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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Docentes do pré-escolar excluídos do plano para a transição digital

O Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) está de acordo com o Plano de Ação para a Transição Digital nas escolas. O problema é a exclusão dos docentes do Pré-escolar do Programa Nacional de Formação de Professores, criado para trabalhar, fornecer ou aprimorar competências digitais de quem ensina. O descontentamento do SIPE seguiu numa carta enviada ao ministro da Educação no final de 2020. Para o SIPE, esta exclusão é “incompreensível e injustificável”.

Os educadores de infância não podem ficar de fora deste percurso, segundo o SIPE. “Sendo certo que, em conformidade com o previsto no artigo 1.º do Estatuto da Carreira Docente, estes trabalhadores são, igualmente, ‘Docentes’, como os demais, devendo ser-lhes aplicável todas as regras e planos estipulados, sem qualquer discriminação”, lê-se na carta enviada a Tiago Brandão Rodrigues. “Assim, se do ponto de vista estatutário não se concebe motivação suficiente para esta exclusão dos docentes do Pré-escolar do Programa Nacional de Formação de Professores, muito menos se compreenderá essa opção do ponto de vista educativo”, sublinha a estrutura sindical.

Há determinadas variáveis em cima da mesa e esta é uma situação que o SIPE não quer deixar passar em claro, sem vincar a sua posição. Educar, sustenta o sindicato, “não é uma atividade que comece aos seis anos”. Não é tudo. “(…) hoje só faz sentido planear o Ensino Básico quando este é construído sobre um trabalho integrado que tem em conta todo o período dos zero aos seis anos de idade, abarcando o Ensino Pré-escolar.”

A carta contém várias observações e termina com o pedido de integrar, “sem distinção nem discriminação”, os docentes do Pré-escolar no Plano de Ação para a Transição Digital, em todas as suas fases. “Alienar o Pré-escolar dos desafios que se colocam na sociedade atual, cada vez mais digital e tecnológica, não dotando estes docentes das ferramentas necessárias para transmitir e aplicar essas valências, é precarizar também o futuro da Educação”, sublinha Júlia Azevedo, presidente do SIPE.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) repudia a decisão e exige informações sobre a exclusão dos educadores de infância do plano de capacitação digital dos docentes. A organização sindical releu a resolução de ministros, relativa a esta matéria, e não encontrou motivos para esta posição. O facto de não se prever a distribuição de computadores às crianças do Pré-escolar não é razão, para a FENPROF, que justifique o afastamento.

A FENPROF tem sido contactada por educadores por causa do assunto em questão, quer entender o que se passa, já pediu informações, e tomará uma posição pública quando chegar uma resposta – ou na ausência dela. “Há educadores de infância que recorrem ao meio digital em atividades que organizam e desenvolvem, mas, ainda que não o fizessem, destinando-se todo o programa a promover a literacia e inclusão e, como refere a DGE/ME, na informação enviada às direções de AE/ENA, sendo a primeira etapa, a decorrer durante o mês de janeiro, ‘fundamental para que os docentes possam participar, posteriormente, em formação específica e, deste modo, promover o seu desenvolvimento profissional’, não se compreendem os motivos da exclusão dos docentes de educação Pré-escolar”, adianta no seu site.

https://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=180425&langid=1


sábado, 13 de outubro de 2018

Ensinar por paixão e vocação


Rosa Neves tem 56 anos e é professora contratada. Este ano, está a substituir uma colega, tem um horário de 18 horas. Ano após ano, foi alimentando a esperança de entrar no quadro. Ano após ano, acreditando que agora é que era, com mestrado e doutoramento no currículo, vários projetos educativos, e cinco contratos sucessivos numa mesma escola. Mas a cada ano, nunca chega. Os critérios mudam e os seus contratos não são considerados os mais adequados.

“Há três anos, ainda pensei, desta vez é que não escapo”, lembra. Mas escapou e este ano desceu 30 lugares na lista. Houve um ano que até foi considerada técnica especialista e não professora, quando teve turmas do 11.º e 12.º ano do secundário e deu aulas sobre gestão de organizações de saúde, entre outros temas, por ser doutorada em Medicina Preventiva e Saúde Pública. “Dei aulas, assinei sumários, fiz reuniões”, recorda. No final, de nada valeu, não contou para as contas do sistema. Noutro ano, um erro administrativo, assumido pela tutela, só lhe garantiu um lugar em novembro. “Todos os anos, os critérios mudam e são injustos”, refere. 

São muitos anos sem um lugar no quadro, desde 1990/1991, o ano letivo em que começou a dar aulas. Há desgaste, desencanto, desapontamento, mas há também muitas alegrias nesta caminhada. Apesar de tudo, há vontade e motivação porque ensinar sempre foi uma vocação sem reticências, sem vírgulas, sem qualquer sombra de dúvida. O que a move, na verdade, não é um lugar no quadro, são os seus alunos. “Ponho o pé na sala de aulas e tudo muda. É um feitiço”. Uma magia que compensa tudo o resto, os momentos mais complicados. 

Rosa Neves, professora de Português, Estudos Sociais e Economia, deixa marcas pelas escolas por onde passa. Na EB2,3 D. Dinis, em Leiria, desenvolveu um projeto com alunos de várias nacionalidades, alguns refugiados. Um italiano, uma chinesa, um russo e uma russa, um nepalês, um senegalense, dois sírios. “Implementei um projeto com base em histórias tradicionais”, recorda. Levava livros e livros de casa. “Tinha a sala toda a trabalhar com livros, com histórias, com música”. Batizou o projeto de “TAI – Turma de Acolhimento Internacional, Um Presente que me Calhou”. Resultado? A integração total destes alunos na escola, as suas famílias na escola, abraços, afetos, e memórias para o resto da vida. É por eles, alunos, e para eles, que continua no ensino. 

Repensar modelo de Escola 
Sérgio Lagoa, 46 anos, é professor de Filosofia. Começou a dar aulas no ano letivo de 1994/1995, esteve como contratado durante 20 anos, só em 2014/2015 entrou para o quadro de zona pedagógica 1, geograficamente enorme mas que corresponde à sua zona de residência. “Devo dizer que tive muita sorte nessa colocação, pois não tive necessidade, como quase todos os professores, de deambular de terra em terra, de passar semanas ou meses longe de casa, de deixar esposa e filhos a centenas de quilómetros de distância”, refere. 

A profissão é cada vez mais exigente e, em seu entender, o modelo de escola deve ser debatido. E há outras questões. “Há muitos problemas que têm de ser discutidos e resolvidos: a formação inicial e contínua de professores, o sistema de avaliação, a estrutura da carreira e as condições financeiras que se quer dar aos professores, a perceção social da classe docente, a importância das suas organizações associativas e as questões deontológicas específicas da profissão”. 

Os tempos evoluem, há as competências profissionais inerentes à profissão, agora há também as competências digitais que implicam conhecimentos técnicos e comportamentais na gestão da identidade digital docente. “Se a população escolar evoluiu, o mesmo não se poderá dizer de algumas das estruturas escolares. Temos salas de aulas próprias para um ‘ensino de massas’, abundam as práticas pedagógicas magistrais e tecnologicamente a Escola avança demasiado devagar”. E o atual modelo precisa ser repensado. “Portugal passou de um ‘ensino de elites’ para um ‘ensino de massas’ no espaço de duas ou três gerações, e esta alteração já tem duas ou três décadas”, acrescenta.

Para Sérgio Lagoa, é um mito considerar que há “nativos digitais” e “migrantes digitais”, todavia a realidade é que as escolas estão envolvidas num ambiente altamente tecnológico que, na sua opinião, “urge incorporar e não excluir”. Uma inclusão ponderada, fundamentada, “sob risco de se cair numa tecnologização baseada em gadgets pouco mais que inúteis”. “E os equipamentos tecnológicos são meios, instrumentos, e não fins em si mesmos”. O professor de Filosofia defende investimento na formação do pensamento crítico, Filosofia logo desde o 1.º Ciclo, e competências de literacia digital. Até porque vivemos uma era de fake news e cada vez mais são necessárias “ferramentas intelectuais” para ler o mundo. 

As maiores alegrias da profissão? É uma pergunta difícil. “Talvez a maior alegria seja reencontrar antigos alunos e ver como eles respeitam os seus antigos professores, vê-los já na universidade ou no mundo do trabalho e ouvi-los falar sobre algo que discutimos na aula de Filosofia. É como se um bocadinho de nós estivesse ali, como uma semente que germina e cresce”. Também há tristezas. “Têm sido muitas, principalmente a desvalorização do estatuto social da profissão, erro que já vimos acontecer noutros países e que os conduziu a um lugar onde nós, portugueses, seguramente não queremos estar”, revela. 

