segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Prevenir a indisciplina

É necessário que o professor conheça bem os seus alunos e a si próprio. Precisa de estar consciente da dinâmica das relações interpessoais (aluno-aluno, aluno-professor, professor-aluno) e de estar atento à adequação das actividades que propõe, relativamente à diversidade dos alunos da turma.



Muito se tem falado de indisciplina nas escolas. Será ela um problema dos tempos modernos ou virá já de tempos antigos? Quem não se recorda, independentemente da idade, das partidas que a sua turma gostava de pregar aos professores e daquele colega que volta e meia levava falta disciplinar? Quais são as causas da indisciplina? Como é que ela pode ser prevenida?

Os factores que favorecem a indisciplina são múltiplos:

- algumas características de cada nível etário;

- a falta de interesse pelas matérias leccionadas;

- dificuldade em acompanhar as matérias dadas na aula, por falta de bases ou por dificuldades de aprendizagem;

- excessiva permissividade ou demasiado autoritarismo por parte do professor;

- aulas pouco motivadoras;

- dificuldades de relacionamento professor/alunos ou alunos/alunos;

- salas de aula sem condições;

- turmas demasiado grandes.


Sendo extensa, esta lista não esgota as causas de insucesso escolar da escola recente e da mais antiga. Contudo a todas elas juntam-se agora outras, resultantes da massificação do ensino. O público-alvo da escola é heterogéneo, social e culturalmente. Muitos alunos, oriundos de meios socioculturais desfavorecidos e de zonas rurais, não se identificam com a linguagem da escola. Os graves problemas que existem na sociedade (famílias desagregadas, toxicodependência, etc.) chegam às salas de aula. Não obstante uma tão grande modificação da sua realidade sociocultural, a estrutura da escola não se alterou grandemente.


Como prevenir a indisciplina?

É necessário que o professor conheça bem os seus alunos e a si próprio. Precisa de estar consciente da dinâmica das relações interpessoais (aluno-aluno, aluno-professor, professor-aluno) e de estar atento à adequação das actividades que propõe, relativamente à diversidade dos alunos da turma. A redução do número de alunos por turma e o apetrechamento das salas de aula com material informático e outro impõem-se.

Os professores desempenham novas funções (professor-tutor) e leccionam novas áreas (Área de Projecto e Formação Cívica), nas quais os alunos podem desenvolver competências sociais indispensáveis e realizar projectos motivadores que permitem aprendizagens em contextos menos formais. Surgem novas profissões nas escolas, embora a um ritmo inferior ao desejado. É o caso dos animadores culturais e dos psicólogos. Faz-se sentir muito a necessidade de assistentes sociais. A colaboração das famílias com a escola precisa de ser reforçada.

Os novos desafios que a escola enfrenta não podem ser resolvidos pela exclusão dos sectores mais desfavorecidos da sociedade. É preciso procurar respostas que passam pela criação de melhores condições nas escolas, pela formação inicial e contínua dos professores em áreas como a sociologia, pelo envolvimento das famílias e da comunidade e pelo trabalho de equipas multidisciplinares. Lá diz o ditado: 'Mais vale prevenir que remediar!'.


ARMANDA ZENHAS Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQND do 3.º grupo da Escola EB 2,3 de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.


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