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segunda-feira, 15 de julho de 2019

PS quer alunos do secundário a aprender primeiros socorros nas aulas de Educação Física


O PS apresentou um projecto de resolução no qual recomenda ao Governo que introduza na disciplina de Educação Física, no ensino secundário, um módulo teórico e prático, de frequência obrigatória, em Suporte Básico de Vida (SBV), que inclua formação em Desfibrilhação Automática Externa (DAE).

No documento, os deputados socialistas defendem que a formação deve ser dada por profissionais com certificação credenciada e propõem ainda que sejam promovidas, em locais públicos, campanhas de sensibilização, informação e divulgação para a prevenção e combate à morte súbita cardíaca.

“Segundo a Associação Portuguesa de Arritmologia morrem em Portugal vinte e sete pessoas por dia vítimas de morte súbita, mais de uma vítima por hora. A agravar esta realidade, a maioria da população portuguesa não sabe, em geral, prestar os primeiros socorros e o acesso a DAE é ainda muito reduzido (só dois DAE por 10 mil habitantes)”, escrevem os socialistas, sublinhando que “o pronto exercício de manobras de reanimação”, o uso de desfibrilhador automático externo e “a activação dos meios de emergência médica são determinantes no socorro às vítimas de paragem cardíaca, contribuindo para a redução do número de óbitos”.

Ora, para tal, continuam os deputados, “é determinante que estas acções sejam iniciadas por quem se encontre mais próximo da vítima, sendo esta medida unanimemente aceite pela comunidade médica nacional e internacional”.

Os socialistas compilaram um conjunto de avisos neste sentido: em 2010, o Conselho Europeu de Reanimação “recomendou que a reanimação cardiopulmonar fosse ensinada a todos os cidadãos”, argumentando que tal “duplica a taxa de sobrevivência na paragem cardíaca”; em 2012 a Fundação Europeia para a Segurança do Doente, o Comité de Ligação Internacional de Ressuscitação e a Federação Mundial das Sociedades de Anestesiologistas emitiram um parecer conjunto, suportado pela Organização Mundial de Saúde, segundo o qual “a reanimação cardiopulmonar deveria ser ensinada nas escolas” e, em 2013, a própria Assembleia da República tinha já recomendado ao Governo a introdução, no 3.º ciclo do ensino básico das escolas nacionais, uma formação, de frequência obrigatória, em SBV.

“A experiência internacional demonstra que em ambiente extra-hospitalar, a utilização de desfibrilhadores automáticos externos, por pessoal não médico, aumenta significativamente a probabilidade de sobrevivência das vítimas”, insistem os socialistas, propondo, “em “estreita articulação” com o Ministério da Educação, que passe a ser “obrigatório por lei” o ensino de SBV e DAE, para todos os alunos do ensino secundário, “assegurando que, no futuro, ninguém possa finalizar a escolaridade obrigatória sem ter tido contacto, conhecimento e prática em SBV e DAE.

Em Fevereiro deste ano – e depois de ter sido noticiada a morte de um aluno numa aula de Educação Física, por paragem cardiorrespiratória –, o PAN questionou o Ministério da Educação sobre a existência ou não de desfibrilhador automático externo na escola em questão (Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho) e também se, até à chegada da ambulância, o SBV e a desfibrilhação tinham sido assegurados por professores e funcionários.

Na sequência desta notícia e segundo noticiou à data a Lusa, também a Associação de Protecção e Socorro (Aprosoc) questionou o Parlamento sobre quais as escolas e recintos desportivos com desfibrilhadores e qual o pessoal formado para tal.

Há vários anos que este é um tema recorrente. Em 2018, o Ministério da Saúde criou um grupo de trabalho com o objectivo de melhorar o Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa e as recomendações passavam, por exemplo, por um reforço de desfibrilhadores em locais onde passam em média mil pessoas por dia e pela obrigatoriedade de formação no uso de desfibrilhadores para quem vai tirar a carta de condução e para alunos do ensino superior de Ciências da Saúde e do Desporto.

Também no ano passado foi apresentado, na Faculdade de Medicina de Lisboa, um movimento cívico chamado cívico Salvar Mais Vidas que propunha igualmente o ensino obrigatório de suporte básico de vida nas escolas. E, já em 2016, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia defendia, entre outras medidas, que houvesse nas escolas formação prática obrigatória em SBV e em utilização de desfibrilhadores nos 9.º e 11.º anos.

tp.ocilbup@sepoljm

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Solução tecnológica ajuda a prevenir insucesso escolar


O Sistema de Alerta Precoce do Insucesso Escolar no Ensino Básico (SAPIE-EB) é a mais recente solução tecnológica ao serviço de professores e técnicos. Esta plataforma tem como função sinalizar comportamentos de risco de insucesso e abandono escolar, ao mesmo tempo que permite monitorizar e avaliar o impacto das intervenções preventivas. 
    
Fruto de um projeto de tese de doutoramento de Pedro Cordeiro, doutorado em Psicologia da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e apoiado pela Associação Mentes Brilhantes, o SAPIE-EB é o produto de uma reflexão sobre o sucesso escolar com recursos a métodos tecnológicos inovadores e preventivos. 

O SAPIE-EB é uma ferramenta digital que permite sinalizar, desde o jardim-de-infância, o risco de insucesso e abandono escolar de cada aluno. “A promoção do sucesso escolar e a prevenção do insucesso e abandono escolar precoce é assumido pelo Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE). É um esforço partilhado que privilegia a articulação dos vários agentes educativos, como as autarquias locais, as instituições da comunidade e as entidades formadoras. Mas é nas comunidades educativas que são identificadas as áreas de intervenção prioritária e desenvolvidos os planos de ação estratégica para a promoção de sucesso escolar” afirma Pedro Cordeiro, mentor deste projeto.

E acrescenta ainda que “só será possível responder ao atual quadro de insucesso com campanhas preventivas, inovadoras e impactantes, se os docentes forem capacitados para compreender as suas causas. Esta necessidade é urgente e prioritária em termos da política educativa nacional e está a ser feito um forte investimento neste domínio.”

Respeitando os procedimentos legais e normais de confidencialidade e proteção de dados, os agrupamentos escolares fornecem os dados dos alunos, que se se encontram nos sistemas de gestão administrativa e que, por sua vez, são encaminhados para as equipas de desenvolvimento do SAPIE-EB. É da responsabilidade de cada agrupamento manter atualizados todos os dados disponibilizados.

À medida que os dados são inseridos pelos docentes na plataforma SAPIE-EB, no que diz respeito a indicadores de aproveitamento escolar, assiduidade e comportamento, esta emite alertas, individuais ou de grupo, sugerindo intervenções preventivas de acordo com as dificuldades identificadas. A partir daqui cada aluno é alvo de avaliação, quer pela sua evolução, quer pelo impacto das intervenções sugeridas com monitorização constante e ajustada quando necessário, adequando estratégias em função do risco de cada aluno.

“O acesso à plataforma permite, em pouco tempo, obter as mais diversas análises em função das suas necessidades e interesses, quer a partir de relatórios que surgem por defeito no sistema, quer personalizando a pesquisa a partir dos filtros disponíveis. As análises produzidas pelo sistema são complexas, mas também muito intuitivas, graficamente apelativas e muito fáceis de obter”, conclui Pedro Cordeiro. 