Respeitar as especificidades de cada região 
Belmiro Santos, 62 anos, é professor contratado, tem 15 anos para efeitos de concurso. Ser professor é uma paixão e uma vocação e as suas maiores alegrias são poder partilhar a sala de aula com os jovens seus alunos, “transmitir-lhes os conhecimentos e competências adquiridas ao longo da vida, proporcionando-lhes as ferramentas que lhes permitam encarar o futuro sem medos e com competências que lhes permitam evoluir enquanto profissionais e cidadãos”. As tristezas focam-se no “abandono e falta de reconhecimento por quem de direito da importância do ‘ser professor’ no desenvolvimento socioeconómico de um país”. 

É crente e otimista, por natureza, mas neste momento está apreensivo e preocupado com o caminho que está a ser seguido pelos sucessivos responsáveis do sistema de ensino deste século. “Verbalizam uma série de lugares comuns, demonstrando a sua ignorância da realidade das nossas escolas e da nossa sociedade”. O professor do Ensino Profissional merece-lhe alguns comentários. “A escola pública dispõe de meios materiais (instalações), meios humanos e técnicos capazes, e, qualificados com capacidade de resposta para as necessidades dos meios em que estão inseridas, seria assim muito mais vantajoso, criar condições técnicas, materiais, e, reconhecimento profissional aos profissionais que aí desempenham funções”, defende.

“Enquanto isto, assistimos a uma oferta formativa de cursos qualificantes desenquadrada das necessidades regionais e locais, sem ter em linha de conta a empregabilidade dos mesmos cursos na região em que se inserem. Assistimos à proliferação de escolas profissionais privadas, sem avaliarmos as reais necessidades da sua criação e da sua existência, havendo contudo verbas disponíveis para estas entidades que visam objetivos materiais em detrimento do ensino e qualificação dos seus alunos, ao mesmo tempo que se estrangulam cada vez mais, e, de forma mais acentuada o ensino qualificante das escolas públicas”, sublinha. Na sua opinião, é urgente mudar mentalidades, “de cedência aos lóbis dos diversos setores de atividade, respeitando a especificidade de cada região, atendendo às necessidades e anseios das suas populações”. 

Belmiro Santos iniciou a sua carreira como professor provisório em 1981/1982, na Escola Preparatória de Vale de Cambra, onde pouco depois é convidado para assumir a coordenação técnica e a lecionação das disciplinas técnicas de Desenho Técnico e de Tecnologia Mecânica aos Cursos Profissionais de 3.º Ciclo, onde esteve até setembro de 1988. Os 20 anos seguintes foram passados pela indústria metalomecânica, em cargos de chefia desde a direção comercial, direção de produção, logística, planeamento. Foi ainda formador de quadros de empresas do setor.

“Como a paixão pelo ensino se manteve viva ao longo destes 20 anos, surgiu a oportunidade de regressar ao ensino em outubro de 2008, para o Ensino Profissional, como docente da componente técnica na área da Metalurgia e metalomecânica”. É onde está hoje, tendo selecionado todas as disciplinas técnicas da área. Está no Agrupamento de Escolas de Sever do Vouga. Apesar de apresentar 15 anos de serviço para efeitos de concurso, continua como contratado, na qualidade de técnico especializado, a auferir pelo Índice 151, apesar de exercer funções docentes e ser profissionalizado no Grupo de Recrutamento 530.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Mais de 90% dos professores preparam aulas com manuais escolares


Inquérito do Observatório dos Recursos Educativos revela que 92% dos professores utilizam livros escolares para preparar aulas, 97% usam os manuais em contexto de sala de aula, e 90% recomendam a sua utilização para preparar os testes.

Os manuais escolares são o recurso mais utilizado pelos professores do Ensino Básico e Secundário no nosso país. Um inquérito realizado a 4590 docentes dos níveis da escolaridade obrigatória, do 1.º ao 12.º ano, conclui que 92% dos professores utilizam os manuais escolares para a preparação das aulas, 97% usam os livros em contexto de sala de aula e 90% recomendam a sua utilização para a preparação para os testes. “Os manuais no quotidiano dos professores e alunos” é o nome do estudo levado a cabo pelo Observatório dos Recursos Educativos (ORE) junto de docentes de diferentes idades, géneros, disciplinas e regiões de Portugal. 

Mais de 95% dos professores inquiridos reconhecem que os manuais escolares ajudam a melhorar os resultados educacionais, que garantem a qualidade da aprendizagem e favorecem a sua própria atuação. Proporcionam uma abordagem rigorosa e coerente dos programas em vigor e acompanham os alunos na preparação para os testes e na promoção de um trabalho autónomo. 

O estudo, realizado em março e recentemente concluído, teve por base a sobrecarga de trabalho dos professores e 97% dos inquiridos dão nota de uma efetiva sobrecarga que compromete a atividade docente. Mais de 63% dos professores despendem mais de cinco horas por semana, além das legalmente atribuídas. Os manuais escolares são considerados um bom contributo para um tempo letivo de qualidade já que permite diversificar estratégias. 

“A relação do professor com o aluno, através do manual escolar, é bastante importante e significativa”, refere Adalberto Dias de Carvalho, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador do ORE, em declarações à Lusa. “É muito clara esta aposta dos professores nos manuais, sendo que a utilização do manual continua a ser maioritariamente usada em praticamente todas as gerações”, sublinha. 

Os resultados do estudo, as percentagens elevadas, demonstram que não se trata de um “fenómeno tipicamente português”, uma vez que Portugal está em concordância com outros países europeus que fazem “o mesmo uso deste recurso”, como a Finlândia. “A única diferença entre Portugal e outros países europeus é que nesses países os manuais são dados e não apenas emprestados. E o facto destes recursos serem dados permite ao aluno fazer uma utilização pessoal e construir uma relação com o livro”. 

“Na realidade, esta relação entre o professor e o aluno é muito importante porque permite introduzir este hábito de relação com o livro, que de outra forma ficaria perdido no seio de tantos outros recursos”, afirma o coordenador do ORE. 

O tempo é precioso sobretudo para quem trabalha além das horas legalmente estipuladas. Quanto vale o tempo para os professores? E que valor tem os manuais escolares ao economizar tempo aos docentes? Um estudo feito no Reino Unido indica que a preparação das aulas representa, para o Estado, um custo de 4,8 biliões de libras por ano (5,76 biliões de euros), enquanto o custo de todos os livros impressos, para o mesmo Governo, tem um custo de 196 milhões de libras por ano (220 milhões de euros). 

Feitas as contas, o valor anual suportado pela produção de livros escolares no Reino Unido quando comparado com o valor do tempo despendido pelos professores na preparação das aulas é de 4,1%. O que permite concluir que “o investimento em manuais escolares tem um excelente retorno para o funcionamento do sistema de ensino pois poupa tempo aos professores na preparação das aulas, permitindo-lhes dirigir mais atenção para as necessidades de cada um dos seus alunos, com óbvio impacto positivo nas aprendizagens”.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Não há renovação à vista, profissão continuará envelhecida


Estima-se que cerca de 30 mil professores se reformem nos próximos 15 anos e apenas 13 mil entrem no sistema. Nos próximos dois anos, ainda haverá contratação de docentes, depois disso é previsível que o acesso aos quadros volte a fechar. Isabel Flores, doutoranda em Políticas Públicas, faz contas e apresenta estimativas e cenários.

A profissão docente tende a permanecer envelhecida e a renovação dos quadros não se vai verificar. A quebra da natalidade tem um impacto expressivo no sistema de ensino e haverá uma diminuição do número de docentes necessários nas escolas, mesmo num cenário de manutenção do rácio aluno/professor. “Esta situação só poderá ser invertida se a procura aumentar, o que só poderá ocorrer com uma aposta na educação de adultos, elevando por esta via a taxa de frequência escolar. Após 2030 ainda não é possível fazer previsões, dado que os alunos ainda não nasceram, e é possível que a situação se altere, caso a taxa de natalidade aumente nos próximos anos”, refere Isabel Flores, doutoranda em Políticas Públicas no ISCTE e na Universidade Aberta, no seu texto “Professores: Uma Profissão sem Renovação à Vista”, publicado no mais recente relatório sobre o estado da educação do Conselho Nacional de Educação (CNE). 

