especialista do IPO de Coimbra encorajam uma atitude optimista face a um tratamento à base da pílula. “A minha experiência também vai nesse sentido, mas recorro cada vez mais às pílulas de baixa dosagem em uso contínuo,” afirma, sem deixar de referir os benefícios da conjugação de técnicas de gestão de stress e aumento da actividade física.

Outra forma de abordar os sintomas da TPM para tentar amenizá-los é através da alimentação. De acordo com Rita Almeida, médica especialista em nutrição clínica, se a mulher controlar a ingestão de alimentos excitantes, como o chocolate, o café, os refrigerantes e o álcool, poderá sentir uma melhoria dos estados de ansiedade e irritabilidade. No caso de os sintomas também incluírem mal-estar abdominal, cólicas ou dores musculares, deverá aumentar o consumo de alimentos ricos em cálcio (lacticínios e vegetais de folha verde escura), para favorecer a descontracção muscular. Finalmente, segundo a especialista, citada pelo semanário Expresso, é também importante beber cerca de litro e meio de água, tomar duas ou três chávenas de chá verde e consumir duas ou três peças de fruta fresca por dia, para evitar o típico inchaço desta fase do ciclo menstrual.

No caso da desordem disfórica, as indicações são praticamente iguais no que diz respeito ao estilo de vida, mas podem variar relativamente aos fármacos: nestes casos, os médicos preferem recorrer aos antidepressivos que agem sobre os níveis cerebrais da serotonina. Por vezes, é também necessário que a paciente se submeta a sessões de psicoterapia.

Os especialistas insistem que o importante é estudar cada caso individualmente, a fim de descobrir o tratamento adequado. A verdade é que se trata de um problema que requer uma atenção específica por parte da comunidade médica e científica, pois afecta de forma importante uma significativa percentagem de mulheres no mundo.

Porém, não são apenas os clínicos e os cientistas que têm de esforçar-se mais: as mulheres também terão de admitir que podem ser vulneráveis e aprender a pedir ajuda.

De carácter físico e psíquico, os sintomas da TPM afectam, de forma pouco intensa, 80 por cento das mulheres, e, de modo mais grave, 30%. As queixas desaparecem geralmente com o início da menstruação, mas nem nessa altura chega o alívio. Em mais de metade dos casos, a TPM é substituída pela dismenorreia: uma dor na região abdominal inferior, semelhante a uma cólica, que se prolonga por vários dias. É provocada por contracções uterinas (induzidas pela hormona prostaglandina), geralmente acompanhadas de vómitos e diarreia.

Sintomas físicos: acne, inchaço e sensibilidade mamária, dores de cabeça, fadiga e falta de energia, dores musculares e articulares, retenção de líquidos, obstipação, aumento de peso.

Sintomas psíquicos: insónia ou hipersónia (maior necessidade de dormir), dificuldade de concentração, tensão e irritabilidade, aversão e hostilidade.



E.P./I.J. - SUPER 153 - Janeiro 2011

Manual sobre Aterros Sanitários


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Powerpoint - Exame Geral da Vitima


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