“Pretendemos que o SAPIE-EB chegue, de forma gratuita a todos os agrupamentos de escolas que delem possam beneficiar. Para alcançar este objetivo temos seguido uma estratégia de apresentação do sistema às Autarquias que, generosamente, facultam o SAPIE-EB aos agrupamentos de escolas colaborantes dos respetivos concelhos. Esta estratégia tem dados frutos e estamos presentemente a fechar a contratualização do sistema junto de várias autarquias, de norte a sul do país”, afirma Pedro Cordeiro.

Com recurso à inteligência artificial, o objetivo é que o SAPIE-EB analise com rapidez e rigor o perfil de risco de qualquer aluno. O objetivo é que o tempo e o custo com processos de recolha de dados fiquem agilizados permitindo que os técnicos e professores disponham de mais tempo para intervenção direta com o aluno. 

No terreno desde fevereiro de 2018, a equipa liderada por Pedro Cordeiro tem vindo a apresentar este projeto aos agrupamentos de escolas nacionais, municípios, comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas de norte a sul do país. Ainda que sem compromisso, o sistema é apresentado e são evidenciadas as suas funcionalidades bem como a sua implementação no terreno. A forma de apresentar o SAPIE-EB permite refletir sobre a sua credibilidade científica e utilidade para cada agente. 

Para além de Pedro Cordeiro, mentor e investigador principal do projeto, o SAPIE-EB é coordenado cientificamente pela professora Doutora Paula Paixão, professora associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, em estreita colaboração com a Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Instituto Politécnico de Leiria e o Instituto Politécnico de Santarém.

A colaboração da American Institutes for Research e de peritos de renome internacional asseguram igualmente a credibilidade científica do projeto.

A médio prazo, nos próximos três anos, pretende-se que o SAPIE-EB consiga implementar o sistema em 75 agrupamentos de escolas em todo o país. É ainda objetivo iniciar o processo de internacionalização do sistema em 2 países de língua portuguesa e 2 países da União Europeia.

Mais informações:
www.sapie.pt

quarta-feira, 9 de maio de 2018

“Não é suposto termos tantas crianças e jovens que não gostam de aprender”


A revisão das metas curriculares do 1.º ciclo do Ensino Básico é uma das vontades do Movimento Pais, Professores, Educadores e Alunos Unidos (MAPPE). “É urgente rever a complexidade dos conteúdos, assim como a quantidade dos mesmos. Consideramos que a definição das aprendizagens essenciais não é suficiente e que é o próprio currículo que precisa de ser alterado”, adianta Ana Rita Dias, do movimento. Há vários motivos a sustentar essa vontade. Desde logo porque as atuais metas curriculares estão, em termos de complexidade, “completamente desfasadas do desenvolvimento neuropsicológico de crianças que representam a faixa etária do 1.º ciclo”. 

“Logo no 2.º ano de escolaridade assistimos, por exemplo, a exigências de interpretação de textos e raciocínios matemáticos que não estão de acordo com o que é esperado da maioria das crianças daquela idade. São os próprios professores que, estando no terreno diariamente, verificam isso mesmo e que fazem uma enorme ginástica para que as crianças interiorizem conceitos que são apresentados muito precocemente, com a agravante de terem pouco tempo para o fazer”, exemplifica. E o facto de existir uma percentagem de crianças que adquirem conteúdos muito facilmente não pode ser motivo para se partir do princípio de que todas o devem fazer. É preciso espaço e tempo para aprofundar conhecimentos e para que diferentes crianças tenham acesso a diferentes graus de dificuldade, “sem travar os que estão mais aptos a avançar nem acelerar os que precisam de consolidar durante mais tempo”. Esta é a visão do MAPPE. 

Muita matéria no primeiro nível de ensino, currículo extenso, pouco tempo. “Com um currículo extenso como o que é proposto no 1.º ciclo, as crianças não têm a oportunidade de adquirir o gosto por aprender porque são mais ou menos diretamente pressionadas a passar à próxima etapa, independentemente de já se sentirem seguras na etapa anterior”, refere Ana Rita Dias. Além das alterações nas metas, é necessária uma alteração na visão de como devem ser adquiridas. O MAPPE defende uma aprendizagem por níveis, em que diferentes crianças estão em níveis diferentes na mesma sala de aula, mas sem competições. “Faz muito mais sentido e é muito mais respeitador dos ritmos de cada um.” 

A pressão para cumprir as metas sente-se na escola, nos alunos, nos professores. Mais burocracia para os docentes, frustração por não haver mais tempo para adaptar conteúdos às diferentes necessidades de aprendizagem das crianças. A pressão vem de todos os lados. “Sentem que existe uma máquina maior do que eles que os obriga a debitar matéria sem ter em consideração a flexibilidade necessária para que esta tenha real significado para os alunos”, refere a responsável. O MAPPE aplaude o recente projeto de autonomia e vê na flexibilidade curricular “um avanço extremamente positivo mas que perde a sua essência a partir do momento em que continua a existir um currículo como o que temos neste momento”. 

Pressão para os professores, pressão para os alunos. Os estudos sustentam o quão importante é as crianças adquirirem uma boa autoestima, autoimagem e autoconfiança logo no início da escola. Para se sentirem competentes e para, no futuro, alcançarem os seus objetivos. “Para uma criança se sentir competente, necessita de sentir que consegue corresponder às expectativas do que lhe é proposto e essa sensação leva a que acredite mais em si própria e a que tenha uma imagem positiva de si mesma no percurso académico.” “Ora, se temos metas complexas para a sua faixa etária e que exigem que a criança domine conteúdos para os quais ainda não está preparada, estamos a promover o oposto, ou seja, estamos a fazer com que exista uma maior probabilidade de se sentir incompetente, ‘burra’ e incapaz”. 

“Este sentimento, que fica gravado no seu mundo emocional, acaba por definir o seu comportamento futuro perante a escola como, por exemplo, não se tentar superar porque não acredita que valha a pena. Portanto, mais do que as aquisições concretas e rígidas, no 1.º ciclo o mais importante é as crianças sentirem que conseguem compreender e dominar as matérias, pois será esse o motor que as levará a ter mais sucesso no futuro e mais ânsia por estudar e aprender”, sublinha Ana Rita Dias.

O MAPPE vai entregar uma petição em breve e pondera uma manifestação. O movimento defende escolas com espaços mais humanizados, respeitadores, saudáveis, positivos e, acima de tudo, desejados pelos alunos. “Não é suposto termos tantas crianças e jovens que não gostam de aprender, quando a vontade de saber mais é algo inato em cada um de nós. Muitos alunos dizem convictamente que não gostam da escola e isso acontece porque com um ensino tão formatado lhes matamos a motivação na perseguição dos seus interesses”, realça. 

“Uma criança que não quer aprender é uma criança a quem foi cortada a chama da curiosidade. Não adianta acharmos que são eles o problema ou que tudo se baseia na educação que vem de casa. O problema somos nós, os adultos, pais, profissionais e cidadãos em geral que não estamos a saber adaptar os nossos modelos educativos aos tempos que vivemos e que minamos o gosto das crianças por aprender, fazendo-as sentir que a escola é uma obrigação em vez de criar a semente de que é um privilégio”, sustenta Ana Rita Dias.

Tudo isso implica mudanças. “Precisamos de recreios mais ricos e com menos cimento. Precisamos de modelos educativos em que a criança tem um papel verdadeiramente ativo nas suas aprendizagens e pode explorar a sua criatividade. Precisamos de profissionais com formação em disciplina positiva e resolução de conflitos para abandonarem as ineficazes estratégias de punição e recompensa. Precisamos de chamar os pais, as famílias e a comunidade à escola, assim como de levar a escola para fora dos muros, criando-se um maior espírito comunitário, sem barricadas e apontar de dedos de quem é a culpa do estado do nosso ensino. Precisamos de ter, acima de tudo, um novo olhar sobre a educação”. A petição do movimento assenta em princípios claros e fortes. 