Os dados disponíveis permitem fazer previsões. O número de professores no 3.º Ciclo e Secundário deverá passar de cerca de 74 mil em 2015 para pouco mais de 57 mil em 2030, menos 17 mil, o que representa uma queda de 22% no emprego nesta área, percentagem semelhante à diminuição do número de alunos. Estima-se que cerca de 30 mil professores se reformem nos próximos 15 anos e apenas 13 mil entrem no sistema. 

Nos próximos dois anos, ainda se prevê que haja contratação de professores. “Em 2017/2018 abriram cerca de 3000 vagas para professores do quadro, o que de alguma forma retrata esta previsão. Nos próximos dois anos poderá acontecer algo de similar para mais 6000 professores. É calculável que o acesso ao quadro voltará a estar fechado após este período, pois assistir-se-á a uma acentuada diminuição do número de alunos, reflexo de que as baixas taxas de natalidade da última década começam a refletir-se no 3.º Ciclo e Secundário”, adianta a autora do texto. 

Há mais estimativas no estudo de Isabel Flores. A contratação de novos professores não será necessária até perto de 2030, altura em que previsivelmente será justificável o ingresso de um total de mais 3000 professores. Nos próximos 10 a 15 anos, a população docente vai reformar-se em massa. Dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), relativos a 2016, mostram que o envelhecimento dos docentes do 3.º Ciclo e Secundário é acentuado – metade dos professores de Português têm mais de 50 anos e os professores com menos de 30 anos são absolutamente residuais no sistema. Trinta e cinco por cento dos professores de Matemática, Física/Química e Biologia/Geologia têm mais de 50 anos – esta percentagem é mais baixa em Educação Física, com 20% com mais de 50 anos. 

Ajustar oferta e procura 
“A atual estrutura etária dos professores poderá conduzir à rápida carência de professores nos diversos grupos de recrutamento nos próximos anos. Os grupos mais afetados serão os dos professores de Português e de Matemática”, revela a doutoranda. Se não forem feitas novas contratações, o número de professores de Português diminuirá de cerca de 9500 em 2015 para pouco mais de 5 000 em 2030 e para pouco mais de 3000 em 2035. As restantes disciplinas também sofrerão reduções, mas numa proporção menos acentuada. Por isso, na sua perspetiva, é fundamental traçar uma previsão a 15 anos de forma a adequar a oferta à procura no sistema de ensino. 

Ajustar procura e oferta é essencial. A dimensão do corpo docente deve estar adequada à quantidade de alunos. O número de alunos no 3.º Ciclo e Secundário sofrerá uma quebra acentuada dentro de dois anos, prevendo-se que a procura destes níveis de ensino se situe um pouco acima de 650 mil alunos em 2025, continuando a baixar para pouco mais de 550 mil em 2030. Feitas as contas, em relação a 2015, serão menos 150 mil alunos a frequentarem esses níveis de ensino, uma queda de 22%.

Neste momento, há cerca de um professor por cada 10 alunos no 3.º Ciclo e Secundário. Manter esse rácio dependerá da contratação de professores de forma faseada. “Assim, serão necessários mais cerca de 13 mil professores no sistema, a trabalhar em pleno até 2030: 9000 até 2020; apenas perto de 500 entre 2020 e 2025 e mais 3400 entre 2025 e 2030”. “O número total de professores no sistema irá, de qualquer forma, ser bastante inferior ao atual espelhando a diminuição da população em idade escolar, que é apenas parcialmente compensada pelo aumento da escolaridade até aos 18 anos”, repara. 

E o aumento do rácio alunos/professor pode ser feito de uma de três maneiras: reduzindo o horário dos alunos, aumentando o número de horas letivas de cada professor, ou aumentando o número de alunos por turma. Nesta última opção, o Ministério da Educação não terá de contratar novos docentes nos próximos 15 anos. Este cenário significaria uma acentuada diminuição no orçamento de Estado destinado à Educação. Em 2016, o ME dispunha de 5847,3 milhões de euros e a despesa com salários era responsável por 70% desse valor, em que a maior fatia é destinada aos professores. Se o número de professores diminuir em 40%, o orçamento de Estado poderá cair cerca de 20%, mesmo tendo em conta as atualizações salariais. Esta quebra poderá significar uma poupança na ordem de 1,2 milhões de euros.

Mesmo sem qualquer alteração na gestão de professores, horários e turmas, o orçamento de Estado com a Educação tenderá a emagrecer cerca de 10% nos próximos 15 anos, por via da diminuição do número de docentes em mais de 20%, que resultará do decréscimo do número de nascimentos, que tem estado estabilizado entre 80 mil e 85 mil crianças por ano desde 2013. 

Português, o maior problema 
Será na disciplina de Português que a necessidade será maior e mais urgente. O rácio alunos/professor em Português é de 78 no 3.º Ciclo e Secundário, o que significa que, em média, cada professor leciona três a quatro turmas. Os professores desta disciplina representam 13% de todos os professores do Secundário. Estima-se, portanto, que nos próximos 15 anos serão necessários cerca de mais 2100 professores de Português, e o maior número deve ser contratado até 2020, devido à previsível quantidade de reformas e numa altura em que a escola ainda não reflete a quebra de alunos. “No período seguinte não serão necessários mais professores e só voltará a ser essencial contratar no período 2025-2030. Aí prevê-se somente a entrada de 650 novos professores, o que representa pouco mais de 100 por ano.”

Matemática tem uma necessidade mais faseada e em menor quantidade, até porque nem todos os alunos do Secundário frequentam esta disciplina. O rácio alunos/professor em Matemática é de 92 e nos próximos 15 anos serão necessários mais cerca de 1300 professores, sendo o maior número contratado até 2020, ou seja, um pouco mais de 800. “No período seguinte serão necessários somente 100 professores e só voltará a haver potenciais contratações no período que vai de 2025 a 2030 e ainda assim apenas 300. Os 8000 professores de Matemática atualmente no sistema serão reduzidos para cerca de 6300”, avança Isabel Flores.

Em Física e em Química haverá necessidade de uma menor quantidade de professores, cerca de mil nos próximos 15 anos, a maior fatia terá de ser contratada até 2020. Os 5800 professores de Físico e Química atualmente no sistema serão reduzidos para cerca de 4500. Em Biologia e em Geologia, o cenário não será muito diferente, menos mil professores nos próximos 15 anos. Os atuais 5700 professores serão reduzidos para cerca de 4450. Em Educação Física, a necessidade será ainda menor. Pouco mais de 500 nos próximos 15 anos, sendo o período de maior contratação até 2020. No período seguinte somente meia centena acederá ao sistema e só voltará a ser necessário contratar, e apenas 150, no período entre 2025 e 2030. Os professores de Educação Física são, em 2015, os menos envelhecidos de entre os grupos analisados. Os 5550 professores atualmente no sistema serão reduzidos para cerca de 4300. 

Só 1,5% dos alunos querem ser professores 
Nos últimos anos, os alunos portugueses têm tido bons desempenhos nas avaliações internacionais, contra várias expectativas, nomeadamente um país com dificuldades financeiras que interferem na capacidade económica dos agregados familiares. Segundo Isabel Flores, o sucesso dos estudantes “deve-se em grande parte à qualidade dos professores e ao esforço evidenciado pelas escolas na superação das dificuldades impostas por meios socioeconómicos desfavoráveis”. 

A qualidade do sistema educativo também passa por uma progressiva renovação e rejuvenescimento do corpo docente, mas dados recentes revelam que Portugal é um dos países da OCDE em que menos alunos querem ser professores. A percentagem é bastante baixa, 1,5%, e é entre os alunos mais fracos que emerge essa vontade. “São muito poucos, os alunos que aos 15 anos querem ser professores, mas ainda assim são demasiados, uma vez que o sistema não terá capacidade para absorver 1500 novos professores que, por hipótese, se formem todos os anos”, observa.

“Pode ser expectável que daqui a 10 ou 15 anos os professores recém-formados sejam poucos e escolhidos de entre os alunos com percursos académicos de desempenho mais fraco. Os professores têm uma responsabilidade definitiva na qualidade dos sistemas de ensino, sendo que apenas bons professores são capazes do rigor e inovação tão necessários à modernização da educação e à adequada preparação das crianças e jovens”, refere.

O sistema deve ser capaz de atrair os melhores. Isabel Flores lembra que na Universidade de Lisboa, em 2016, o último colocado na primeira fase entrou com 10,1 no curso de Português, sendo a média de candidatura de todos os candidatos de 12,23. Foram colocados apenas 33 alunos na primeira fase e 13 na segunda, e só dois alunos ingressaram com média superior a 15. 

“Trata-se de uma situação preocupante na medida em que os alunos, que estão a ingressar em cursos que permitem o acesso à profissão docente, manifestam fragilidades ao nível científico que podem não garantir a qualidade exigível aos poucos professores que irão entrar nos quadros dentro de 15 anos”, refere a doutoranda.  

Estimativas feitas, cenários traçados, tudo indica que a médio prazo não haverá necessidade de formar novos professores, já que o acesso à profissão irá manter-se bastante restrito nos próximos anos. “No melhor dos cenários, a necessidade de professores far-se-á sentir essencialmente nos próximos dois a três anos, sendo que entre 2020 e 2030 será preciso efetuar muito poucas contratações. Em 2016, dos 30 mil professores inscritos para subsídio de desemprego cerca de 15 mil terão sido colocados em contratos temporários. Ainda assim, existem outros tantos que são excedentários e que, no melhor dos cenários, poderão ser integrados nos próximos dois anos, caso se pretenda manter o rácio alunos/professor em 10.”

Informação retirada daqui

sábado, 29 de outubro de 2016

Educação Física vai voltar a contar para a média de acesso ao superior


A disciplina de Educação Física vai voltar a contar para a média no acesso ao ensino superior. O anúncio foi feito, segundo a Lusa, na sexta-feira, pelo secretário de Estado da Educação, João Costa. Nesta segunda-feira, fonte do Ministério da Educação (ME) preferiu não se comprometer com datas, até porque esta alteração se insere “no quadro mais amplo de trabalho que se encontra em curso com as associações de professores sobre a gestão do currículo”.

A nota de Educação Física deixou de contar para a média no ano lectivo de 2012/13, para os alunos que iniciaram então o 10.º ano. Em 2014/15, deixou de contar para todos os alunos, por iniciativa do então ministro da Educação, Nuno Crato. Desde então, a nota a essa disciplina é considerada apenas nos casos dos estudantes que escolhem cursos relacionados com o desporto quando se candidatam ao superior.

“Os alunos vão beneficiar com esta mudança, porque a Educação Física é importantíssima e transversal à formação escolar geral, desde o pré-escolar até ao 12.º ano. Aliás, nunca compreendemos por que é que a disciplina deixou de contar para a nota”, congratulou-se o presidente do Conselho Nacional de Associações de Professores e Profissionais de Educação Física, Avelino Azevedo.

Porque “o exercício físico pode melhorar as funções executivas e cognitivas que estão na base do sucesso escolar de cada aluno”, aquele responsável garante que os directores das escolas e os professores das restantes disciplinas aplaudem também a mudança. “Quando a Educação Física deixou de contar para a nota, e passou a integrar a área de Expressões, houve uma diminuição de 20% no número de aulas dedicadas ao desporto e isso contribuiu muito para o aumento da indisciplina no 3.º ciclo. Os próprios professores de Português e Matemática têm vindo a reclamar mais actividade física porque os miúdos destas idades não conseguem estar tanto tempo parados numa sala de aula”, acrescentou Avelino Azevedo.

O ME explicou que esta mudança se enquadra na reflexão que tem vindo a fazer, juntamente com as associações de professores, a propósito da definição das competências tidas como essenciais nas diferentes disciplinas. “Depois desta ampla discussão sobre a gestão do currículo no seu todo, qualquer alteração que eventualmente se possa produzir só terá efeito – para os alunos que entrarem no 10.º ano – após a publicação da legislação relevante”, ressalvou o ME numa resposta escrita, evitando assim comprometer-se com datas.

Informação retirada daqui

domingo, 9 de outubro de 2016

"Faltam professores com boa disposição e alegria"


As mulheres, hoje em maioria no ensino português, tiveram um percurso de conquista no século XX. A partir de 1950 iniciou-se uma participação mais efetiva das mulheres no ensino básico nacional

Maioria de docentes são mulheres, com mais de 40 anos e licenciatura. No dia do professor, traçamos o perfil, com a ajuda de um. Que, aos 59 anos, diz ser preciso "sangue novo" nas escolas

"Tenho 36 anos de serviço, e 59 de idade, feitos ontem". E um sorriso na voz enérgica, mesmo se a maioria do que tem para dizer é pouco prazenteiro. Teresa Santos Costa é docente do primeiro ciclo do ensino básico no agrupamento de escolas Eugénio de Castro, em Coimbra, está há quatro anos como "professora de apoio", por achar a função mais adequada à sua idade e por se sentir "muito cética, muito desencantada com o momento presente. Acho que a escola se tornou numa coisa pouco interessante."

Admite que a disposição possa ser fruto da idade e da energia decrescente que o tempo quase sempre implica, nesta profissão como noutras. "Pode suceder em todas mas com os professores quem sai prejudicado são os alunos. É aborrecido quando há um número significativo de professores que não estão satisfeitos, estão aborrecidos... "

Num grau de ensino no qual, de acordo com O Perfil dos Professor 2014/2015, do ministério da Educação, 86,6% dos docentes são mulheres (o que ainda assim nos coloca abaixo da média da OCDE) - só há mais na pré-primária, em que são uns impressionantes 99,1%, contra 72,3% nos segundo ciclo e 71,6% no terceiro ciclo e secundário - Teresa é parte dos 33,1% mais velhos; só 1,4% têm menos de 30 anos, 30,4% têm entre 30 e 39 e 35,2% entre 40 e 49. Um valor um pouco acima da média da OCDE (31% dos professores primários têm mais de 50 anos), em contraste com o facto de sermos o segundo país, depois de Itália, com menos docentes neste grau menores de trinta. "Os professores do primeiro ciclo estão envelhecidos. Se calhar não era normal a reforma ser aos 52, como era até há 10 anos. Mas ensinar até aos 66? Acho que não faz sentido." O que faria sentido, então? "Até aos 60, talvez. As pessoas a partir de uma certa idade perdem uma série de capacidades para estar perante crianças. Até em termos físicos. São cinco horas consecutivas com alunos na sala de aula: ó professora isto, ó professora aquilo..." Suspira. "Quando assinei o meu contrato tinha de dar 32 ou 34, já nem sei, anos de serviço... Precisamos de injetar sangue novo no sistema, boa disposição, alegria."

Com um salário líquido de cerca de 2000 euros, Teresa está no topo de uma carreira em que não existem, ao contrário do que passa na generalidade dos países da OCDE, diferenças de vencimento entre níveis de ensino (exceção feita aos professores universitários) mas sim em termos de tempo de serviço e na qual os docentes portugueses com mais anos de profissão se encontram entre os mais bem pagos (55 mil euros/ano), enquanto os que a iniciam (27 mil euros/ano) e os dos graus seguintes (aos 10 e 15 anos) se encontram numa posição contrária ou média. Sendo, aparentemente, os que menos protestam: "Os mais novos, que têm a situação mais periclitante, não falam. Cumprem, e cumprem bem. Mas é muito diferente do que era o ambiente de quando eu comecei, em que havia mais discussão, mais troca de ideias." É justa uma diferença de salário tão acentuada entre os novos e os mais velhos? A professora do primeiro ciclo hesita. "Provavelmente não deveria haver uma discrepância tão grande entre o princípio e o final da carreira. Mas não acho que um professor ganhe assim tão bem. Claro, poder-se-á considerar que sou uma privilegiada, porque as carreiras estão muito difíceis para os mais novos, que passando muitos anos como contratados terão muita dificuldade em chegar ao topo."

A comparação entre os salários dos professores e dos trabalhadores com o mesmo nível de habilitações - neste caso, licenciatura, já que mas de 80% dos docentes, da pré-primária ao secundário, tem-na - efetuada pelo mais recente relatório Education at a glance (Um olhar sobre a Educação) da OCDE, publicado no mês passado, não inclui Portugal: o país não terá disponibilizado dados. O que se sabe a partir do relatório é que, enquanto na generalidade dos países retratados os salários dos professores até ao secundário aumentaram entre 2005 e 2014, em Portugal, como no Reino Unido, desceram mais de 10% (e 30% na Grécia).