O MAPPE refere que tem existido sensibilidade para estas questões e que o Ministério da Educação está a tentar, lentamente, a ir ao encontro de vários dos pontos que defende. O otimismo persiste. Acredita-se que a escola será melhor nos próximos anos, apesar de todas as resistências. Ainda assim, o movimento considera que algumas medidas deviam ser mais ousadas e que deveria haver uma maior preparação no momento da sua implementação. Muitas vezes não se sabe fazer, não se sabe como começar. 

“Percebemos que estas coisas demoram o seu tempo, que há mentalidades mais conservadoras e que não é fácil gerir os desafios e dificuldades de uma escola que ficou parada no tempo e que agora quer evoluir, seja com metodologias muito expositivas, salas de aula nada dinâmicas ou processo de aprendizagem que não são focados no aluno mas sim no professor. Contudo, nesta necessidade de subir degraus muito devagar, corre-se o risco de se estar sempre a alterar o funcionamento das escolas e de se gerarem demasiados remendos, em vez de se deixar em aberto de forma mais clara e convicta o que é preciso revolucionar”.

Os modelos alternativos têm funcionado e há casos de sucesso. Melhor educação implica escolas diferentes e diferentes funcionamentos. Como a Escola da Ponte, o Agrupamento de Carcavelos ou a Escola Básica da Várzea de Sintra que, segundo Ana Rita Dias, “apesar de precisarem das suas próprias reformulações, deram passos muito maiores do que aqueles que vêm por decreto e tiveram a coragem de ir ao fundo da questão”.

Há portanto pedagogias alternativas, menos tradicionais, com provas dadas na eficácia. “Apesar das suas diferenças, têm em comum alguns princípios que são incontornáveis no futuro, como um papel mais ativo da criança nas suas aprendizagens, uma dinâmica de aula menos rígida e expositiva, um funcionamento escolar menos hierarquizado e mais democrático, um maior investimento nas artes, música e desporto, um maior contacto com o exterior e com a brincadeira não programada, entre outros.” Neste movimento, a luta é por uma educação que realmente serve os alunos e não por uma educação que é imposta e na qual eles não se reveem.

https://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=134766&langid=1

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Escolas estão a criar turmas demasiado grandes para alunos com necessidades especiais

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) acusou, esta quinta-feira, os serviços do Ministério da Educação de aconselhar as escolas a não reduzir o número de alunos das turmas que contam com estudantes com Necessidades Educativas Especiais.

Segundo a Fenprof, aos diretores escolares estão a ser informados que devem manter as turmas, mesmo no caso de alunos cujo Plano Educativo Individual (PEI) indique a necessidade de estarem integrados em turmas mais pequenas.

No comunicado enviado para a Lusa, a Fenprof diz que a indicação de reorganizar as turmas de forma a não reduzir o número de alunos está a partir das delegações regionais da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEsTE).

"Segundo alguns dirigentes escolares que têm contactado a Fenprof, elementos das delegações regionais da DGEsTE têm informado as escolas, após receberem as propostas de constituição de turmas, que estas deverão ser reorganizadas, pois o facto de os alunos serem referenciados com Necessidades Educativas Especiais NEE e, no seu PEI [Plano Educativo Individual], ser referida a necessidade de integrarem turmas com número reduzido (máximo de 20 alunos, nos termos da lei), essa não será condição suficiente para a redução", lê-se no comunicado daquela estrutura sindical.

A Fenprof afirma que, em alguns casos, estas orientações significam um aumento de alunos por turma de 50%, já que passam de 20 para 30 estudantes.

Outro dos problemas, denunciado hoje pela Fenprof, prende-se com a dificuldade que alguns professores com doenças incapacitantes estão a ter para conseguir ser transferidos de escola.

"Um elevado número de docentes que pretende ser destacado através do mecanismo de mobilidade por doença está a ser notificado de que a sua pretensão foi indeferida", por não ter entregado documentos indispensáveis para requerer este tipo de mobilidade, escreve aquela estrutura sindical.

Segundo a Fenprof, no entanto, "a esmagadora maioria dos professores que contactaram os Sindicatos da Fenprof entregou o processo completo" e os serviços do ministério informaram que os professores lesados deverão reclamar do indeferimento.

Contactado pela Lusa, fonte do gabinete do MEC apontou duas razões possíveis para os processos terem sido indeferidos: os docentes requerentes não entregaram toda a documentação necessária ou então o relatório médico não sinalizou a necessidade da mobilidade para outro concelho, tal como previsto na legislação.

No final de junho, o secretário de estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, autorizou o Destacamento por Condições Específicas de 2104 a todos os professores que reunissem os requisitos necessários para o efeito.

"Os docentes que solicitaram a mobilidade interna, por motivo de doença sua ou de familiares, ficarão assim afetos às escolas da sua preferência, de modo a poderem exercer a sua profissão na proximidade das suas residências ou das instituições onde realizam ou acompanham tratamentos", garantia o ministério da Educação e Ciência.

Nessa altura, em finais de junho, tinham sido já validados 2104 requerimentos: 1291 apresentados por doença incapacitante do próprio docente; 473 por doença incapacitante de ascendente que com o docente coabita e que dele depende exclusivamente; 212 por doença incapacitante de descendentes e 128 por doença incapacitante de cônjuge ou de pessoa com quem vivem em união de facto.

Noticia retirada daqui

sábado, 19 de julho de 2014

Comissão do IRS propõe que parte do salário seja pago em "vales escola"

A Comissão de Reforma do IRS propõe que as empresas paguem parte dos vencimentos dos trabalhadores através de vales sociais de educação isentos de tributação, a serem utilizados para pagamento de serviços e materiais escolares dos filhos.

Para apoiar o esforço económico que as famílias realizam com a educação dos seus filhos, o anteprojeto apresentado esta sexta-feira pela comissão do IRS sugere que parte dos salários dos trabalhadores dependentes seja pago através de um vale social de educação, o "ticket escola", que não será tributado e que servirá para pagar as contas escolares dos filhos até aos 16 anos.

No anteprojeto divulgado esta sexta-feira, a comissão do IRS dá o exemplo do impacto do "ticket escola" na tributação de um contribuinte solteiro com um filho e com um rendimento anual bruto de 28 mil euros. Com um vale de apoio mensal de 100 euros, a comissão estima uma poupança de 444 euros em sede de IRS (Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Singulares) e uma redução da taxa efetiva de 7,2%.

Até aqui, o rendimento é deduzido da dedução específica da categoria profissional e não é dividido, resultando num rendimento coletável de 23896 euros o que, com a aplicação da tabela geral, significa um montante de coleta de 6162 euros e uma taxa efetiva de 22%.

Com a introdução desta proposta, no mesmo rendimento bruto anual são pagos 1200 euros anualmente na forma do vale social. Este rendimento é deduzido da dedução específica e do valor recebido a título de "ticket escola" apurando-se um rendimento coletável de 22696 euros. O montante de coleta fixa-se nos 5718 euros (com a aplicação da tabela geral), sendo a taxa efetiva de 20,4%.

Entre as propostas da comissão está também o "alargamento do conceito de dependente" para efeitos de tributação da família, de modo a considerar para efeitos de IRS todos os filhos com idade até 25 anos que ainda residam com os pais e que não tenham rendimentos.