Teresa, que nasceu em Moçambique e veio para Portugal em 1974, aos 16 anos, tirou primeiro o curso do magistério primário. "Era o que equivale a um bacharelato, era de três anos. Depois, mais tarde, fiz licenciatura e mestrado. A ideia era arranjar trabalho o mais depressa possível e consegui. O meu primeiro posto foi numa escola num concelho rural, Góis, no interior do distrito de Coimbra. Tive uma má experiência no primeiro ano, porque os professores mais velhos deixavam para os mais novos as turmas piores e havia nessa altura estudantes de 13 e 14 anos, retidos, na primária. Tinha oito ou nove desses problemáticos, filhos de gente alcoolizada, agressivos, e foi muito difícil, até porque estava na mesma aula que os miúdos que tinham passado com sucesso para o terceiro ano." Como compara a escola de hoje com a desse tempo? "O que se verifica hoje é que há um número excessivo de alunos na mesma sala, incluindo crianças com dificuldades de aprendizagem, com autismo, até trissomia e sem o apoio necessário. Na minha escola entraram agora três crianças autistas. Temos uma unidade de autismo mas é insuficiente. Precisamos de mais pessoal especializado. Claro que quando comecei a trabalhar estas crianças não estavam nas escolas públicas, havia escolas vocacionadas para crianças com deficiência. Mas temos também em cada vez maior número crianças com dificuldades de aprendizagem. Porquê? Se calhar há uma grande diferença entre o que a escola ensina e oferece e o que os miúdos desejam aprender - acho que há um desfasamento cada vez mais profundo."

Os dados da OCDE referem um aumento do tamanho das turmas da primária em 14% entre 2005 e 2014, mas Portugal surge como estando, em 2014, abaixo da média de alunos por turma da OCDE quer no ensino primário (21) quer no segundo ciclo (23).

Falamos dos alunos. E os professores, como evoluíram? "Acho que há muita gente que teria vocação para ser professor, e que agora..."

Informação retirada daqui

terça-feira, 13 de março de 2012

Diretores de escolas públicas discordam de novo diploma de autonomia

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e das Escolas Públicas (ANDAEP) disse à Lusa que o novo diploma de autonomia e gestão das escolas "põe toda a gente a mandar no diretor".

"Só o diretor é que não manda em ninguém. O seu papel está mal definido nesta proposta do Ministério da Educação e acaba por fragilizar a escola pública", lamentou Adalmiro Fonseca, no final da Assembleia Geral da ANDAEP, que hoje decorreu em Leiria.

"O facto de, no novo diploma que está em discussão, se prever que os coordenadores dos departamentos nas escolas sejam eleitos e não nomeados fragiliza a liderança dos diretores, que não podem sequer escolher a sua própria equipa", exemplifica.

Por outro lado, sublinha Adalmiro Fonseca, os diretores dos agrupamentos e das escolas públicas "entendem que é incompreensível serem avaliados pelos conselhos coordenadores de avaliação porque isso vai contra o código do procedimento administrativo e cria conflitualidades, uma vez que nesse órgão podem estar elementos que são avaliados pelo próprio diretor".

O responsável da ANDAEP disse que estas são algumas das conclusões dos trabalhos que decorreram hoje em Leiria e que querem transmitir ao Ministério da Educação, no decorrer de uma audiência que vão pedir "de imediato" ao secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida.

Outra das conclusões "importantes", salienta o presidente da ANDAEP, prende-se com a rejeição das agregações das escolas.

"O Ministério justifica que o aluno deve ter um projeto educativo sequencial e por isso as escolas devem juntar-se para proporcionar isso, só que essa ideia não faz sentido enquanto o aluno puder escolher o estabelecimento de ensino e, portanto, mudar de escola se assim entender", explica Adalmiro Fonseca.

O responsável da ANDAEP assegurou que estas conclusões e a discussão "foram feitas sem drama, com muito sossego, mas dão à Associação argumentos para tentar alterar um diploma", mostrando-se esperançado que o Ministério da Educação seja "sensível" às pretensões dos diretores escolares.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Escolas querem mais tempo para Português no 12.º ano

O Conselho das Escolas (CE) quer aumentar a carga horária de Português em 45 minutos no 12.º ano, devido à extensão e exigência do programa e aos resultados "cada vez mais baixos" nos exames nacionais.
A posição deste órgão consultivo do Ministério da Educação está espelhada no parecer que entregou na segunda-feira ao secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida e a que a agência Lusa teve acesso.
No documento, aprovado pelos conselheiros na sexta-feira, a propósito da revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário, sustenta-se ainda que a necessidade de reforço se deve também à "complexidade conceptual dos conteúdos literários" e à falta de tempo para desenvolver actividades necessárias para se atingir a eficácia de expressão escrita e oral exigida neste nível de escolaridade.
O CE diz ainda que a actual carga horária é inferior à das demais disciplinas sujeitas a exame nacional.
O conselho considera, por outro lado, que deve manter-se uma área curricular não disciplinar de formação cívica do 5.º ao 12.º ano porque dá "um contributo valioso para a formação integral dos jovens, para a construção da sua cidadania e para a melhoria do clima de escola".
A actualização do leque de opções no ensino secundário, tendo em conta o seguimento dos estudos e as necessidades do mercado de trabalho são outra proposta do CE.
Para o efeito, propõe-se a criação de disciplinas e a focalização da atenção do aluno no conhecimento fundamental, proporcionando "uma melhor gestão do tempo de estudo".

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Confissão de um professor ...

Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes
Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.

De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.
Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche.
O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas...
Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.
Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos. É este o Portugal de sucesso e orgulho do Sócrates!!!!
Divulguem e não se cansem de divulgar por esse mundo fora.....Não se calem.....

CNO do Centro de Formação Profissional de Leiria

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Milhares de professores podem retroceder na carreira e ter de restituir vencimentos

Os representantes das associações de directores de escolas e a vice-presidente da Federação Nacional de Educação (FNE), Lucinda Dâmaso, manifestaram-se ontem "profundamente" preocupados com "a possibilidade de um número significativo de docentes retroceder na carreira e ser chamado a repor parte do vencimento que tem auferido".

Em causa estão instruções emitidas pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) na noite de sexta-feira, através das quais os directores são chamados a promover "a restituição das quantias" que tenham sido pagas aos docentes ao abrigo de uma interpretação da lei diferente da agora divulgada por aquela direcção-geral.

Os documentos referem-se a decretos-leis de 2005 e de 2009, anteriores à última alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD). Em ambos os casos, a DGRHE diz terem sido detectadas "situações incorrectas de transição e progressão", promovidas pelas direcções das escolas, nomeadamente quanto à contagem do tempo de serviço necessário para subir na carreira. E produz várias páginas de detalhados esclarecimentos sobre a forma como o Decreto-Lei 15/2007, de 19 de Janeiro, e o 270/2009, de 30 de Setembro, deviam ter sido interpretados.

"Compete à direcção executiva [...] verificar se as progressões dos docentes se operaram em cumprimento das regras previstas no decreto-lei [...] e das orientações vertidas nesta circular. Se [...] constatar que foram efectuadas progressões na carreira em violação das regras supradescritas, deverá promover, com a maior brevidade possível, a restituição das quantias que entretanto tenham sido pagas aos docentes, sob pena de ser aferida a responsabilidade administrativa e financeira dos titulares daqueles órgãos", determina a DGRHE.

A maior parte dos directores, professores e sindicalistas terá sido apanhada de surpresa. As duas circulares foram enviadas, por correio electrónico, depois das 19h de sexta-feira e foi através do blogue A Educação do Meu Umbigo, de Paulo Guinote, que o seu teor foi divulgado.

O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, diz-se convicto de que a interpretação coincide "com a da grande maioria das escolas" e critica a direcção-geral por perturbar o normal funcionamento dos estabelecimentos de ensino em vez esclarecer a legislação mais recente. Mas a dirigente da FNE e os representantes dos directores têm convicções diferentes.

"Não posso calcular o número de docentes atingidos, mas serão muitos, necessariamente. Conheço vários casos de directores que aplicaram a legislação de forma mais favorável aos professores no que respeita, por exemplo, à contagem do tempo de serviço necessário para o reposicionamento na carreira", frisou Lucinda Dâmaso, em declarações ao PÚBLICO.

Adalmiro Fonseca, presidente da Associação Nacional de Dirigentes de Agrupamentos e Escolas Públicas, e Pedro Araújo, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, estão igualmente apreensivos. Tal como a dirigente da FNE, ressalvam a necessidade de analisar detalhadamente e com apoio de juristas a interpretação da DGRHE, mas ambos admitem a possibilidade de terem feito leituras diferentes da lei e de terem de chamar professores a repor vencimentos.