"Esta medida visa salvaguardar especialmente as situações de jovens desempregados que hoje afetam as famílias portuguesas", refere o anteprojeto.

Liderada pelo fiscalista Rui Duarte Morais e composta por 10 elementos, a Comissão de Reforma do IRS tomou posse a 18 de março e apresentou o anteprojeto esta sexta-feira, seguindo-se agora um período formal de consulta pública do documento.

Posteriormente, caberá ao Governo apresentar na Assembleia da República uma proposta de lei sobre esta matéria, tendo o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, afirmado no parlamento que é intenção do Governo que a reforma seja "objeto de uma proposta autónoma de lei", não sendo por isso incluída no Orçamento do Estado para 2015, tal como já sucedeu com a reforma do IRC - Imposto sobre o Rendimento de Pessoa Coletiva.

Noticia retirada daqui

sábado, 6 de outubro de 2012

Na Madeira há alunos que vão a pé para a escola por causa do preço dos passes


Encarregados de educação protestaram esta quarta-feira junto da Secretaria Regional da Educação da Madeira contra as alterações na atribuição do passe escolar que está a obrigar alunos de Câmara de Lobos a deslocarem-se a pé para a escola. “Queremos os nossos direitos”, “queremos os nossos passes” e “a educação é um direito, sem ela nada feito” foram algumas das palavras de ordem que gritaram os cerca de 30 encarregados de educação que se concentraram junto à secretaria, no Funchal, a esmagadora maioria com filhos a frequentar a EB 2,3 do Estreito de Câmara de Lobos. 

Aires dos Santos, de 47 anos, residente no Castelejo, explicou que “o ano passado e no último mês” os filhos, de 11 e 13 anos, a estudar naquela escola, tiveram direito a passe escolar, o que já não sucede agora. “Disseram que não tinham direito a passe escolar, porque a distância de casa à escola era três quilómetros”, declarou o encarregado de educação, manifestando “preocupação” pelo facto dos filhos se deslocarem a pé, independentemente das condições climatéricas. Acresce, segundo Aires dos Santos, a segurança ao longo do trajecto, de orografia difícil. “Saem de casa às 07h00, demoram uma hora a pé até à escola e carregam mochilas pesadas”, destacou, frisando que se trata de uma via com muito trânsito. 

A iniciativa, à qual se juntaram elementos do PCP e BE, ocorreu na sequência de uma audiência de duas encarregadas de educação com o secretário regional da Educação e Recursos Humanos, Jaime Freitas. Elisa Mendonça, do PCP, partido ao qual pais solicitaram apoio para a resolução desta situação, disse que o problema tem origem numa alteração legislativa publicada em Agosto no Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira. 

Segundo a responsável, antes desta mudança beneficiavam de apoio no transporte escolar os alunos que residissem fora de um raio de dois quilómetros da escola ou “num raio de um quilómetro”, desde que “em zonas com acesso de dificuldade acentuada”, situação que era avaliada pela escola. Desde Agosto, a excepção de um quilómetro passou para três, situação que “está a afectar dezenas de alunos” da EB 2,3 do Estreito de Câmara de Lobos, mas também da secundária do Carmo, no mesmo concelho. “É uma injustiça que está a prejudicar os alunos que moram nas zonas altas de Câmara de Lobos, obrigando os pais a gastar no passe 30 a 40 euros mensais, quando dantes o valor era de 12 euros”, sustentou, apelando à revogação da alteração legislativa. 

No final da audiência, Elisabete Figueira, de 39 anos, referiu que o secretário prometeu verificar “o trajecto real” e não os três quilómetros, cuja contagem, segundo esclareceu, é feita “em linha recta”. Os encarregados de educação, alguns dos quais se deslocaram para as imediações do Parlamento regional para sensibilizar os deputados, vão esperar até ao fim de semana por uma decisão da tutela, caso contrário admitem outros protestos. A secretaria informou que Jaime Freitas explicaria, através de comunicado, o resultado da audiência.

Autor: Lusa

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crianças comem mal nas escolas

Há crianças a passar fome nas escolas portuguesas, com os pais a reclamarem da quantidade e qualidade das refeições servidas aos alunos. A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) revela que "existem empresas sob especial vigilância", enquanto a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) considera "insuficiente" o número de funcionários das empresas de refeições a trabalhar nos refeitórios.
"Recebemos várias queixas de que a quantidade servida é insuficiente e que a sopa, por exemplo, não tem sabor", referiu Albino Almeida, presidente da Confap, garantindo que "o número de alunos a comer nas escolas vai aumentar, com a subida do preço dos transportes".
Adalmiro da Fonseca, presidente da ANDAEP, denuncia a falta de funcionários nos refeitórios. "Há empresas que não respeitam o rácio de alunos por funcionários. Isso reflecte-se na qualidade da comida", afirma.
Para a Confap, a situação vai agravar-se. "Estima-se que o aumento de alunos a comer nas escolas seja de 10 por cento", acrescentou Albino Almeida.
Uma das situações que gera queixas acontece no Jardim-de--Infância e Escola Básica nº 1 de Trás-as-Eiras, em Sobrosa, Paredes. "Uma vez entrei na cantina e percebi que a comida era pouca. Confrontei a professora e ela confirmou que era insuficiente", contou Leonor Leal, mãe de uma aluna. A autarquia, responsável pelo fornecimento das refeições, admite os problemas, mas diz que a situação se encontra "estabilizada".

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Alunos estendem faixa de protesto contra fim do passe escolar

Alunos da Escola Secundária António Arroio, em Lisboa, colocaram nesta sexta-feira uma faixa de protesto contra o fim da comparticipação estatal nos passes de transporte público, uma situação que já terá levado estudantes a cancelar a matrícula do próximo ano.
Uma dezena de estudantes juntaram-se no jardim da Alameda, onde estenderam duas faixas de oito metros, uma de cada lado da fonte, onde se lê "Sem o passe, eu não passo".
O objectivo, segundo disse Carolina Lourenço à agência Lusa, é "deixar uma mensagem simbólica" e mostrar ao Governo que estão insatisfeitos com os cortes nos passes.
"Já temos feito muitas manifestações que tiveram bastante adesão, portanto desta vez decidimos colocar estas duas faixas, de forma silenciosa, mas com a mensagem bem presente", afirmou a estudante de artes do 11º ano.
De acordo com os alunos, a medida anunciada pelo Governo já levou alguns estudantes a cancelar a matrícula para o próximo ano lectivo, por não terem condições de se manter na escola.
"Há alunos que vêm de Mafra ou Santarém e que pagam 70 euros de passe. A partir de Junho vão pagar 140 euros, portanto é impossível para eles comportar este custo", disse Elsa Severino, outra das alunas.
"Não conseguimos sobreviver com estes cortes. Muitos alunos aqui já anularam a matrícula e é o que vai acontecer em muitas outras escolas do país", acrescentou Núria Coelho.
Além de Lisboa, também alunos de secundárias do Seixal e Torres Novas tinham previsto para esta sexta-feira acções semelhantes.
Os estudantes prometem "continuar a luta" contra o anunciado fim do passe 4-18 nos termos em que é financiado actualmente, com uma redução de 50 por cento no preço.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Três em cada quatro alunos copia e alguns começam os "treinos" na escola primária


Nas universidades, três em cada quatro alunos assumem copiar nos exames e 90 por cento destes já o faziam no liceu. Às cábulas tradicionais vieram entretanto juntar-se métodos mais sofisticados, partilhados na internet.O professor da Universidade do Minho Ivo Domingues avançou com um projecto de investigação para perceber qual a verdadeira dimensão do "copianço" nas escolas portuguesas e deparou-se com uma realidade assustadora: “No ensino superior a predisposição para copiar é quase universal”.

O estudo realizado em 2006 veio revelar que três em cada quatro estudantes universitários copiam. “E fazem-no em qualquer disciplina, desde que precisem e possam”, sublinha o sociólogo à agência Lusa.

A investigação - "O copianço na universidade: o grau zero na qualidade" – demonstrou que existia uma espécie de “carreira escolar” no mundo da cábula: “90 por cento dos que diziam copiar já o faziam anteriormente” e alguns tinham começado “logo na primária”.

Se cabular é um hábito generalizado, rapazes e raparigas distinguem-se na hora de definir uma técnica: as alunas têm mais tendência para trocar informações entre si, “de forma mais solidária”, enquanto eles o fazem “de modo mais autónomo”.

Ivo Domingues detectou ainda que “tendencialmente os alunos que querem copiar são os primeiros a chegar à sala de aula, para escolher os lugares que os colocam mais na zona de sombra do olhar e da atenção do professor”. Mas há alunos que copiam na “linha da frente”.

As novas tecnologias são cada vez mais usuais nas salas de aula, mas não fizeram desaparecer os métodos mais tradicionais de "copianço".

“As cábulas podem ser colocadas em canetas, bolsos, nas próprias provas do exame, nos tampos das mesas, até aos métodos mais sofisticados como máquinas de calcular ou telemóveis”, diz Ivo Domingues.

Auscultadores ocultos pelos cabelos e “ligações telefónicas do interior da sala para o exterior” são outras técnicas enumeradas pelo investigador e divulgadas na Internet.

A Lusa encontrou um site onde um anónimo de Braga vendia um “kit de espionagem adaptado para copiar nos exames” por 300 euros. No youtube surgem vídeos que ensinam técnicas sofisticadas como reproduções dos rótulos das garrafas de coca-cola, onde as informações em letrinhas brancas são substituídas por matéria.

Na Internet, há também salas de conversação onde se trocam experiências de vida: “Já usei telemóvel e pergaminho no bolso da casaca”, ironiza um ex-aluno, enquanto noutra sala alguém recorda os tempos em que se usavam os “relógios Cásio com máquina de calcular”.

Conhecendo-se as técnicas, porque é que os professores não actuam mais? Ivo Domingues lembra que alguns “desvalorizam os efeitos negativos do copianço” e outros querem prevenir conflitos.

“Na identificação do ato de copiar o professor corre riscos, porque se pode enganar e o aluno não estar a copiar ou ser confrontado com a recusa do aluno em reconhecer que estava a copiar, obrigando-o a ter de o provar em público”, explica.

Os professores sabem que estão sozinhos nesta 'guerra'. Entre os estudantes existe uma espécie de “código de conduta”, um pacto de silêncio, porque para eles o "copianço" não é uma prática ilícita.

Público

terça-feira, 15 de junho de 2010

Chumbos estão a diminuir devido a limpeza nas estatísticas


É uma relação de causa e efeito que está patente nas estatísticas dos últimos anos divulgadas pelo Ministério da Educação: mais do que a um alegado maior facilitismo dos exames, a queda abrupta de chumbos entre os alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário tem ficado a dever-se sobretudo ao número crescente de jovens "desviados" para as vias profissionalizantes, na sequência de uma reforma aprovada em 2004 pelo ministro do PSD, David Justino, e que foi concretizada e ampliada nos anos seguintes pela ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues. "Indirectamente, induziu-se assim uma melhoria dos resultados que, infelizmente, não tem a ver com uma melhoria da qualidade do ensino ou dos alunos. Trata-se tão-só de um efeito estatístico", frisa ao PÚBLICO Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional de Educação e investigador da Universidade Católica do Porto. Muitos dos jovens que estão nas vias profissionalizantes eram alunos com dificuldades. Agora podem concluir os seus estudos sem realizar exames nacionais e com processos de avaliação interna nas escolas menos exigentes do que aqueles em vigor para os alunos do chamado ensino regular. A sua prestação deixou também de contar para o cálculo das taxas de retenção e de transição, já que estes são indicadores que apenas expressam a situação no ensino regular, onde geralmente estão os alunos que tencionam prosseguir estudos.

Entre 2006 e 2009, o número de estudantes nas vias profissionalizantes do secundário subiu mais de 50 por cento, enquanto o número de jovens no ensino regular desceu quase 11 pontos. Em consequência deste duplo movimento, no ano lectivo passado a percentagem de alunos nos cursos profissionais representava já 36,6 por cento do total. Neste período de tempo, a taxa de retenção no secundário, ou seja, a relação percentual entre o número de alunos que não puderam transitar para o ano seguinte e o número de matriculados nesses anos lectivos, desceu quase 12 pontos, passando de 30,6 para 18,7.

No 3.º ciclo, a taxa de retenção passou de 19,1 em 2006 para 13,7 em 2008. Em 2009 ficou-se nos 13,8. Este grande trambolhão nos chumbos dá-se no final do ano lectivo que foi também o da primeira grande expansão dos chamados Cursos de Educação e Formação (CEF). Estes cursos são destinados aos jovens com mais de 15 anos que têm um historial de retenções. O número de inscritos nos CEF representa cerca de 10 por cento dos matriculados no 3.º ciclo. De 18.224 inscritos em 2006 passou-se para 43.984, um suplemento de quase mais 26 mil alunos. Que são quase tantos como os que o 3.º ciclo do ensino regular perdeu durante esse período.

Há quatro anos, estes alunos entravam para as estatísticas do ensino regular, o que agora não acontece. "Isso tem um efeito nos resultados porque estes 10 por cento são os estudantes que, à partida, tinham mais dificuldades, são os piores alunos", sublinha Joaquim Azevedo. Nas escolas, o processo está em curso agora, antes das reuniões finais de avaliação. Os directores de turma e os serviços de psicologia e orientação chamam os encarregados de educação dos alunos repetentes que se encontram em risco de chumbar de novo para propor a transferência para cursos profissionalizantes.

Em muitos casos, a passagem do aluno é decidida em função da aceitação desta alternativa - poderá transitar de ano, no mesmo nível, se trocar o ensino regular por um curso profissionalizante, que lhe dará a equivalência ao 6.º, 9.º ou ao 12.º ano, consoante as habilitações que já possuir no acto de transferência.

Já esta semana, o Ministério da Educação deu por concluída outra revolução estatística: incluiu, pela primeira vez, os adultos das Novas Oportunidades, abrangidos pelos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), entre a população inscrita no 3.º ciclo e no secundário no ano lectivo de 2008/09, que é o último de referência.

O Ministério da Educação justifica a alteração com o facto de, nos últimos anos, esta modalidade ter vindo a substituir gradualmente o ensino recorrente, também procurado por adultos, mas não só, e que era, e continua a ser, contabilizado para o número de matriculados. Através dos adultos em RVCC, cerca de 20 por cento do total, o número de matriculados que é apresentado no secundário ultrapassou os 470 mil, o que representa um acréscimo de mais 130 mil por comparação a 2005/06.

Como o número de alunos do ensino regular continua em retracção e o dos cursos profissionais se mantém em expansão, a soma dos adultos das Novas Oportunidades significa também que quase 60 por cento da população que o Ministério da Educação apresenta agora como estando no ensino secundário não precisará de realizar exames nacionais para concluir o 12.º ano ou equivalente.