Para apurar casos de aplicação "incorrecta", as direcções terão de analisar os processos de cada um dos professores do quadro da respectiva escola, uma tarefa que levará muitas horas de trabalho, sublinham Adalmiro Fonseca e Pedro Araújo.

Os "vazios" deixados pelas leis e respectiva regulamentação são criticados pelos dois directores, que recordam que em poucos anos houve três modelos de progressão e se queixam de não conseguirem obter esclarecimentos da DGRHE em tempo útil.

Pedro Araújo defende que, naquelas circunstâncias, os directores "têm de tomar decisões, sob pena de estarem, por omissão, a promover o congelamento das carreiras dos professores". Adalmiro Fonseca contrapõe que, "face a circulares como estas, em que são feitas interpretações a posteriori, as direcções devem redobrar cuidados". "Antes professores angustiados a baterem-me todos os dias à porta, como acontece agora, do que cair nesta situação", afirma.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Escolas estão cheias de professores com "a vida adiada"

Há uma semana, a horas da publicação das listas de professores que se candidataram a responder às chamadas "necessidades transitórias" das escolas, Ricardo Montes, autor do blogue Professores Lusos, publicou um texto em que começava por dizer que, apesar de não ser sua intenção escrever naquele dia, iria deixar "umas palavrinhas". Nesse momento, estavam 149 pessoas online e a caixa de conversação do blogue fervilhava com as intervenções de professores ansiosos. Tinham razões para isso, como admitia Ricardo Montes. No dia seguinte confirmou-se que, dos 50 mil candidatos, menos de 18 mil ficaram colocados.

"Não fiquem, hoje, domingo, especados em frente ao monitor (...). Vão passear... Vão até a um café... Vejam um bom filme...", recomendou Ricardo Montes. Na caixa de comentários surgiram, de imediato, agradecimentos. "Antigamente, nos momentos de aflição, as pessoas iam para a igreja, agora os professores vêm ao teu blogue", escreveu alguém.

Fernanda Martins, de Vila Real, foi uma das professoras que passou horas de aflição colada ao computador, no domingo e na segunda-feira, primeiro a partilhar angústias e depois à espera da publicação das listas pelo Ministério da Educação. Professora de Português e Francês há 14 anos, faz parte do grupo de milhares de docentes que, ano após ano, só sabem no fim de Agosto se têm colocação; e, no caso de terem, se lhes será atribuído um horário completo ou incompleto, de quantas horas e em que escola (às vezes também em que concelho e mesmo em que distrito) terão de se apresentar daí a dois dias.

Para além da precariedade e da instabilidade, Fernanda encarna outra dificuldade que as federações de sindicatos não se cansaram de evidenciar e que este ano animou a vida parlamentar: a das ditas "injustiças" provocadas pela consideração, para efeitos de ordenamento na lista de candidatos, da avaliação de desempenho feita num ano de contestação ao modelo adoptado pelo Governo e em que as várias escolas o aplicaram com critérios diferentes.

Dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, Fernanda não aceitou ser avaliada. Quando viu as listas ordenadas, descobriu que caíra 50 posições na lista dos candidatos a professores de Português e 30 na lista dos que concorriam para leccionar Francês. Um caso entre muitos. Sónia Maurício, de Coimbra, também achou que "não fazia sentido ir às manifestações e depois ser avaliada". Foi ultrapassada por 96 colegas de Matemática na lista para colocações.

Luís Juvenal Mendes, também a contrato, participou em tudo quanto era protesto, mas entregou os objectivos e pediu aulas assistidas: "Percebi que muitos se estavam a acobardar e me iam ultrapassar, apesar de não serem melhores professores do que eu. Seria uma injustiça."

É para pessoas como Fernanda, Sónia e Luís que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE) reclamam a abertura de um concurso extraordinário para colocação no quadro de professores que, acusam, estão a satisfazer necessidades permanentes das escolas, mas sem as condições a que, por isso, têm direito.

Os dirigentes da Fenprof sustentam a reivindicação com números: este ano foram contratados com horário completo e para todo o ano lectivo 13.974 docentes - muitos mais do que no ano passado (9663), em 2008 (4384) e em 2007 (2810). E isto acontece, denunciam, "porque, apesar de se terem reformado 15.210 professores desde 2007, apenas entraram nos quadros 396". "Não podemos fazer planos, assumir responsabilidades... É muito difícil não ceder à revolta. Até quando teremos de adiar a vida?", pergunta Fernanda.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Professor do Algarve galardoado


Alexandre Costa, de 45 anos, foi o vencedor da 3.ª edição do Prémio Nacional de Professores. Este docente de Físico-Química e Física desde 1989, que lecciona na Escola Secundária de Loulé, arrecadou assim os 25 mil euros do prémio da edição de 2009. A ministra da Educação entrega esta manhã os galardões aos premiados, numa cerimónia na Universidade de Évora.

O Prémio de Mérito Carreira foi para José Dias Gabriel, de 60 anos, professor de Português da Escola Secundária Dom Egas Moniz, em Resende. Já Wagner Diniz, de 55 anos, professor de Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional, venceu o Prémio de Mérito Inovação. A única mulher galardoada foi Antónia Vidal de Castro, de 55 anos, da Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar, que ganhou o Prémio de Mérito Liderança.

Estes três galardoados recebem Diplomas de Mérito Pedagógico e ganham direito a visitas de estudo a instituições de referência europeias ou publicação de trabalhos científicos.

A escolha dos vencedores coube a um júri formado por nove personalidades e presidido pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro.

Os candidatos são propostos pelas escolas, associações profissionais de professores ou por um grupo constituído por um mínimo de 50 docentes.

Segundo o Ministério da Educação, o objectivo do prémio é galardoar os docentes que "contribuam de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino".




Bernardo Esteves

sábado, 13 de março de 2010

Presidente da Associação Nacional de Professores contra programas extensos


“Temos que definir que aprendizagens são estruturantes [no Ensino Básico] para diminuir a chamada ‘obesidade curricular’”, afirmou à Lusa João Grancho, preside da ANP que promove, esta noite, em Gaia, um debate sobre ensino e educação. Grancho considera necessário “ponderar o que é ou não, actualmente, tido como estruturante” ao nível das várias matérias abordadas nos primeiros anos de formação dos alunos, já que “os programas são muito extensos” e “há carências de articulação entre os diferentes ciclos de ensino”.

“A maior insuficiência situa-se nas metas de aprendizagem não definidas”, acrescentou o presidente da ANP para quem “há que estabelecer factores de ponderação em relação a determinadas áreas estruturais” como a Matemática, as Ciências e a Língua Portuguesa. A chamada ‘obesidade curricular’, que “decorre do que é o currículo formal e informal”, provoca nos professores “uma aflição muito grande em cumprir programas”, impedindo-os de “fazê-lo bem”.

Assiste-se então a situações em que “as aprendizagens não são totalmente adquiridas” e a uma falta de “harmonização” entre ciclos que os alunos vão frequentando. João Grancho defende ainda que as escolas deveriam ter alguma autonomia para olhar às “diferenças e heterogeneidade do público” de forma a não criar situações de exclusão ao “querer ensinar a todos” o mesmo.

O debate de hoje - “Programas e Currículos: para que (m) ensina a escola?” - realiza-se pelas 21h00, na Livraria Almedina do Arrábida Shopping, Gaia, e insere-se num ciclo de colóquios coordenados pela ANP.

A participar no debate estará também o professor José Carlos Morgado para quem se impõe uma “reforma curricular de fundo”. “Mais importante que aprender os conhecimentos é importante que a criança aprenda a pensar. Mais importante que a criança aprenda os resultados de investigações é que aprenda a investigar”, afirmou à Lusa o professor do Instituto da Educação da Universidade do Minho. O professor explicou que o Ensino Básico é uma etapa “globalizante” pelo que deve “contribuir para o desenvolvimento da criança e do jovem na sua globalidade”.

O professor concorda com a existência de uma ‘obesidade curricular’ e com a necessidade de se fazer uma “dieta curricular que livre os currículos de excessos”. O ciclo tem mais três colóquios marcados para 12 e 26 de Março e 16 de Abril nos quais se irá debater a qualidade da profissão de docente, a violência escolar e o que deve ser melhorado na educação.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Professores podem ascender ao terceiro escalão sem depender da abertura de vagas


Na proposta anterior, o Governo fazia depender a progressão para o terceiro, quinto e sétimo escalão da carreira da abertura de vagas. Esta é uma das medidas mais contestadas pelos sindicatos.