O mesmo se passa, mas com os exames do 9.º ano, com cerca de 40 por cento das 500 mil pessoas que o ME dá também como inscritas no 3.º ciclo.

Público

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Estes miúdos não vão à escola. É a escola que vai até eles


Podem assistir às aulas de pijama. Por vezes, ainda estão a comer o pequeno-almoço quando ligam o computador. De manhã, sentam-se na sala, no quarto, dentro ou fora da caravana ou mesmo na rua para, às 9h00, começarem as aulas e cumprirem o que os professores lhes pedem via Internet até às quatro da tarde.

É assim que funciona a Escola Móvel (EM), criada a pensar nos filhos dos profissionais itinerantes, gente do circo ou feirantes que não estão muito tempo na mesma terra. Por isso, as crianças e jovens não podem frequentar a escola como os outros.

A EM é uma escola pública com horários, trabalhos, provas escritas e de recuperação, que cumpre o calendário escolar e o dos exames nacionais como qualquer outra. A grande diferença é que funciona através do computador, com professores ligados pela Internet aos alunos, estejam estes em Portugal ou no estrangeiro. Até 2004/05 a opção era mudar de escola várias vezes ao ano, tantas quanto as famílias precisavam por causa das suas profissões.

"Não aprendia, chegava a uma escola e não sabia a matéria, noutra estavam a repetir o que já tinha aprendido, noutra não me ligavam. Um dia havia teste e fiz!", conta, divertida, Carina Calção, 12 anos, no 7.º ano, resumindo o que se passava na vida de muitos dos mais de cem alunos que frequentam a escola. Para muitos, as consequências eram óbvias: abandono e insucesso escolar.

Em 2005/06, a EM começou apenas com o 3.º ciclo; actualmente, os alunos podem entrar no 5.º e terminar no 12.º ano. Além dos itinerantes, a escola recebe mães adolescentes da associação Ajuda de Mãe e alunos do programa 15+ (com mais de 15 anos e sem o 2.º ou o 3.º ciclo completos).

Com um rácio de um professor para três alunos, a taxa de sucesso no último ano lectivo foi de 96,6 por cento - esta é calculada tendo em conta os alunos que concluem com sucesso mas também os que "têm a possibilidade de concluir a escolaridade obrigatória através de uma oferta educativa diferenciada", explica a directora Luísa Ucha. No último ano, apenas três reprovaram.

Apoio próximo

Os docentes são também tutores e reúnem duas a três vezes por semana, com um grupo pequeno de alunos. "É como se a ‘setora’ só me explicasse a mim", define Micaela Castro, 16 anos, no 8.º. "Todas as turmas são de todos os professores. Estamos inscritos em todas as disciplinas, de maneira a podermos ajudar os alunos globalmente", reforça Paula Félix, professora de Matemática. "O espaço de tutoria, em horário lectivo, permite aos alunos terem um apoio muito próximo de um professor que acompanha directamente os estudos em todas as disciplinas e ajuda a estudar, a realizar actividades e a cumprir horários e regras", define Luísa Ucha.

Com um horário para cumprir, os alunos vão trabalhando e, quando não estão a fazê-lo, os professores, em Lisboa, detectam que o computador não está a ser usado. Então contactam os encarregados de educação.

Quatro semanas por ano, a escola torna-se uma realidade física com salas de aula, ginásio, refeitório e camaratas a funcionar na Unidade de Apoio da Área Militar Amadora-Sintra. Durante uma semana, internato incluído, há visitas de estudo, actividades de laboratório, mas também regras para cumprir - como tirar o chapéu sempre que se entra na sala de aula -, convívio e brincadeira. São semanas de que os alunos gostam, asseguram os docentes.

Luísa Ucha não diz quanto custa a Escola Móvel, mas avança que o "investimento é elevado", porque inclui o custo dos portáteis, das semanas presenciais e recursos físicos e humanos.

CM

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Alunos retidos no 8.º ano com escola obrigatória até aos 18


Nos termos deste diploma, para os estudantes que se matricularam no 8.º ano no ano lectivo de 2009-2010 o limite da escolaridade obrigatória em vigor continua a ser os 15 anos. Mas esta disposição não se aplicará aos alunos que ficarem retidos naquele ano, para os quais passará a vigorar também a obrigatoriedade de permanecer na escola até aos 18 anos, esclareceu o Ministério da Educação.

Em resposta a questões do PÚBLICO, o ME adiantou que, devido à inclusão destes alunos no novo regime, se decidiu criar uma nova oportunidade de avaliação. Um despacho do secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura, publicado na semana passada em Diário da República, estabelece assim que os estudantes retidos no 8.º ano, que completem 15 anos até 31 de Agosto, poderão tentar concluir o 3.º ciclo já neste Verão, autopropondo-se a exame a todas as disciplinas que integram o currículo do 9.º ano.

Segundo o ME, esta é uma disposição que apenas vigorará este ano. Até agora, só os estudantes que já estavam no 9.º ano tinham a possibilidade, no caso de não serem aprovados pelos professores, de se autoproporem a exame para tentarem concluir o 3.º ciclo.

O novo despacho estabelece ainda que os alunos que estão no 6.º ano, e que contem já com duas retenções neste ciclo de estudos, também se poderão candidatar a exame a todas as disciplinas com o objectivo de concluir o 2.º ciclo, embora se mantenha, para estes, a obrigatoriedade de matrícula até aos 18 anos.




domingo, 6 de setembro de 2009

Cavaco Silva promulgou alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos

O Presidente da República já promulgou o diploma que prevê o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, confirmou à Lusa fonte da Presidência da República.

A proposta de lei do Governo - que foi aprovada a 10 de Julho com os votos favoráveis do PS, PCP, BE e PEV e a abstenção do PSD e do CDS-PP - estabelece o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens em idade escolar e consagra a "universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir de cinco anos".

Na altura da discussão do diploma na especialidade, o PS concordou com a retirada do artigo da proposta referente à admissão ao trabalho de menores abrangidos pela escolaridade obrigatória, que tinha motivado críticas por parte da oposição, nomeadamente da deputada não inscrita Luísa Mesquita, que requereu a sua eliminação.

A oposição criticou ainda a celeridade do processo legislativo, acusando o PS e o Governo de tentar cumprir "à pressa" uma promessa eleitoral, sem que se saiba quando entra em vigor, já que remete para legislação complementar sem prazos definidos.

Na altura, o socialista João Bernardo reiterou que o Governo está a criar no terreno as condições necessárias à universalidade do pré-escolar com a construção de salas de aula para abranger 100 por cento das crianças até 2011.

sábado, 1 de agosto de 2009

“Em Matemática não se pode desistir à primeira”

Pedro Vieira, 18 anos, falou sobre as Olimpíadas Internacionais de Matemática.

CM – Qual a sensação de ser o primeiro português a vencer uma medalha de prata nas Olimpíadas Internacionais de Matemática?

– Muita felicidade. É o reconhecimento de muito trabalho.

– Será um efectivo sinal de que os portugueses estão melhor à disciplina?

– Os que competem em Olimpíadas estão melhor...

– O Plano de Acção para a Matemática não ajudou a melhorar as coisas, como diz o Governo?

– Nunca senti isso. Importante foi o projecto Delfos, que nos prepara para estas competições.

– Sempre gostou da disciplina de Matemática?

– Desde a escola primária.

– Qual o segredo para ter sucesso nesta cadeira?

– Acima de tudo, não se pode ter espírito derrotista e desistir à primeira, é preciso tentar descobrir onde está o erro. O grande problema dos estudantes portugueses é desistirem com facilidade.