Ao deixar cair a exigência de vagas para o terceiro escalão, o Ministério da Educação faz desaparecer aquele que seria o principal estrangulamento na progressão da carreira de muitos professores já que esta limitação de acessos abrangeria o maior número de docentes uma vez que seria válido logo ao fim de oito anos de docência.

O Ministério terá também deixado cair a obrigação de realização de uma prova de ingresso na docência. Mas para os professores classificados com Bom, a progressão na carreira para o quinto e sétimo escalão continuará a ficar dependente da abertura de vagas.

Esta condição é uma das questões mais contestadas pelos sindicatos, que faziam depender o seu acordo da garantia de que também todos os professores classificados com Bom poderiam contar aceder ao topo da carreira, um patamar que por enquanto continuará, à partida, a ser garantido apenas àqueles que têm Muito Bom ou Excelente na avaliação do seu desempenho como professores.

Apesar de se manter este ponto de discórdia, alguns dirigentes sindicais disseram aos jornalistas que o facto de as negociações prosseguirem "já quer dizer alguma coisa".

Hoje, ao contrário do que é habitual, as reuniões dos responsáveis pelo Ministério da Educação (ME) com os representantes dos vários sindicatos de professores não estão a decorrer de forma consecutiva, ao longo do dia, mas sim em simultâneo. Às 10h iniciaram-se quatro reuniões em outras tantas salas e são os representantes do Ministério quem circula por elas, na tentativa de construção de um consenso. A ronda negocial foi interrompida para o almoço e recomeça por volta das 15h.

A ministra da Educação e o secretário de Estado entregaram a sua proposta sala a sala. Até agora, só a Fenprof entregou as suas contrapropostas ao Governo.

Nas quatro salas, situadas em pisos diferentes o que obriga os governantes a andarem constantemente acima e abaixo, estão a Federação Nacional de Professores (Fenprof) - que representa cerca de 70 por cento da classe docente -, a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE) e nas duas restantes estão, em cada uma, seis pequenos sindicatos de professores.

Público

sábado, 26 de dezembro de 2009

Docentes pedem à ministra para não cortar a sua disciplina

Na segunda-feira, a ministra da Educação, Isabel Alçada, anunciou que o 3.º ciclo do ensino básico terá um novo currículo, já a partir do próximo ano lectivo. A carga horária é para manter, logo, a tutela tenciona mexer no número de disciplinas. O objectivo, precisou Alçada, é que os alunos tenham "mais tempo" para trabalhar cada disciplina. Haverá "menos dispersão", acrescentou.

A semana passada, no Conselho Nacional de Educação, a ministra avançou alguns pormenores: além das competências básicas na área da leitura, escrita, Matemática e Ciências, também as Tecnologias de Informação e Comunicação são consideradas essenciais.

Se, no 1.º ciclo, os alunos têm quatro áreas obrigatórias, quando chegam ao 3.º ciclo estas disparam para mais do triplo, com 14 disciplinas, que podem ser 15 com Educação Moral e Religiosa (facultativa). No secundário, nos cursos gerais, as disciplinas diminuem para quatro de formação geral e cinco de formação específica.

Com a pressão que existe sobre a Matemática e a Língua Portuguesa, "o que é natural é que se aumentasse a carga horária" destas duas disciplinas, defendem Arsélio Martins, presidente da Associação de Professores de Matemática (APM), e Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP). Se, por cá, os alunos têm dois blocos de 90 minutos semanais para cada uma das disciplinas, há países onde têm o dobro, aponta Arsélio Martins. "São esses que "competem" connosco nos estudos internacionais da OCDE", lembra Feytor Pinto.

Também os professores de Educação Física defendem que, em vez de duas horas semanais, os alunos deviam ter uma hora diária de actividade física. Para isso, vão pedir uma audiência a Isabel Alçada para "garantir, pelo menos, quatro tempos semanais", informa Marcos Onofre, do Conselho Nacional das Associações de Profissionais e Professores de Educação Física. "É o mínimo previsto pelas normas internacionais e é fundamental nestes escalões etários por causa da obesidade e outros problemas de saúde", justifica.

As línguas vivas vão perdendo terreno na organização curricular, lamenta Cristina Avelino, da Associação Portuguesa de Professores de Francês. Em conjunto, as duas línguas estrangeiras têm três blocos no 7.º ano, que são reduzidos em 45 minutos nos 8.º e 9.º anos. "Não sei onde é que se pode cortar, talvez nas transversais [áreas curriculares não-disciplinares]", sugere. Contudo, estas são importantes, sobretudo para os alunos que não têm apoios em casa ou fora da escola, acrescenta.

"É infame que só tenhamos hora e meia de aula por semana", reclama Alberto Gaspar, da Associação Portuguesa de Professores de Inglês, para quem as áreas não-disciplinares devem ser "abolidas" porque os seus conteúdos podem ser trabalhados em todas as outras. O que é preciso, sugere, é formação para que os professores saibam trabalhar essas áreas.

Para Augusto Barroso, da Sociedade Portuguesa de Física, os "cortes não devem ser feitos no essencial, mas no acessório". Estudo Acompanhado e Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação podem desaparecer, na opinião de Emília Sande Lemos, presidente da Associação de Professores de Geografia. Quanto a Área Projecto, pode ser leccionada só no 9.º ano, porque é importante para preparar os alunos para o mercado de trabalho. Sobre a Geografia, considera que esta não deve estar ligada à História, como acontece no 2.º ciclo, mas não a "escandaliza" que seja semestral.

Os presidentes da APM e da APP denunciam que muitas escolas usam as horas de Estudo Acompanhado para dar matéria de Matemática e Língua Portuguesa. No próximo ano há novos programas para as duas disciplinas e estes foram pensados para a actual carga horária, alertam os dois responsáveis. "Não sei se em nove meses vai ser possível fazer uma nova organização curricular", diz Feytor Pinto. É preciso ouvir os professores, pedem.

C.Manhã

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Matemática: Portugal precisa de mais investimento em professores e mais horas de ensino


Autor dos programas de Matemática do ensino secundário, Jaime Carvalho e Silva assume funções a 1 de Janeiro, sendo o primeiro português eleito secretário-geral da maior associação mundial dedicada à educação da Matemática, que engloba 85 países.

“Suspeito que vai haver falta de professores de Matemática em Portugal e que isso se começará a sentir já este ano”, disse o docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em declarações à agência Lusa.

Na sua opinião, “há 20 anos que não há qualquer investimento na formação inicial dos professores de Matemática em Portugal”.

“Devia haver um forte investimento, os professores do ensino primário são generalistas, a partir do 2º Ciclo há formação específica e vão faltar professores de Matemática em todas as áreas”, prognosticou.

A par da qualidade da formação dos docentes, há que disponibilizar mais horas para o ensino da Matemática, “uma área considerada difícil, por ser uma disciplina acumulativa (aprendizagem implica solidificação de conhecimentos anteriores) e pelo carácter de abstracção que implica”, disse.

“Em Portugal temos poucas horas para aprender Matemática nas escolas, é preciso mais, mas infelizmente não tem havido, à semelhança de outros países, a sensibilidade necessária para dar mais espaço horário à Matemática”, criticou.

O Investigador de Análise e História e Metodologia da Matemática do Centro de Matemática da Universidade de Coimbra (CMUC) está consciente de que a questão “levanta o problema do rearranjo das disciplinas escolares”, mas considera que “entre o 5º e o 9º anos de escolaridade há uma multidão de disciplinas”.

Alguns dos problemas com que se depara a Matemática estão relacionados com a cultura e com a língua.

“A nível internacional, a língua franca é o inglês e todos os estudos são publicados em inglês, mas a maior parte dos professores de Matemática em Portugal não domina a língua”, sustentou.

Essa é uma das razões que leva o futuro secretário-geral da ICMI a querer organizar um congresso de Matemática dos países de língua portuguesa, dento de dois anos.

“Além da língua, há uma cultura comum e problemas associados a essa cultura, como o de se considerar que a formação científica não é importante e que conseguimos improvisar o que será necessário”, disse, ressalvando que essa corrente não é específica destes países.

sábado, 22 de agosto de 2009

1500 docentes nas bibliotecas

Mil e quinhentos professores vão ser colocados este ano lectivo nas escolas pelo Ministério da Educação com o objectivo de gerir as bibliotecas, depois de nos últimos anos terem recebido formação. "Há dez anos que ando a lutar por isto. Os professores-bibliotecários são inteiramente gestores e ficam colocados por quatro anos", disse ao CM Teresa Calçada, coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) desde o lançamento, em 1996.

No início, a rede tinha 164 bibliotecas, hoje são 2063. Em 13 anos, foram investidos 40 milhões de euros e a rede, tutelada pelos ministérios da Educação e da Cultura, serve já cerca de um milhão de alunos.

"Todos os agrupamentos escolares do País têm biblioteca", afirmou Calçada. O plano entra agora numa nova fase: "Não basta ter equipamentos. Se não houver quem as governe, as bibliotecas não cumprem a sua função", afirmou Calçada, sublinhando a importância dos professores-bibliotecários.

Consciente do atraso português – "começámos a fazer as coisas décadas depois dos outros", disse –, a responsável deixa um alerta: "Um dos problemas é que em Portugal aprende-se a ler mal. As crianças lêem devagar, a soletrar... As pessoas têm de perceber que ler é como andar de bicicleta, é preciso treinar muito".

Teresa Calçada sublinhou que "hoje já são muitos os miúdos que levam os pais à leitura". E lembrou que há ainda muito trabalho pela frente: "Vamos avançar agora para as escolas profissionais e reforçar a resposta nas Novas Oportunidades. As bibliotecas vão ter de responder a estas solicitações com novos horários e novos materiais".

"MINISTRA FOI PRÓ-ACTIVA": Teresa Calçada, Coordenadora Rede de Bibliotecas Escolares

Correio da Manhã – Em 13 anos no cargo conheceu vários ministros. Foi fácil trabalhar com todos?

– Sim, porque houve sempre muito boa vontade para este programa, nunca houve anticorpos. Há mérito do nosso gabinete mas também houve sempre um desejo de todos, desde Marçal Grilo até à actual ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, de ver o País equipado com bibliotecas porque era de facto uma necessidade.

– Como foi trabalhar com Lurdes Rodrigues?

– Não podia ter sido melhor. Ela teve sempre uma atitude pró-activa e amistosa.

– O conflito professores/Governo afectou o seu trabalho?

– Não. Os professores souberam sempre separar as águas e nunca senti que deixassem de trabalhar bem por causa dos combates em que estiveram envolvidos.


Correio da Manhã

terça-feira, 21 de julho de 2009

Gripe A: professores vão dar aulas em casa se a pandemia atingir escolas

Professores e alunos em casa não equivalem a dias santos na escola. Se os estabelecimentos de ensino fecharem ou grande parte dos funcionários faltarem ao trabalho devido à gripe A, os conselhos executivos vão ter que encontrar formas de "manter as actividades escolares consideradas essenciais". Colocar os docentes "em teletrabalho e distribuir actividades aos alunos por e-mail" são duas das medidas previstas para os planos de contingência das escolas numa epidemia.

As orientações da Direcção- -Geral da Saúde (DGS) para creches, jardins de infância, escolas e outros estabelecimentos de ensino sugerem formas alternativas para manter as aulas em dois cenários: quando fecharem para evitar a propagação do vírus ou quando a epidemia provocar um elevado absentismo nos funcionários. Em ambos os casos, os pais podem vir a assumir o papel de educadores, através de "estratégias de informação e envolvimento que lhes permitam apoiar a realização de trabalhos escolares em casa".

As escolas são apontadas como o grande perigo para a criação de focos de contágio e de cadeias de transmissão do vírus. O H1N1 tem afectado mais os jovens e o contacto próximo nos estabelecimentos de ensino é um desafio para as autoridades. Assim, dentro das escolas, as orientações agora divulgadas impõem uma verdadeira revolução nos hábitos de higiene.

Usar e deitar fora. Aumentar as reservas de produtos de limpeza, fazer uma avaliação dos equipamentos para lavar as mãos e reparar deficiências, "preferencialmente antes do início das aulas", instalar toalhetes de papel nas casa de banho, colocar nas paredes soluções de limpeza à base de álcool nas salas sem lavatório. A DGS vai mais longe e diz mesmo que "chupetas, brinquedos que possam ser levados à boca, copos, pratos e talheres não devem ser partilhados".

Estes hábitos de higiene serão ensinados às crianças através de desenhos, mas, nas idades mais jovens, evitar que levem as mãos e os brinquedos à boca é uma tarefa impossível. Por isso, nas creches e nos jardins de infância, "os brinquedos devem ser higienizados com detergente doméstico e passados por água limpa no final da sua utilização".

São 43 as tarefas que integram a lista da DGS para as instituições seguirem na criação dos seus planos de contingência. Até ao início do ano lectivo, em Setembro, as escolas vão ter que pensar em tudo e encontrar soluções para os vários cenários possíveis durante uma epidemia: do reforço das escalas de limpeza de espaços e superfícies de trabalho ao transporte dos alunos, passando pela alimentação.

Se os estudantes forem obrigados a permanecer em casa, "sempre que a escola forneça alimentação, é muito importante prever soluções alternativas para a manutenção deste serviço, em particular para as crianças carenciadas". O que terá de ser pensado com as autarquias. Os contactos dos pais serão integrados numa base de dados e cada escola terá de fazer reuniões de esclarecimento para funcionários, encarregados de educação e alunos.

Os responsáveis das escolas vão ter que contactar os fornecedores e perceber se eles estão preparados para responder ao "fornecimento de refeições, os transportes escolares ou os materiais escolares" em situação de crise. Caso uma destas áreas seja afectada, aconselha-se a criação de "reservas de água engarrafada e alimentos não perecíveis". Sempre que um caso de infecção é detectado, o aluno tem que ser imediatamente retirado do contacto com os outros. Deve "ser prevista a existência de uma sala para o eventual isolamento de alunos que evidenciem sinais de gripe, durante a permanência na escola, até que os pais sejam contactados", refere a DGS. E este espaço não pode ser utilizado para qualquer outro fim.

As regras para a utilização desta sala de isolamento devem ser definidas previamente. "Idealmente, deve dispor de janela, a fim de poder ser ventilada para o exterior, mantendo a porta fechada, bem como de dispositivo dispensador de solução anti--séptica de base alcoólica para desinfecção das mãos", enumera a DGS. Depois de utilizada, terá de ser limpa e arejada.

Questionado pelo i sobre como estas medidas serão aplicadas e se está previsto um reforço dos orçamentos das escolas, o Ministério da Educação remeteu todos os esclarecimentos sobre a gripe para o Ministério da Saúde. Ontem foram divulgados mais dez casos positivos de gripe A, passando para um total de 140. A maioria dos doentes já regressou à sua vida normal. Rute Araújo

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Prémio para professores

Os professores avaliados com Muito Bom e Excelente durante períodos consecutivos terão uma redução de quatro anos no tempo de serviço exigido para aceder à categoria de professor titular, anunciou o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira.



O Ministério da Educação apresentou ontem aos sindicatos uma proposta da revisão do estatuto da carreira docente, garantindo que pretende dar por concluído o processo de negociação no final de Julho, mesmo sem o acordo dos sindicatos. Entre os principais pontos, destaca-se a redução do tempo de permanência nos três primeiros escalões e quinto da categoria de professor, num total de cinco anos.

Por outro lado, o Ministério prevê ainda que 'os docentes que preencham os requisitos para professor titular, que tenham sido aprovados em prova pública, mas que não tenham vaga, dado o seu número limitado, possam a aceder a um escalão coincidente com o primeiro escalão do professor titular', segundo Jorge Pedreira.

Para Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, o Ministério da Educação veio criar dificuldades ao acesso à categoria de professor titular. 'O acesso a titular não está reservado aos melhores, aos que têm mérito, mas sim àqueles a quem o Ministério atribuir vaga', disse o secretário-geral.

Joana Nogueira

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Vídeo dos Professores Bloqueado no YouTube

Este vídeo é parte de um trabalho que está a ser desenvolvido no sentido de trazer para primeira página a questão das reformas destruidoras promovidas pelo Ministério da Educação.

O objectivo é conseguir o maior número de visualizações possível, de forma a que o vídeo passe a ter destaque na página principal do Sapo Vídeos. Quem sabe se não conseguimos mais uma atenção nos media nacionais.

O vídeo que se segue já esteve no YouTube mas (estranhamente) foi bloqueado.

Basta um clique no link que se segue para o voto contar.

http://videos.sapo.pt/cP3yT88UwvzzOV6z1aw2