– Que carreira quer seguir?

– Vou candidatar-me agora a Matemática Aplicada e Computação, no Técnico. Tive 20 a quase tudo, menos Português e Biologia, e tenho média de 19,7. Talvez opte depois pela área da Investigação.

Bernardo Esteves

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Inscritos em escolas longe de casa

Dezenas de alunos matriculados no Agrupamento Vertical de S. Lourenço, em Valongo, foram colocados em primárias a cinco quilómetros de casa, quando há outras mais perto. Os pais estão indignados e a DREN admite que pode haver alterações.

As listas com a indicação das escolas que os alunos do primeiro ano do Ensino Básico vão frequentar deixaram os pais perplexos. Em vez de ficarem nos estabelecimentos mais próximos da residência (escolas da Costa e do Carvalhal), foram colocados no mais distante (escola das Saibreiras). Os encarregados de educação já enviaram cartas à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) a mostrar o descontentamento e vão reunir hoje, pelas 18 horas, no Parque Urbano de Ermesinde para discutir como resolver o problema.

Contactado pelo JN, a direcção do agrupamento de escolas de S. Lourenço, em Ermesinde recusou-se a prestar declarações, afirmando apenas que está a ser cumprida a legislação (ler caixa ao lado).

A DREN assegurou ao JN que o problema está a ser acompanhado e que as listas poderão vir a ser alteradas. Para a próxima segunda-feira está agendada uma reunião entre a DREN e o Conselho Executivo do agrupamento de escolas para resolver o assunto.

Para além de verem as expectativas goradas sobre a escola que pretendiam para os filhos, os pais de, pelo menos, nove crianças já pagaram a inscrição e o mês de Agosto de 2010 num ATL privado, que assegura o transporte de e para a escola da Costa e do Carvalhal, mas não o faz para as Saibreiras. "O ATL funciona no infantário que eles frequentavam e assgura o transporte de manhã para a escola e, à tarde, de novo para o ATL", explicou Marco Santos, encarregado de educação. A questão do transporte e do ATL como complemento às aulas é determinante porque os horários de trabalhos dos pais não são conciliáveis com os da escola. "Entram às 9 horas e saem às 15.30 horas", afirmou Marco Santos.

Margarida Fidalgo está na mesma situação. Pagou 200 euros pela inscrição e pelo mês de Agosto no ATL e não aceita que o seu filho seja obrigado a sofrer duas adaptações num ano: "Já vai para uma escola nova, se tiver de ir para outro ATL são mudanças a mais", comenta a encarregada de educação e docente. Mais grave, acrescenta, "há casos de crianças que fizeram o pré-escolar na Escola da Costa e tiraram-nos de lá para os pôr na Escola das Saibreiras". "Não entendo os critérios do agrupamento", desabafa.

Segundo as contas desta mãe, serão cerca de 40 as crianças colocadas em escolas diferentes das escolhidas como primeira prioridade.

sábado, 4 de julho de 2009

Mochilas com excesso de peso

Os alunos levam às costas cerca de cinco quilos em livros e material escolar. Quase dois terços queixam-se de dores decorrentes da sobrecarga nas mochilas, revela um estudo apresentado na Universidade do Minho. A generalização dos cacifos nas escolas é uma das soluções apresentadas.

O trabalho de Regina Barros demonstrou que a maioria dos alunos analisados apresentava alterações posturais relacionadas com o excesso de peso nas mochilas. As alterações à coluna afectavam 69 por cento dos alunos, a protusão dos ombros (ombros para a frente) 59 por cento e a anteriorização do pescoço, 49 por cento. O estudo envolveu 136 alunos de vários ciclos de ensino de escolas públicas e privadas. A autora verificou que, tendencialmente, os alunos dos primeiros anos transportam mais do que dez por cento do seu peso nas mochilas, ao contrário do que recomendam especialistas. A tendência só se inverte nos 9º e 12º anos.

O peso médio dos sacos escolares apresentava valores entre os 4,1 quilos e os 5,4 quilos. Cerca de 77 por cento dos estudantes preferem usar mochila, 12 por cento optam pelos sacos com uma alça e seis por cento pelo carrinho. Menos de metade dos que usam mochilas colocam as duas alças nos ombros.

Uma das soluções apresentadas para evitar os problemas de saúde é a instalação de cacifos. "A maioria das escolas não tem condições para que os materiais permaneçam na instituição de ensino, pois não existem armários individuais ou então são em número insuficiente", explicou a investigadora.

Regina Barros apelou a professores e a editoras para que exijam manuais mais leves. "É imperativa a cooperação de todos os envolvidos para ultrapassar os problemas do uso incorrecto e peso inapropriado do saco escolar", considerou.

Edgar Nascimento com Lusa

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Alargamento da escolaridade obrigatória aprovado

A Assembleia da República aprovou na semana passada por unanimidade a proposta do Governo que define o alargamento da escolaridade obrigatória de nove para 12 anos e consagra "a universalidade da educação pré-escolar para crianças a partir dos cinco anos".

A proposta foi aprovada na generalidade e vai baixar à Comissão parlamentar de Educação e Ciência, para depois ser discutida na especialidade.

Com o novo diploma, os alunos portugueses só terminam a escolaridade obrigatória no 12º ano de escolaridade, no actual Ensino Secundário.

Lusa

terça-feira, 5 de maio de 2009

"Até ao 12.º?! Não é verdade!"

De mochila às costas e mãos enfiadas nos bolsos, Miguel Reis flecte ligeiramente as pernas e roda sobre si mesmo, como se tivesse apanhado um murro. "Obrigatório?! O 12.º ano? Não é verdade!!!".
Sob o degradado resguardo da paragem de autocarro já estavam alunos do 8.º ano do Agrupamento de Escolas de São Silvestre, do concelho de Montemor-o-Velho, que riem: "Verdade p'ra ti, puto! P'ra nós não!"
Apesar de todos serem repetentes e de terem quase a mesma idade, só Miguel, que está quase a fazer quinze anos, não ultrapassou a fronteira do 6.º ano, apanhando, em cheio, com o alargamento da escolaridade obrigatória. Ainda resmunga que está farto da escola. Mas rapidamente reage ao gozo dos colegas, erguendo a cabeça com um gesto que não faz tremer o cabelo penteado em crista: "E o que é que tem? Na booooa! Para o ano vou para Montemor e em dois anos faço um curso de informática que me dá o 9.º ano. Mais um ano de outro curso qualquer e dão-me o 12.º". E vira as costas.
Os outros não respondem. Quando chegaram à paragem, também eles reagiram à notícia com indignação: "Afinal há liberdade ou não há!?", perguntara pouco antes Filipe Silva, de 14 anos. E os outros tinham feito coro, apesar de acabarem por reconhecer, um a um, que embora tenham chegado ao 8.º ano com dificuldades (frequentam uma turma com percurso curricular alternativo, destinada a alunos com dificuldades de aprendizagem ou de comportamento) todos querem, depois do 9.º, fazer cursos profissionais com equivalência ao 12.º. Para quê? Um a um, também, todos encolhem ombros.
Filipe Silva, que caminha de um lado para o outro, inquieto, explica que "hoje ninguém tem emprego sem o 12.º". Cristiano Cortesão, um ano mais velho, também no 8.º, concorda, mas não deixa de contrapor que "nem assim" o emprego está garantido. Nuno Pascoal, que por ter 16 anos até podia deixar já a escola, também quer fazer um curso profissional, mas não tem ilusões: "Há muita gente com cursos da universidade sem trabalho", murmura, lá do murete de betão onde se deitou.
São 17h30. Um toque longo anuncia a invasão da paragem junto à escola de quase trezentos alunos situada na aldeia de São Silvestre, no Baixo Mondego. "'Tás em que ano?!", vão perguntando os mais velhos, ansiosos por dar a notícia. Marina Silva, de 12 anos, e Rafaela Gonçalves, do 5º, abrem a boca de espanto: "É um exagero!", exclama a primeira. Mas não por causa delas: ambas querem ir para a universidade.
Inês Macedo, com a mesma ambição mas já com 14 anos de idade e o 9.º ano quase feito, tem uma opinião semelhante: "O Governo não ganha nada em manter as pessoas na escola contra a sua vontade. Nem aprendem nem fazem o que querem e com 16, 17 e 18 anos, já têm o direito de decidir o que querem fazer da vida", diz.

Graça Barbosa Ribeiro

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sr. Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Poeta Al Berto,Sines‏

Escola Secundária de Sines, regras de (má) Gestão

Passados uns meses depois uma entrevista dada pelo Sr. Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Poeta Al Berto de Sines, que afirmava haver ausência de abandono escolar na referida escola, analisamos esta mesmo afirmação como uma autêntica ocultação de dados, porém não é este o único facto que me fez escrever e denunciar publicamente problemas relacionados com a Escola Secundaria Poeta Al Berto.
Ora vejamos, esta escola em que à alguns anos se notava uma eficiência de socialização entre alunos, pais, docentes, bons resultados escolares, grande variedade de cursos e áreas, onde os alunos vinham com uma outra motivação (tudo isto com a anterior Presidência), … era diferente!
Posto isto, e indo de encontro ao tema central deste artigo, revejo atitudes da parte do Presidente, que põe em causa a democracia escolar dos próprios alunos, sabemos nós que todas as escolas do país têm os seus problemas, e para não citar só problemas a Escola Secundaria de Sines também tem virtudes e enalteço as boas condições a nível de infra-estruturas, poucas qualidades para uma escola que é referência na zona do concelho de Sines onde muitos alunos optam por estudar nesta mesma escola e é a única com acesso ao ensino secundário no nosso concelho, contudo os problemas desde há uns anos a esta parte têm vindo a fazer parte do dia-a-dia escolar destes alunos, atingindo regras e atitudes, por parte do Presidente, como impensáveis para um estabelecimento de ensino, onde os princípios básicos para uma boa educação começam em casa e anexam-se na escola.
O Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Poeta Al Berto de Sines, com as suas leis, regras e imposições não deveria vir para a comunicação social afirmar que a escola está no caminho certo, tolerância no abandono escolar ZERO, alunos motivados… mas como factos são factos a nossa escola, desde que este Senhor assumiu a presidência (coincidência?), tem vindo a descer no ranking das escolas nacionais piorando de ano para ano.

E como factos são factos, o que podem os alunos desta escola comer no buffet? Pois bem, praticamente um iogurte liquido e uma sandes são os únicos alimentos disponíveis num buffet cada vez mais vazio onde semanas após semanas os alimentos vão sendo retirados limitando-se a pouca variedade, e já que estamos na onda do buffet a regra que este senhor quis impor desde o ano lectivo passado é inacreditável, pois durante o período de aulas é expressamente proibida a venda de quaisquer alimentos (seja comida ou água), sendo assim analisando bem esta situação a conclusão que chego após observar várias situações é que um aluno durante o período de aula(nesse período não é necessariamente durante a aula, pois um professor pode ter faltado e assim está isento de aula) tem sede/fome e tem que esperar até à hora do toque de saída para que as funcionárias possam vender os alimentos, e até esperar que chegue a sua vez (pois com filas intermináveis) entretanto toca para entrar de novo na aula e o aluno tem 5 minutos para se por na sua sala de aula com risco de ter falta, assim sendo o aluno irá ter que passar mais hora e meia (duração da aula) até ter oportunidade de beber a sua água (a sede já aperta)se o tempo do intervalo e as filas assim o permitirem, pois durante o período de aula o buffet não tem qualquer autorização de vender seja o que for aos alunos (PELO MENOS, A ÁGUA NÃO SE NEGA A NINGUÉM SENHOR PRESIDENTE!), é frequente ver as funcionárias atrás dos alunos nos intervalos a imporem espaços para os miúdos estarem, pois os alunos não podem andar pelos corredores na escola á vontade dando a entender que todos devem estar na sala de convívio.
Talvez seja com base neste raciocínio que o senhor Presidente, tenha proibido os “seus” alunos de se divertirem a jogar futebol nos intervalos, a escola tem os seus devidos espaços desportivos, mas mais uma regra, mais uma imposição, as redes das balizas foram retiradas e é frequente ver os funcionários da escola tirarem as bolas aos miúdos para que não joguem futebol (proibir crianças de se divertirem!) prescindindo do desporto e diversão, levando a que os alunos sem diversão entrem por outros caminhos, como por exemplo irem para o portão da escola ou para a porta da entrada dos prédios ali à frente existentes, fumarem o seu cigarrinho ou até um cigarrinho “mágico”.
Se há situações que um aluno não concorde não tem como expor a sua opinião ou defender as suas causas fazendo crer que os seus direitos são devidamente expostos e concretizados, ora bem, é de conhecimento público (ou talvez não) que a Escola Secundária Poeta Al Berto, não tem uma Associação de Estudantes não que seja por falta de alunos interessados, ou falta de listas candidatas, a história resume-se a estes factos, desde a ultima Associação de Estudantes (ainda constituída com a anterior presidência), que não há nova Associação e no ano lectivo anterior houveram duas listas que se interessaram em avançar para concorrer à Associação de Estudantes desta escola, eis que, o Presidente, não admite a constituição de uma nova Associação, perante estas duas listas que se queriam candidatar, foi argumentando problemas e obstáculos fazendo tudo para que estas mesmas listas não fossem constituídas, isto leva a crer que o Presidente não admite a união entre os alunos (Porque será?), tomando o total absolutismo face ás suas decisões.
Não é próprio de um Presidente, aquando da resolução de um problema, ainda por cima escolar, não dar direito a que os alunos expressem as suas razões e dar oportunidade para que os mesmos se defendam, pois é lamentável que o Presidente do Conselho Executivo se recuse a receber os alunos para falarem cara a cara.
Concluindo está na altura de os alunos perderem o medo de opinar as regras que são impostas, é visível o receio dos alunos e professores com medo de processo, está na altura de mudança, está na altura de ver a Secundária de Sines subir no ranking, mas, infelizmente, com estes anos todos que este senhor já leva no poder, chegamos à conclusão que com esta presidência tal é impossível! É importante uma mudança e rápida para que a situação não seja mais lamentável do que aquilo que já se sucede.

Escrito por Aluno da Escola/Estação de Sines

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Aulas acabam mais cedo

Os alunos do 11.º e 12.º anos vão terminar as aulas mais cedo do que o inicialmente previsto, para que os exames nacionais possam estar concluídos antes do início das férias de Verão.

Segundo um despacho publicado em Diário da República, a ministra da Educação determinou que as aulas dos referidos anos terminam no dia 05 de Junho, quinta-feira, em vez de dia 09 do mesmo mês. Para os restantes anos de escolaridade as actividades lectivas acabam a partir de19 de Junho.

A primeira fase dos exames dos últimos dois anos do Ensino Secundário tem início dia 18 de Junho.